segunda-feira, 27 de abril de 2026

O Horizonte de Pirapetinga de Bom Jesus, por Adalto Boechat Jr

 


​Onde o horizonte se dobra em curvas, a tarde em Pirapetinga de Bom Jesus ganha um peso diferente. Não é o peso do cansaço, mas o da reverência. Ali, quando o sol se esconde atrás das serras, o mundo parece pedir licença para silenciar.

​A imagem é o retrato desse fôlego suspenso. No alto, uma lua discreta, quase um pingo de luz, observa o vale. Mas a alma da cena está nos pés, onde o mato se veste de gala para o crepúsculo. Essas pequenas flores brancas, que em bando parecem espuma de mar em terra firme, são a moldura perfeita para a quietude de Pirapetinga. São as senhoras do tempo-parado, balançando ao sabor de um vento que traz o cheiro do mato e a umidade que começa a subir do riacho.

​O Contraste do Lugar

O Céu: Um degradê absoluto que vai da claridade do dia que se foi ao azul profundo da noite que chega.

A Terra: O relevo acidentado de Bom Jesus, onde cada morro parece guardar uma história de família ou um causo antigo.

As Flores: Um exército de delicadeza, protegendo a encosta com sua textura de algodão selvagem.

​Estar ali, no meio do chão florido e a lua de Pirapetinga, é entender que a beleza não precisa de artifícios. Ela se revela na simplicidade de uma planta de beira de estrada que, sob a luz certa, torna-se uma constelação. É o interior falando baixo, lembrando-nos que, enquanto a lua vigia Pirapetinga, a vida segue seu ritmo de prece, florescendo em silêncio antes que a primeira estrela decida aparecer.

​Nesse recanto de Bom Jesus, o lírico não é um texto; é o próprio ar que se respira.
















PARA VOCÊ REFLETIR E SE INSPIRAR, por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*PARA VOCÊ REFLETIR E SE INSPIRAR.*


*Sou o que sou, agradeço a Deus.* 


*Sou Feliz... Vivo... Amo Viver!*


*Não existe caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho que você decide:*


*Por Princípios, Amor. Determinação!*


*LUTAR SEMPRE...*

*VENCER TALVEZ...*

*DESISTIR, NUNCA!*


*A maior conquista da vida é trilhar metas, atingir objetivos e recomeçar quando for necessário!*


*CONFESSO QUE...*


👇🏻👇🏻


*"Não tive tudo que sonhei, mas continuo amando tudo que consegui conquistar sem causar danos ou prejuízos para a vida de ninguém."*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Jovens pianistas homenageiam Padre Mello

 

A eternidade musical de Padre Mello: anjos e acordes

A nova geração de jovens pianistas prestou uma homenagem sensível e luminosa ao gênio açoriano Padre Mello, na Escola de MusicArt, entidade idealizada pelo casal Thadeu Almeida e Juliana Pimentel, que, desde 2017, vem consolidando seu trabalho no ensino de música com qualidade no município de Bom Jesus do Itabapoana, atendendo também alunos de cidades do Norte Fluminense e do Sul Capixaba.

O recital integrou o evento Diálogos Musicais, dentro da programação dedicada ao Mês de Padre Mello, uma celebração que vai além da memória, tocando o presente com delicadeza e significado.

Ao observar as jovens intérpretes ao piano, com técnica apurada e emoção sincera, era impossível não evocar a imagem já cristalizada no imaginário local: a icônica fotografia de Padre Mello diante do antigo altar da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. Ali, meninas vestidas de anjos compunham um cenário de rara elevação espiritual, como se a música já anunciasse, naquele tempo, o que hoje floresce.

No gesto firme e sensível de Thadeu Almeida, percebem-se traços vivos da mestra Anízia Maria Pimentel, cuja herança pedagógica ecoa, por sua vez, na lembrança sempre presente da inesquecível Dona Nina. Foi ela quem, como organista da Igreja Matriz, acompanhou musicalmente o período em que Padre Mello atuou como pároco no município, um elo histórico que atravessa gerações e ressoa agora nas teclas dessas jovens artistas.

Mais do que discursos ou solenidades, a maior homenagem a Padre Mello revela-se na continuidade de sua influência. Seu legado não apenas permaneceu: germinou, cresceu e hoje se manifesta em novas mãos, novos talentos, novos sonhos.

O mundo, de fato, tornou-se melhor após sua passagem, especialmente em Bom Jesus do Itabapoana, onde sua memória segue viva, não como lembrança estática, mas como força criadora.

A Padre Mello, toda honra e toda glória!





















A icônica foto de Padre Mello no antigo altar da Igreja Matriz 





 


Tradição Açoriana que Liga Bom Jesus, Apiacá e Rio de Janeiro: o Pão do Padre

 



No dia 25 de abril de 2026, a Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), por ocasião do Mês de Padre Mello, reacendeu uma memória que atravessa gerações ao resgatar a história do Pão do Padre, mais que receita, um elo entre fé, comunidade e identidade.

A origem desse gesto remonta a 18 de junho de 1899, quando o açoriano Padre Mello chegou a Bom Jesus do Itabapoana acompanhado de sua irmã, Maria Júlia de Mello, a Dona Mariquinha, e de Dona Cândida. Juntas, transformavam farinha, água e dedicação em um pão simples, mas carregado de sentido. Às três da tarde, o aroma escapava pelas ruas, convocando vizinhos e fiéis não apenas ao consumo, mas à partilha. O pão alimentava o corpo e sustentava laços: ajudava a manter a Igreja e consolidava uma comunidade que se reconhecia nesses rituais cotidianos.

É nesse ponto que o gesto ganha ainda mais densidade histórica: o Pão do Padre constitui uma tradição culinária açoriana que teve início em Bom Jesus do Itabapoana e que agora finca raízes em Apiacá, ampliando seu território simbólico sem perder a essência de origem.

A própria chegada do padre já era, em si, uma travessia simbólica. Vindo de Sapucaia, ele seguiu de trem até Apiacá, onde hoje está a sede da CAES, pernoitou e, no dia seguinte, partiu rumo a Bom Jesus. Trilhos e estradas de terra marcaram o início de um percurso que deixaria raízes profundas na cultura local.

Mais de um século depois, esse caminho foi refeito em sentido inverso, não por necessidade, mas por memória. O resgate do Pão do Padre aconteceu como gesto de acolhimento ao Grupo Folclórico de Dança Imperial Português, vindo de Conceição do Castelo, que se apresentou no átrio da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. A celebração uniu tradição e presença viva, onde cultura e fé se encontraram sob o mesmo espaço.

Inspirado na massa sovada tradicional produzida pela Irmandade de Vila Isabel e por outras irmandades no Rio de Janeiro, o pão servido na CAES não foi apenas recriado, foi reinterpretado como símbolo. Um símbolo que articula passado e presente, reforça vínculos com entidades açorianas e transforma a recepção em gesto afetivo.

Nesse movimento de ida e volta, a história ganha corpo novamente. O pão refaz a travessia e retorna a Apiacá como se buscasse seu ponto de origem, fechando um ciclo que nunca deixou de existir. Não é apenas alimento que percorre distâncias, mas memória que se renova no ato de repartir.

No meio de trilhos antigos e caminhos de terra, permanece o legado: não como lembrança distante, mas como presença viva. Em cada pedaço partilhado, o gesto de Padre Mello se atualiza, unindo tempos, fortalecendo laços e lembrando que há histórias que não se encerram, apenas continuam sendo contadas.