quinta-feira, 28 de agosto de 2025

MAIS UMA...NÃO, MENOS UMA!

 


Pedro Antônio de Souza

No meu passar pela Rua Dr. José Coelho dos Santos, a rua do Salão Paroquial, dei-me conta que a casa da Dona Gilda Brandão, lá, não mais estava no seu sempre. Nem uma meia parede, de pé, para amenizar o impacto da ausência.

Boa parte da tarde e noite, passei a processar lembranças tantas, sem dor... incomodado, sim e muito!

Passeia em mim, Gilsa, com seu andar calmo, sorriso discreto, sempre presentes no nosso cruzar caminhos.

De pronto e efusiva, Zezé Brandão, colega de Ginásio, dona de sorriso expandido e acolhedor, de conversas curtas para, mais assuntos, falar.

Longeva e lendária, Dona Gilda habita este vazio que dá morada às ausências.

Fernanda, menina linda, na varanda, encanta a rua que vivo, mantém seu nome: Dr. José Coelho dos Santos.

Desta casa-família correm lembranças da Dona Helena Brandão, Minassa, por núpcias com o Dr. Mandale.

Também da bela Alice e do Franco Brochado, o mais belo rapaz de então, de acordo com a contemporânea Izaura Moura, minha mãe.

Ficar velho, no substantivo, é também somar perdas, independentemente dos desejos... meus e não.

Decidi não ser mais um Tristão de Ataíde, fazendo da minha velhice, no adjetivo, "um barco de navegador crescentemente solitário".

Au contraire, afrancezando, que subam neste meu barco-VIDA todos que nele couberem!

Dona Gilda, no todo que representa, está bem guardada nos meus fortes e duradouros engramas, independente da materialidade de sua casa, como todos que "desmoram" no nosso Mimoso, a morrerem neste meu tempo de velho, que felizmente se alonga, por Graça Divina!

No vazio que me surpreende e incomoda, há um NOVO EM GESTAÇÃO, a parir o que independe de minhas saudades, dono que é da magia dos seus conceptos de infindáveis possibilidades.

Novas Donas Gildas virão...tantas irão, como as pessoas tantas que já se foram!

Que a vida me dinamize...me faça acolher o que está posto...encolher dores no ganhar-perder!

Vivas às SAUDADES que permeiam a vida...que nos incluem...que nos permitem CORAGEM para o desafio de VIVER!



quarta-feira, 27 de agosto de 2025

TV Alcance Exclusivo: o Dia Municipal do Imigrante Açoriano em Bom Jesus do Itabapoana

 















Da Fazenda Liberdade à Música do Brasil: o Destino Afinado de Oseias Silva

 



Oseias Silva, filho de Dona Natalina e do pastor Jorge Cabral, nasceu e foi criado na Fazenda Liberdade, distrito de Carabuçu, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ).

Seu interesse pela música surgiu ainda na infância, quando, aos seis anos, descobriu sozinho o primeiro acorde no cavaquinho. Desde cedo, também demonstrou habilidade manual ao criar instrumentos artesanais de madeira e bananeira. Incentivado pelo pai, mudou-se com a família para a cidade de Bom Jesus, onde pôde desenvolver seus talentos.

Matriculou-se na Escola de Música JEMAJ, onde já dominava o curso básico. Aos 15 anos, tornou-se professor e lecionou por mais de 10 anos. Posteriormente, estudou no Conservatório de Música Cristo Rei, obtendo mais de 12 certificações.

Com sólida experiência prática e didática, formou centenas de músicos em projetos sociais, igrejas, escolas e corais da região. Posteriormente, integrou equipes de músicos profissionais, atuando em todo o Brasil com artistas de renome como William Nascimento, Cris Duran, Jairo Bonfim, Fernandinho, entre outros.

Atualmente, é músico e teólogo, atuando como ministro de música na Primeira Igreja Presbiteriana e membro da equipe Faz Chover do cantor Fernandinho, no Rio de Janeiro. Também trabalha como afinador técnico de pianos, participando de gravações com artistas como PG, Aline Barros, Thalles Roberto e muitos outros.

Além da carreira musical, Oseias é luthier profissional. É proprietário da Oseias Silva Instruments, oficina especializada em ajustes, reparos, construção e regulagem de instrumentos de cordas e pianos em todo o Brasil.

É casado com a professora Sarah Coqui e pai do pianista prodígio Arthur Coqui.







Imperdível: PALCO LIVRE com Roda de Samba em Rosal, 04 de setembro

 


terça-feira, 26 de agosto de 2025

Pirapetinga: onde a memória floresce com amor e esperança

 

Adalto Boechat Júnior no Museu da Imagem 


Nasci e cresci em minha amada Pirapetinga de Bom Jesus, ouvindo histórias contadas por meus pais e pelos mais idosos. Histórias que me encantavam e me faziam sonhar. Cresci também admirando os prédios centenários das fazendas imperiais, eles, silenciosamente, também contavam histórias. O Museu da Imagem era um templo: guarda memórias sagradas, era altar de fé.

Mas o que aconteceu?

De repente, nossos espaços sociais se transformaram em botequins. O museu não dispõe de espaço para palestras, nossas praças não abrigam encontros culturais, e até a vila das vinte e cinco casas do governo conta hoje com mais de seis pontos de venda de álcool. Tudo virou bar.

E eu me pergunto: o que seria da comunidade se esses lugares fossem templos de cultura, partilha de sonhos e esperança?

No dia 24 de agosto, reunimo-nos numa manhã cultural e fraterna: eu, Dra. Lina Serodio, Carlos Eduardo Oliveira, Alexsandra Santana, Ronaldo, Adriana, Fernando, Dona Dulcinea, Jefferson e Dolores. Passeamos pela pracinha, visitamos o museu, e almoçamos na fazenda da Dra. Lina. O encontro se encerrou com um bate-papo com duas mestras queridas, Adires Boechat e Isa Boechat, professoras e diretoras que marcaram nossas escolas.

Relembramos os desfiles escolares, que reuniam trezentos alunos e ex-alunos. Os mais impactantes traziam como tema: passado, presente e futuro.

Falamos dos tropeiros que carregavam a economia da comunidade: Chichico, na Fazenda das Areias; Nego Gregório, no Bonito; Limpinho, na Mirindiba. Outros, das fazendas do Pavão e de Frederico Lengruber, ficaram na memória sem nome.

E veio a história do primeiro caminhão da Vargem Alegre, não documentada, mas maravilhosa. Caminhões sem portas, vendidos em partes, como quem oferece acessórios. Jacinto Seródio, pensando na segurança das crianças, comprou as portas. Um dia, o motorista perdeu o controle no Morro da Palha Branca. Em pânico, abriu a porta e pulou, gritando: “Tira o conforto! Abre o conforto!”, confundindo a porta com o “conforto” que havia sido comprado. E assim nasceu o primeiro caminhão com portas na comunidade.

Os outros caminhões eram abertos. Se chovia molhava os passageiros que se arranhavam no mato que entrava no veículo. Às vezes, crianças e idosos cochilavam e caíam do caminhão em movimento. Rimos juntos. Rimos com a leveza de quem se reconhece na memória.

Cada um do nosso grupo tem um dom: psicólogos, professora, homeopata, enfermeiro, veterinária. Queremos, de tempos em tempos, visitar as casas, orientar jovens, combater álcool e drogas, apoiar meninas em sua pré-idade. Somos apenas doze. Mas se Jesus, com doze, mudou o mundo, será que nós não podemos mudar a Vargem Alegre?

Faltaram na foto dois gigantes: Vivalde e Norberto Boechat, que aos 80 e 93 anos foram colaboradores incansáveis. Norberto sonhava com duas faixas nas entradas de Pirapetinga, por Bom Jesus e por Itaperuna, anunciando: “Visite nosso Museu, curta nossa pracinha, conheça nossas cachoeiras, leia um livro das Casinhas Bibliotecas.” Essas casinhas já são três. No início, não foram bem acolhidas. Mas hoje florescem, repletas de livros de reflexão, oração e catequese, sempre trocados por mãos anônimas.

Há sementes boas em nossa terra. Há gigantes na enfermagem da Vargem Alegre. Há histórias de coragem como a da profa. Anizia Maria Pimentel, que, percebendo que 90% dos alunos não seguiam no segundo grau, conseguiu uma kombi para levá-los a Bom Jesus e Itaperuna. Levava-os até à praia, como prêmio por acreditarem no estudo. Mulher extraordinária, exemplo de como a educação pode mudar destinos.

E eu, que me formei em enfermagem, profissão à qual me dediquei de corpo e alma, ajudando a salvar vidas, sinto orgulho de ter inspirado outros a seguir essa profissão. Me sinto orgulhoso de saber que teve gente que fez enfermagem por exemplo meu. Nada me realiza mais do que perceber que o pouco que faço tem importância para pessoas simples e humildes. Saber que alguém não caiu pela vida porque encontrou apoio em um gesto nosso é motivo suficiente para eu dizer: a vida valeu a pena.

Meu coração explode de felicidade.

E este é o mundo que eu quero: um mundo onde a memória floresça, onde a cultura resista, onde a esperança se torne ação.







Casinha Biblioteca 





Preciosidade Arquitetônica Portuguesa do Rio de Janeiro foi preservada pela fama de ser mal-assombrada

 



O Castelinho do Flamengo foi encomendado em 1916 por Joaquim da Silva Cardoso, um rico comerciante português.

O edifício é um dos raros exemplos do estilo ecletismo com influência medieval e gótica no Rio.

Foi projetado em 1916 pelo arquiteto José Maria Jacinto Rebelo e é tombado pelo patrimônio histórico. Hoje, funciona como um centro cultural, recebendo exposições, eventos e atividades artísticas.

Os rumores de assombração ajudaram a salvar o prédio da demolição. Lendas de assombração foram, de certo modo, fundamentais para que o Castelinho do Flamengo sobrevivesse até hoje. 

Nas décadas de 60 e 70, época de decadência e especulação imobiliária, o bairro do Flamengo estava passando por uma forte pressão imobiliária: casarões e palacetes estavam sendo demolidos para dar lugar a prédios altos, como os que hoje cercam o castelinho. O Castelinho ficou abandonado e os donos não tinham interesse em restaurá-lo.

Por estar vazio, malconservado e com aquela arquitetura gótica imponente, o casarão começou a ganhar fama de mal-assombrado. As pessoas evitavam passar muito perto à noite. Investidores e construtoras também se afastavam, com medo da “má sorte” de mexer na casa. Essa aura de mistério afastou especuladores e, indiretamente, impediu que ele fosse derrubado como tantos outros palacetes do bairro.

Em 1983, o IPHAN tombou o prédio como patrimônio histórico, reconhecendo seu valor arquitetônico. O fato de ainda estar de pé foi resultado direto da “proteção involuntária” que as lendas de assombração ofereceram.

Ou seja: o que poderia ser uma maldição acabou se tornando uma bênção disfarçada, pois sem essa fama sombria, provavelmente o Castelinho já teria virado mais um prédio residencial.

Hoje, ironicamente, o casarão é cheio de vida cultural, mas as histórias sobrenaturais continuam a atrair curiosos e dar ainda mais charme ao lugar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Real Gabinete Português de Leitura

  




A instituição foi fundada em 1837 por um grupo de quarenta e três imigrantes portugueses, refugiados políticos, para promover a cultura entre a comunidade portuguesa na então capital do Império. Foi a primeira associação desta comunidade na cidade.

O edifício da atual sede, projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro, foi erguido entre 1880 e 1887 em estilo neomanuelino. Este estilo arquitetônico evoca o exuberante estilo gótico-renascentista vigente à época dos Descobrimentos portugueses, denominado como manuelino em Portugal por haver coincidido com o reinado de D. Manuel (r. 1495–1521).

O Imperador D. Pedro II (1831–1889) lançou a pedra fundamental do edifício em 10 de junho de 1880, e sua filha, a Princesa Isabel, junto com seu marido, o Conde d'Eu, inauguraram-no em 10 de setembro de 1887.

A fachada, inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa, foi trabalhada por Germano José Salle em pedra de lioz em Lisboa e trazida de navio para o Rio.As quatro estátuas que a adornam retratam, respectivamente, Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. Os medalhões da fachada retratam, respectivamente, os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.

O interior também segue o estilo neomanuelino nas portadas, estantes de madeira para os livros e monumentos comemorativos. O teto do Salão de Leitura tem um belo candelabro e uma claraboia em estrutura de ferro, o primeiro exemplar desse tipo de arquitetura no Brasil. O salão possui também um belíssimo monumento de prata, marfim e mármore (o Altar da Pátria), de 1,7 metros de altura, que celebra a época dos descobrimentos, realizado na Casa Reis & Filhos no Porto pelo ourives António Maria Ribeiro, e adquirido em 1923 pelo Real Gabinete.

Aberta ao público desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Entre os cerca de 350 000 volumes, nacionais e estrangeiros, encontram-se obras raras como um exemplar da edição "princeps" de Os Lusíadas de Camões (1572), as Ordenações de D. Manuel (1521), os Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeram (1539), a Verdadeira informaçam das terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo ho padre Francisco Alvarez (1540), um manuscrito da comédia "Tu, só tu, puro amor" de Machado de Assis, e muitas outras. Anualmente, recebe cerca de seis mil títulos de Portugal. Há também uma importante coleção de pinturas de José Malhoa, Carlos Reis, Oswaldo Teixeira, Eduardo Malta e Henrique Medina. Diariamente, recebe, em média, cento e cinquenta visitantes. Entre os seus visitantes ilustres, do passado, encontram-se os nomes de Machado de Assis, Olavo Bilac e João do Rio.