No coração do Bonjesusense, onde o tempo parece repousar no meio de memórias e afetos, a poesia volta a florescer como expressão viva da identidade local.
No próximo dia 3 de maio de 2026, às 14 horas, o Espaço Cultural Luciano Bastos se tornará palco de um encontro entre passado e presente, celebrando o Dia da Poesia Bonjesuense, uma organização da ABIJAL, Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras, e o jornal O Norte Fluminense.
A data não é apenas simbólica, marca o nascimento de Elcio Xavier, reverenciado como o “Príncipe dos Poetas”, cuja sensibilidade transformou palavras em legado e emoção em permanência. Sua presença, eternizada na memória coletiva, paira como inspiração sobre cada verso que ainda hoje ecoa entre gerações.
A programação promete mais que uma homenagem: será um convite à contemplação, à escuta e ao reencontro com aquilo que a poesia tem de mais essencial, a capacidade de traduzir a alma humana. No meio de leituras, lembranças e sentimentos partilhados, o evento reafirma que a poesia não pertence apenas aos livros, mas palpita viva nas ruas, nas vozes e na história de um povo.
Assim, o Bonjesusense celebra não apenas um poeta, mas a própria essência de sua expressão cultural, onde cada palavra escrita carrega o poder silencioso de se tornar eternidade.
POBRE JARDIM DA ALDEIA
Elcio Xavier
Pobre jardim da aldeia
onde deixei meus oito anos
junto ao chafariz de trevos:
leva-me ao teu grande mar
neste solitário fenecer!
Quero rever o castelo marinho,
a tempestade, o primeiro encontro,
as rosas-fadas que me amaram
e as queixas dominicais
de tuas sombras frescas.
Falta-me o azul de tuas tardes
e sinto que não verei o luar.
Não encontro meu sangue
nas lutas que partem da noite,
Não tenho memória dos tempos
nem vejo meu rosto na lagoa.
O mundo sucumbirá num suspiro
se minha infância não regressar.


Será um momento histórico
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