sábado, 4 de julho de 2026

Um Pedaço dos Açores no Coração de Bom Jesus do Itabapoana

 

O Sangue Açoriano que Moldou o Itabapoana


Calheiros é uma das terras que guardam o passado não como poeira sobre livros velhos, mas como seiva que corre viva no tronco das árvores. Ali, o tempo parece conversar de perto com o presente. No Sítio Benedito Santos, o silêncio acolhedor da paisagem fluminense ganhou um novo e vibrante capítulo.

​André Luiz de Oliveira, presidente da Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, traz no sorriso simples e nos pés a autenticidade de quem cuida das próprias raízes. Ao fixar a placa próxima ao Memorial sob o céu aberto, ele não fincou apenas madeira na terra; fincou um convite à memória. A placa é um chamado para se conhecer a Praça Três Irmãos, uma justa homenagem a três gigantes daquela região: os governadores Roberto e Badger Silveira, e o deputado federal Zequinha Silveira, todos açordescendentes.

​Naquela madeira exposta ao sol, um detalhe discreto carrega um oceano de histórias: a bandeira dos Açores. Ela flutua ali, em cores e símbolos, para lembrar a todos que a força dessa família cruzou o Atlântico; o sangue açoriano moldou o caráter e o destino daqueles homens públicos.

​Testemunhando o sussurro do vento e a força dos planos que virão, André fez visita à Dona Georgina Santos, a eterna presidente de honra da entidade. Juntos, como guardiões de um tesouro imaterial, desenharam as linhas da grande festividade que está por vir: os dez anos de fundação do Memorial, marcados para o dia sete de agosto.

​Espera-se povo, espera-se festa, espera-se o reencontro da comunidade com sua própria identidade. E para coroar esse jubileu de lembranças, o Centro de Memórias Trabalhistas trará à luz uma publicação histórica, resgatando os laços indissolúveis entre Roberto Silveira e o chão de Bom Jesus do Itabapoana.

​A história, afinal, não é feita apenas de grandes decretos. Ela se faz assim, no calor de uma tarde em Calheiros, no orgulho estampado no rosto de quem sabe de onde veio, e na promessa de que o amanhã jamais esquecerá o ontem.





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