O som que Bom Jesus esperava: o retorno triunfal da banda da Usina Santa Maria
Havia um silêncio antigo guardado nas dobras do tempo, um silêncio que pesava sobre as cinzas frias e a poeira acumulada nos velhos instrumentos de sopro e percussão.
Na Usina Santa Maria, as melodias pareciam ter adormecido sob o mesmo manto que por anos cobriu o icônico Teatro Cinema Conchita de Moraes.
Mas a arte é fogo que teima em não apagar sob as cinzas. Sob a liderança obstinada de Betinho Milão, o Conchita de Moraes abriu novamente suas portas, reluzente, devolvendo à comunidade o seu templo de sonhos. E, como se uma faísca divina saltasse do palco recém-inaugurado diretamente para a alma da comunidade, a histórica Sociedade Musical da Usina Santa Maria renasceu, encontrando abrigo eterno em sua sede no próprio teatro.
Eis que, sob o céu de agosto de 2026, no encerramento da IV FLICBonjê - magistralmente organizada por Alessandra Abreu, unindo corações e letras - , a praça Governador Portela testemunhará o milagre do restabelecimento.
O cenário não poderia ser mais poético: o burburinho dos livros, o aroma da gastronomia local, o colorido do artesanato e o reencontro das gentes de Bom Jesus do Itabapoana. Mas haverá uma expectativa suspensa no ar, um calafrio de saudade que correrá a espinha dos presentes à espera do primeiro acorde da lendária banda.
Sob a presidência zelosa de Maria de Lourdes Sá, guardiã deste patrimônio de afetos, os músicos se perfilarão como soldados da harmonia. À frente deles, o Maestro Alessandro Azevedo erguerá a batuta. Naquele milésimo de segundo que anteceder o som, a praça inteira prenderá a respiração. E então, o metal brilhará ao sol de fim de tarde e a música fluirá.
Não será apenas som; será história em estado puro, líquida e vibrante, correndo pelas artérias da praça. Cada nota soprada parecerá saudar os operários de outrora, os poetas de hoje e as crianças que corriam ao redor do coreto imaginário, descobrindo ali o poder da tradição. O som da Sociedade Musical preencherá o espaço, curando as feridas da ausência, celebrando o apoio inestimável de Betinho Milão e a resiliência de um povo que não aceita o silêncio como destino.
Ao final, quando o último acorde ecoar em direção ao leito do rio Itabapoana e o Maestro abaixar os braços, a praça explodirá. Não em meros aplausos, mas em lágrimas de júbilo e sorrisos largos. A música haverá voltado para casa. A Sociedade Musical da Usina Santa Maria estará viva, eterna e soberana, sob as bênçãos da cultura que, no meio de livros, vozes e encontros, fará a nossa história, mais uma vez, florir.

A arte uma vez uma criada, mesmo que adormeça jamais morre, fica lá esperando o momento do ressurgir, pois sempre a quem tome a iniciativa e faça acontecer, parabéns a todos os envolvidos no evento da FLICBonjê.
ResponderExcluirSaudações Bom-Jesuenses.