terça-feira, 22 de setembro de 2026

Paz, Apenas Paz!, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*Paz, Apenas Paz!*


É inevitável, quanto mais amadurecemos e evoluímos, mas sentimos necessidade de ter paz, apenas paz! Preferimos estar sozinhos do que cercados de pessoas que não acrescentam sentimentos em nossa vida. Não nos importamos em vencer discussões ou provar que estamos certos. Aprendemos a não dar satisfações ou explicar o que quer que seja,    para quem já decidiu não entender nossos motivos. Temos essa percepção porque quanto mais nos conhecemos e respeitamos nossas falhas e limitações, mais aprendemos a respeitar os motivos alheios. Passamos a fazer parte do time do deixa pra lá, e seguimos nossa caminhada, nos preocupando apenas com o que importa: ser feliz, de um jeito simples e leve, por isso tudo que pesa, vai ficando para trás. 


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Rick: quando a voz se cala, a saudade começa a cantar

 

Rick cantava, compunha e, sobretudo, acreditava que a música precisava nascer de algum lugar verdadeiro da alma


O que ele combatia não era o novo, mas o vazio; não era a transformação, mas a substituição da verdade artística por fórmulas destinadas apenas ao consumo imediato.


Rick partiu, mas ficou aquilo que havia de verdadeiro em sua arte: a voz, as composições, a coragem de defender a qualidade e o respeito pela música sertaneja



Sem Direção 


Ela é demais


A morte de Rick Sollo, aos 59 anos, não silencia apenas uma das vozes mais conhecidas da música sertaneja. Interrompe também a caminhada de um artista que jamais teve medo de dizer o que pensava sobre os rumos da arte que amava. Rick cantava, compunha e, sobretudo, acreditava que a música precisava nascer de algum lugar verdadeiro da alma.

Sua partida repentina deixa o espanto de uma canção interrompida antes do último acorde. No entanto, permanecem as melodias, as palavras e a lembrança daquele timbre que, ao lado de Renner, atravessou décadas e embalou histórias de amor, despedidas e reencontros. A voz de Rick sobrevive ao seu tempo, já encontrou morada na memória afetiva do Brasil.

Ele observava com inquietação as transformações do mercado musical. Recordava uma época em que, para alcançar o público, era necessário ter uma boa canção e saber cantá-la. Via, porém, o dinheiro e a promoção ocuparem o espaço antes reservado ao talento, à sensibilidade e ao trabalho paciente. Sua frase, “Ninguém mais precisa cantar bem”, não era somente uma crítica à nova geração, mas o desabafo de quem conhecia o preço de construir uma carreira com a própria voz.

Rick lamentava que refrões repetitivos fossem, muitas vezes, suficientes para transformar uma música em sucesso passageiro. Também sabia que a tecnologia podia corrigir imperfeições no estúdio, afinar vozes e fabricar desempenhos. Mas nenhuma máquina consegue criar emoção verdadeira. Pode ajustar a nota, jamais o sentimento. Pode aperfeiçoar o som, mas não inventar a alma.

Apesar da firmeza de suas palavras, Rick não era um inimigo das mudanças. Reconhecia que havia novos artistas realizando trabalhos de qualidade e compreendia que toda geração necessita encontrar a própria linguagem. O que ele combatia não era o novo, mas o vazio; não era a transformação, mas a substituição da verdade artística por fórmulas destinadas apenas ao consumo imediato.

Talvez sua reflexão mais profunda tenha sido também a mais simples: “Aquilo que é verdade fica, o que é mentira vai embora.” Nessa frase, Rick parecia anunciar o julgamento inexorável do tempo. As músicas fabricadas para durar uma estação desaparecem quando passa a moda. As que nascem do coração atravessam os anos, visitam outras gerações e continuam sendo cantadas mesmo quando seus intérpretes já não estão entre nós.

Agora, diante de sua ausência, suas próprias palavras assumem a força de um testamento musical. Rick partiu, mas ficou aquilo que havia de verdadeiro em sua arte: a voz, as composições, a coragem de defender a qualidade e o respeito pela música sertaneja.

O homem se foi inesperadamente; o cantor, entretanto, continuará chegando aonde houver alguém disposto a ouvir. O tempo pode interromper uma vida, mas jamais consegue apagar uma canção que nasceu verdadeira.

God, country and my baby - Johnny Burnette


 

Nathyara Teixeira: um farol conduzindo os alunos pelos caminhos da cultura

 


Na próxima quinta-feira, 24 de setembro, os alunos do turno da tarde do Colégio Estadual Padre Mello deixarão, por algumas horas, as salas de aula para ingressar em outra escola: a escola luminosa da arte. Conduzidos pela diretora Nathyara Teixeira dos Santos, seguirão para o Teatro Firjan SESI, em Itaperuna, onde assistirão ao espetáculo “Griot, o Conto e a Mágica”, uma celebração da cultura negra por meio de histórias, encantamento e ilusionismo.

Para alguns daqueles jovens será a primeira vez que estarão diante de um palco profissional, quando as luzes se apagam, o silêncio toma conta da plateia e uma realidade inteiramente nova começa a nascer sob os refletores. E há experiências que, embora durem apenas uma tarde, permanecem acesas dentro de nós por toda a vida. Um gesto, uma narrativa ou um instante de magia pode despertar vocações, ampliar horizontes e revelar mundos que até então existiam apenas do outro lado da imaginação.

Nathyara Teixeira não estará proporcionando aos seus alunos somente um passeio. Estará oferecendo um encontro com a beleza, com a ancestralidade, com a criatividade e com a alegria de aprender fora dos limites convencionais da escola. Na confraternização da viagem, nos sorrisos compartilhados e no assombro diante do espetáculo, cada estudante crescerá um pouco mais em cultura, sensibilidade e humanidade.

Educar é também abrir portas pelas quais os jovens possam enxergar a imensidão do mundo. É mostrar-lhes que os livros, os palcos, a música, a memória e a arte também são caminhos de conhecimento. Quando uma escola encontra uma diretora verdadeiramente comprometida com o desenvolvimento humano de seus alunos, é como se um potente farol fosse aceso em meio à noite.

Nathyara é esse farol. E, na próxima quinta-feira, sua luz seguirá pela estrada até Itaperuna, conduzindo os estudantes do Colégio Estadual Padre Mello rumo à magia do teatro e, sobretudo, rumo a um futuro mais amplo, sensível e iluminado.

Footsteps


 

Paul & Paula

 


A glória e a desolação em um único lance de xadrez

 

A imagem eterniza o instante exato em que o enxadrista, vencido pela própria dor, permanece sentado diante de um silêncio devastador, profundamente só em meio a um salão repleto de pessoas


Na fotografia de Michal Walusza, da FIDE, o silêncio parece pesar mais do que todas as peças reunidas sobre o tabuleiro. De um lado, Nodirbek Yakubboev permanece sentado, ainda diante do campo onde travou a batalha decisiva. Do outro, Nihal Sarin inclina a cabeça e esconde o rosto entre os braços, como se procurasse abrigo contra a dor de um instante que jamais poderá ser recolhido.

O xadrez pode ser cruel justamente porque não conhece o esquecimento. Cada lance fica gravado na memória; cada oportunidade perdida retorna, insistente, perguntando o que teria acontecido se outra peça tivesse sido movida, se alguns segundos tivessem sido usados de maneira diferente, se a mão houvesse encontrado o caminho que a razão não conseguiu enxergar.

Nihal tinha vantagem na posição. Tinha também vantagem no relógio. Parecia conduzir a partida para um desfecho favorável, enquanto milhões de olhos acompanhavam o duelo decisivo entre Índia e Uzbequistão. Mas, no xadrez, nenhuma vantagem é uma promessa. Basta um lance impreciso para que o chão se abra sob as 64 casas e a vitória, até então tão próxima, se transforme em miragem.

Quando a partida terminou, não foi apenas um rei que caiu. Sobre os ombros do jovem indiano desabaram a expectativa de sua equipe, o peso de uma nação apaixonada pelo xadrez e a amarga consciência de que a história estivera por alguns instantes em suas mãos. A imagem registra esse momento exato em que o enxadrista permanece sentado diante do próprio silêncio, sozinho em meio a um salão repleto de pessoas.

Do outro lado estava Yakubboev, que soube resistir, esperar e acreditar. Sua vitória garantiu o triunfo do Uzbequistão sobre a poderosa Índia e levou a seleção da casa à liderança isolada da Olimpíada de Xadrez realizada em Samarcanda. Para o público uzbeque, foi uma explosão de alegria; para Nihal, o mundo pareceu reduzir-se à pequena escuridão formada por seus braços sobre a mesa.

A fotografia mostra as duas faces eternas do esporte: a glória e a desolação separadas por um único lance. Enquanto uma nação celebrava, um jovem enxadrista tentava compreender como a vitória lhe escapara entre os dedos.

Mas o xadrez, embora implacável, também ensina a recomeçar. Amanhã, Nihal voltará a levantar a cabeça, reorganizará as peças dentro de si e retornará ao tabuleiro. Os grandes jogadores não são apenas aqueles que vencem partidas decisivas. São também aqueles que, depois de atravessarem a noite mais silenciosa de uma derrota, encontram forças para mover novamente a primeira peça.