Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
domingo, 30 de agosto de 2026
... DIA VERMELHO E PRETO!, por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*"Bons Dia Amigas e Amigos !"*
Desejar coisas boas é uma maneira de reconhecer a importância de alguém em nossa vida... Por isso, venho lhe desejar um feliz ...
*"...DIA VERMELHO E PRETO!"*
Agradeço aos amigos, que mesmo não sendo torcedores do mais querido, estão sempre aplaudindo e torcendo pelo FLAMENGO!
Um grande abraço e tudo de bom pra todos.
*"A FELICIDADE ESTÁ NO CORAÇÃO DA GENTE - DESISTIR JAMAIS!"*
⚽️🖤❤️⚽️
*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
Tirando Flores da Gaveta, por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*Tirando Flores da Gaveta*
Se você estiver desanimado com a atual situação, carente e descrente com o bem viver, tire energias positivas da gaveta e tome em doses maciças. O ânimo volta em um instante.
A autoconfiança em si mesmo é o primeiro segredo do sucesso.
Ao invés de tentar controlar a situação. Controle sua reação diante dela. Então a situação mudará.
Há caminhos com mil léguas de distância, mas todos começam com um primeiro passo. O passo está dado! A vida espera por você. Siga progredindo, sempre! A família e os amigos querem ver seu sucesso contínuo.
Coisas boas... coisas ruins... Aprendizagem!
Um dia é preciso parar de sonhar, tirar as flores da gaveta e de algum modo, começar... recomeçar. As flores livres do amanhã nascem das sementes de hoje. Seja flor que perfuma o jardim!
*“Não importa se teu mundo está caindo aos pedaços. Quando você começa a ter mais fé, de alguma maneira linda a vida dá um jeito de ficar melhor.”*
*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*
Amizade é para ser respeitada, por Rogério Loureiro Xavier
O dia em que o ex-campeão mundial da xadrez Karpov foi à prisão por outro ex-campeão mundial: Kasparov
Existem vitórias que revelam quem somos
Karpov levou consigo um presente extraordinariamente simples: um jogo de xadrez
O maior lance aconteceu longe do tabuleiro

Karpov dirigiu-se ao edifício central da polícia em Moscou

Durante décadas, Anatoly Karpov, e Garry Kasparov sentaram-se frente a frente separados por apenas 64 casas.
Talvez nenhum tabuleiro tenha suportado tanta tensão.
De um lado, Karpov: preciso, silencioso, paciente, capaz de apertar lentamente uma posição até que o adversário percebesse que já não havia saída. Do outro, Kasparov: tempestade, energia, cálculo, ataque, uma força que parecia querer incendiar o tabuleiro.
Foram adversários muito além do xadrez.
Seus confrontos pelo Campeonato Mundial transformaram-se em acontecimentos históricos. Entre 1984 e 1990, disputaram cinco matches e 144 partidas, construindo uma das maiores rivalidades que o esporte conheceu.
Durante anos, um estudou o outro procurando fraquezas.
Um preparou novidades para surpreender o outro. Um sonhou com a derrota do outro.
Até que chegou novembro de 2007.
E, naquele dia, não havia tabuleiro.
Kasparov já havia abandonado o xadrez profissional e mergulhado na oposição política ao governo russo. Após participar de uma manifestação em Moscou, foi detido e condenado a cinco dias de prisão.
A notícia correu pela Rússia.
E chegou a Anatoly Karpov.
Então aconteceu algo que nenhum livro de aberturas poderia prever.
Karpov decidiu visitar Kasparov na prisão.
O homem que tantas vezes atravessara salões para sentar-se diante de Kasparov como adversário atravessava agora Moscou para tentar encontrá-lo como ser humano.
E levou consigo um presente extraordinariamente simples.
Xadrez.
Karpov providenciou uma assinatura da revista 64 para que o antigo rival pudesse ler sobre o jogo que havia unido, e separado, suas vidas.
Há gestos cujo significado é muito maior do que o objeto oferecido.
Aquela revista parecia dizer:
“Podem existir grades entre você e a rua, mas ninguém pode aprisionar as 64 casas que carregamos dentro de nós.”
Karpov chegou ao centro de detenção.
Mas a porta não se abriu.
As autoridades impediram sua entrada, alegando razões burocráticas.
E então ocorreu talvez a imagem mais simbólica de toda aquela história.
Karpov ficou do lado de fora.
O antigo campeão mundial, tantas vezes apresentado como contraponto de Kasparov, permaneceu diante daquela porta fechada.
Naquele instante, alguma coisa extraordinária aconteceu.
O relógio de xadrez parou. Os reis deixaram de ser inimigos. As peças desapareceram. Não existia mais Karpov contra Kasparov. Existiam Anatoly e Garry.
Dois homens que haviam passado uma parte imensa de suas vidas procurando a melhor maneira de derrotar um ao outro descobriram que existem momentos em que o adversário deixa de ser adversário porque a vida coloca diante dos dois um tabuleiro muito maior.
Kasparov seria libertado.
E soube do gesto.
Aquilo o tocou profundamente.
Talvez porque conhecesse melhor do que ninguém o significado daquele homem ter ido até lá.
Um desconhecido poderia oferecer solidariedade.
Um amigo poderia oferecer solidariedade.
Mas quando ela vem daquele que durante tantos anos foi o seu maior rival, adquire outra dimensão.
O respeito entre grandes adversários possui uma beleza particular.
Eles conhecem nossas forças. Conhecem nossas fraquezas. Assistiram às nossas derrotas. Sofreram nossas vitórias.
E, sobretudo, sabem quanto custou chegar até ali.
Karpov e Kasparov haviam disputado campeonatos, títulos, prestígio e um lugar na História.
Mas naquela tarde de Moscou nenhum deles precisava provar quem era o melhor enxadrista.
A vida havia colocado diante de Karpov uma posição muito mais simples e, paradoxalmente, muito mais importante.
Havia apenas duas possibilidades:
ir ou não ir.
Karpov foi.
Certamente esse foi um dos movimentos mais belos de sua carreira.
Não aparece nas bases de dados. Não possui notação algébrica. Não recebeu exclamação nos livros de xadrez. Não foi jogado com torre, bispo ou cavalo. Foi realizado com algo muito mais difícil de movimentar:
o coração.
Os campeões envelhecem. Os títulos mudam de mãos. Os troféus acumulam poeira. Até as partidas imortais, um dia, passam a pertencer aos livros.
Mas determinados gestos perseveram.
E aquela porta fechada de Moscou acabou revelando uma porta muito maior que se havia aberto entre dois homens.
Depois de tantas batalhas, Karpov não conseguiu entrar na cela de Kasparov.
Mas conseguiu chegar até ele.
E essa é uma das mais belas lições que o xadrez pode oferecer à própria vida:
adversário não significa inimigo.
Podemos lutar com todas as nossas forças diante do tabuleiro e, terminada a partida, reconhecer a humanidade daquele que esteve do outro lado.
Existem vitórias que concedem títulos. Existem vitórias que entram para a História. E existem aquelas, raríssimas, que revelam quem somos.
Em novembro de 2007, Karpov não deu xeque. Não capturou nenhuma peça. Não venceu Kasparov. Fez algo maior:
foi ficar ao lado dele.
E assim, depois de 144 partidas entre dois reis do xadrez, um dos lances mais memoráveis de toda a rivalidade aconteceu justamente quando já não havia tabuleiro algum.
O Brasão oficial do Santuário
Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia atualiza seu brasão oficial e reúne, em símbolos e cores, a fé, a história e as tradições religiosas de Bom Jesus do Itabapoana
Um brasão pode ser apenas um conjunto de cores, metais e figuras. Mas existem brasões que parecem guardar dentro de si a própria biografia de um povo.
É assim que se pode contemplar a atualização do brasão oficial do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia, em Bom Jesus do Itabapoana. Mais do que uma composição heráldica, ele se apresenta como uma espécie de oração desenhada: cada cor recorda uma entrega, cada símbolo recupera uma tradição, cada elemento conduz a uma página da história religiosa bonjesuense.
O campo de goles, o vermelho, é a primeira voz desse conjunto simbólico. Na tradição heráldica eclesiástica, recorda o fogo da caridade divina, a presença do Espírito Santo, o amor generoso e o sangue do martírio. No brasão bonjesuense, porém, o vermelho parece adquirir uma força ainda mais próxima: conduz imediatamente ao Senhor Bom Jesus, à Paixão de Cristo, ao sacrifício daquele que, por amor, transforma a dor em redenção.
Ao centro ergue-se a Cruz de Ouro.
E nenhum outro símbolo poderia ocupar esse lugar.
A cruz atravessa séculos, gerações e famílias. Diante dela rezaram os antepassados; diante dela continuam rezando filhos e netos. O ouro, na linguagem heráldica, anuncia realeza, nobreza, pureza da fé e soberania divina. Assim, a cruz dourada parece dizer silenciosamente que muitas coisas passam pela história, mas determinadas raízes espirituais permanecem.
Ali também se encontram a Coroa Real e a Coroa de Espinhos, aproximando duas dimensões aparentemente opostas e profundamente cristãs: a glória e o sofrimento. O Senhor Bom Jesus é Rei, mas é o Rei coroado de espinhos; reina justamente porque transforma o sofrimento em amor.
E é nesse ponto que surge delicadamente Santa Rita de Cássia, Co-Padroeira da Paróquia.
A santa das causas impossíveis carrega em sua própria experiência mística a memória da Paixão. Segundo a tradição católica, recebeu na fronte o estigma de um espinho da coroa de Cristo. No brasão, portanto, Senhor Bom Jesus e Santa Rita encontram-se não apenas pela devoção do povo, mas pela linguagem comum da entrega, da dor e da esperança.
Há, contudo, símbolos que parecem nascer diretamente da alma bonjesuense.
A Coroa, o Cetro e a Pomba transportam para o brasão a secular Festa da Coroa e do Divino Espírito Santo, tradição que, segundo a descrição apresentada pela Paróquia, palpita na comunidade desde 1863.
Então a heráldica deixa quase de ser desenho e começa a adquirir som.
É possível ouvir novamente as bandas, os sinos, as procissões, as orações, as vozes das famílias e os passos de sucessivas gerações acompanhando a Festa do Divino.
E sobre essa memória voa a Pomba, representação do Espírito Santo, a poética “Alva Pomba” cantada no hino local. É símbolo de paz, mas também de continuidade. Porque certas tradições somente atravessam mais de um século quando deixam de pertencer a uma pessoa ou a uma geração para se tornarem patrimônio afetivo de toda uma comunidade.
Por fim, atrás do escudo ergue-se a Cruz Processional com Jóias, apresentada como distintivo próprio das armas paroquiais, indicando a dignidade, a estabilidade e a identidade eclesiástica da comunidade.
Eis aí a beleza maior desse brasão. Ele não foi concebido apenas para ser observado. Foi feito para ser lido.
Quem conhece Bom Jesus do Itabapoana poderá encontrar nele fragmentos de sua própria memória: o Senhor Bom Jesus, Santa Rita, o Divino Espírito Santo, a Coroa, a cruz, a festa, a tradição e aquela religiosidade transmitida silenciosamente entre gerações.
A descrição heráldica foi subscrita pelo pároco, Pe. Rogério Cabral Caetano, em 4 de junho de 2026, Solenidade de Corpus Christi. A atualização ganha significado ainda mais especial diante da nova condição da antiga Matriz, agora elevada à dignidade de Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia.
E assim um brasão se transforma em algo maior do que um brasão. Torna-se memória. Torna-se identidade. Torna-se uma pequena janela pela qual podemos contemplar mais de um século e meio de fé.
Algumas histórias são escritas em livros. E existem aquelas que um povo consegue escrever através de seus símbolos.
No coração de Bom Jesus do Itabapoana, no meio do vermelho da entrega, o ouro da fé, a coroa, o espinho, a cruz e a Alva Pomba, permanece gravada uma certeza:
o tempo passa, as gerações se sucedem, mas a fé de um povo encontra sempre uma maneira de perdurar.
Aos 104 anos, Manuel ainda encontra o infinito nas 64 casas
O xadrez é minha maneira de continuar em movimento
Envelhecer sem permitir que envelheça a vontade de fazer o próximo movimento
A idade pode avançar; a paixão não precisa se aposentar
Sempre que existir uma casa para onde mover uma peça, haverá também uma razão para acreditar que a partida da vida ainda não terminou
Manuel Álvarez é daquelas pessoas que envelhecem contando movimentos.
Aos 104 anos, quando seria compreensível que observasse a vida apenas pela janela das lembranças, ele ainda se senta diante de um tabuleiro de xadrez. E ali, entre 32 peças e 64 casas, parece dizer ao tempo que ainda existe uma partida em andamento.
Sua história com o xadrez começou quando a própria História mostrava uma de suas faces mais cruéis. Nascido em Madri, Manuel tinha cerca de 16 anos quando o irmão mais velho lhe ensinou os primeiros movimentos, em plena Guerra Civil Espanhola. Enquanto bombas caíam sobre a cidade, um jovem aprendia que havia outro tipo de batalha possível: aquela em que reis tombam sem sangue, exércitos desaparecem sem mortos e, terminada a luta, os adversários podem apertar as mãos.
Aí está uma das mais belas metáforas do xadrez.
Manuel atravessou guerras, mudanças políticas, revoluções tecnológicas, alegrias familiares, despedidas e transformações que alteraram profundamente o mundo. Conheceu pessoalmente Alexander Alekhine, um dos gigantes da história do jogo, e décadas mais tarde ainda enfrentaria fortes enxadristas soviéticos.
Mas a grande vitória de Manuel não está registrada em nenhuma súmula.
Está no sábado.
Todos os sábados, às 10 horas da manhã, ele segue para o Clube de Xadrez Valdebernardo, em Madri.
Esse detalhe aparentemente simples é, talvez, o mais comovente de sua história.
Porque chegar aos 104 anos é uma façanha da natureza. Continuar tendo um lugar para onde se deseja ir aos sábados é uma façanha da alma.
Manuel vai encontrar amigos. Vai pensar. Vai calcular variantes. Vai cometer erros, descobrir possibilidades, mover cavalos, avançar peões e talvez sorrir diante de alguma combinação inesperada.
Vai, sobretudo, continuar pertencendo ao mundo.
Seu rating, em torno de 1.720 pontos, torna-se quase um pormenor diante de outro número infinitamente mais poderoso: 104.
E quando lhe perguntam sobre o peso dos anos, ele não desafia a realidade. Reconhece que o tempo cobra seu preço. Mas acrescenta uma frase que deveria estar afixada nas paredes dos clubes de xadrez:
o xadrez é sua maneira de continuar em movimento.
Que extraordinária definição!
Existem movimentos que não se fazem com as pernas.
Movemo-nos quando aprendemos alguma coisa nova. Quando encontramos um amigo. Quando procuramos uma solução. Quando ensinamos aquilo que sabemos. Quando ainda somos capazes de nos surpreender.
E Manuel continua se movimentando.
Casou-se, teve três filhos, vieram os netos e depois os bisnetos. Agora, aquele adolescente que aprendeu xadrez enquanto Madri ouvia o estrondo das bombas transmite os segredos do tabuleiro às crianças de sua própria família.
Há algo profundamente poético nisso.
As mãos que atravessaram mais de um século agora mostram às pequenas mãos dos bisnetos como se movimenta um cavalo.
E assim o tempo fecha um círculo.
Daqui a muitos anos talvez algum desses bisnetos se sente diante de um tabuleiro e, ao tocar uma peça, recorde daquele homem de 104 anos que lhe ensinou que o xadrez não serve apenas para ganhar partidas.
Serve para fazer amigos. Para exercitar a paciência. Para manter acesa a curiosidade. Para aproximar gerações. Para permanecer vivo dentro da própria vida.
No xadrez, costuma-se dizer que o peão sonha chegar à última fileira para se transformar.
Manuel parece ter realizado o caminho inverso: depois de atravessar quase todo o tabuleiro da existência, conserva alguma coisa daquele menino de 16 anos que um dia aprendeu a jogar com o irmão.
Esse é o segredo.
Envelhecer sem permitir que envelheça a vontade de fazer o próximo movimento.
No próximo sábado, às 10 horas, haverá novamente um tabuleiro esperando por Manuel Álvarez.
As peças estarão imóveis.
O relógio estará marcando o tempo.
E um homem de 104 anos se sentará diante delas para ensinar, mais uma vez, uma silenciosa lição:
a idade pode avançar; a paixão não precisa se aposentar.
Sempre que existir uma casa para onde mover uma peça, haverá também uma razão para acreditar que a partida da vida ainda não terminou.




