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| Maria Aparecida Vargas e Eduardo de Araújo Rodrigues |
ROSAL - Em meio aos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas e à necessidade urgente de conservar os mananciais, o Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (CEIVAP) e a Agência de Bacia do Rio Paraíba do Sul (AGEVAP) apresentaram o projeto "Rosal Sustentável" durante a programação comemorativa dos 104 anos da Lira 14 de Julho, no distrito de Rosal.
A palestra principal foi ministrada por Maria Aparecida Vargas, diretora do CEIVAP - Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul - e membro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Também participou Eduardo de Araújo Rodrigues, coordenador do Grupo de Trabalho de Educação Ambiental do CEIVAP e gerente regional de Outorgas do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), que apresentou as ações e os grupos de trabalho desenvolvidos pelo Comitê.
A iniciativa tem como eixo central o fortalecimento da resiliência hídrica, promovendo a integração entre a gestão dos recursos hídricos e a geração de energia na Bacia do Rio Itabapoana, localizada na divisa entre os estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Uma bacia estratégica sob pressão climática
A Bacia do Rio Itabapoana desempenha papel essencial no abastecimento público, na agricultura, na conservação ambiental e no desenvolvimento regional de diversos municípios. Entretanto, enfrenta desafios cada vez mais complexos, como a preservação das nascentes, a garantia da segurança hídrica e a crescente vulnerabilidade aos eventos climáticos extremos.
Nesse contexto, a Usina Hidrelétrica (UHE) Rosal assume importância que vai além da produção de energia. Operada pela CEMIG desde 1999, a usina possui potência instalada de 55 MW e um reservatório com capacidade de 14,5 hm³, abrangendo uma área de 277 hectares. No mesmo curso d'água também operam a PCH Calheiros (19 MW), a PCH Pirapetinga (20 MW) e a AHE Franca Amaral (4,5 MW).
O projeto "Rosal Sustentável" defende que a operação da UHE Rosal esteja em sintonia com os múltiplos usos da água. Conforme destaca o documento-base da iniciativa, "cuidar da água é cuidar do território", reforçando que uma gestão integrada do reservatório é fundamental para reduzir riscos e assegurar a sustentabilidade ambiental e operacional de toda a região.
Investimentos que retornam para a bacia
O modelo de gestão adotado pelo CEIVAP prevê que os recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água sejam reinvestidos diretamente na própria bacia hidrográfica, financiando programas estruturantes como:
PROTRATAR – voltado ao saneamento e à melhoria da qualidade da água;
Programa Mananciais – destinado à recuperação e proteção de nascentes;
Monitoramento Hidrológico – para acompanhamento contínuo dos recursos hídricos e apoio à tomada de decisões;
Plano e Programa de Educação Ambiental (PPEA-CEIVAP) – responsável por ações de conscientização e mobilização social.
Na área de educação ambiental, o PPEA reúne atualmente sete projetos e 29 ações, entre elas a elaboração de um Atlas Hidrográfico Educativo, o Podcast CEIVAP, cursos de educação a distância (EAD) e o projeto Guardiões da Paraíba do Sul.
Compensação financeira e adaptação climática
Outro tema de destaque foi a utilização da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH). Em 2025, os repasses totalizaram R$ 273.757,98.
A proposta é direcionar esses recursos para ações que ampliem a resiliência ambiental dos municípios da bacia, priorizando:
restauração florestal e reflorestamento de encostas;
proteção de nascentes e matas ciliares;
implantação de sistemas de drenagem urbana sustentável;
monitoramento permanente da qualidade e da disponibilidade da água;
medidas locais de adaptação às mudanças climáticas.
Construindo um futuro compartilhado
O projeto "Rosal Sustentável" propõe a construção de uma agenda permanente de cooperação entre prefeituras, sociedade civil, comitês de bacias hidrográficas e a administração da UHE Rosal.
A iniciativa parte da compreensão de que água, energia e natureza formam um único sistema interdependente. Ao fortalecer as parcerias institucionais e ampliar as ações de conservação ambiental, o projeto busca preparar a Bacia do Rio Itabapoana para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, assegurando a segurança hídrica, a proteção dos ecossistemas e um desenvolvimento regional sustentável para as futuras gerações.
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| André Almeida, da Lira 14 de Julho, entregou troféu aos palestrantes |
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