sexta-feira, 17 de julho de 2026

No Tempo da Florada das Macieiras

 


Há promessas que não se medem pelo relógio. Não pertencem ao calendário dos homens, mas ao ritmo silencioso da natureza. Há quem diga "até amanhã", "até breve", "até logo". Outros, porém, preferem confiar o reencontro à fidelidade das estações. E então nasce uma das mais belas promessas já cantadas: "I will be with you in apple blossom time." - Estarei com você no tempo da florada das macieiras.

Não é apenas uma frase. É um modo delicado de vencer a distância. É como se o amor dissesse que sabe esperar, porque conhece a linguagem das árvores, a paciência das raízes e a certeza de que, depois do inverno, nenhuma primavera deixa de chegar.

As macieiras florescem por poucos dias. Cobrem-se de pétalas brancas e rosadas que parecem pequenos fragmentos de nuvens repousando sobre os galhos. Quem contempla esse espetáculo compreende que a beleza mais profunda é sempre passageira e, justamente por isso, infinitamente preciosa.

Essa é a razão de a antiga canção americana ter atravessado tantas gerações. Ela não canta apenas um encontro entre duas pessoas. Canta a esperança. Canta a certeza de que o tempo pode afastar corpos, mas não consegue apagar as promessas feitas pelo coração.

Todos nós possuímos uma "florada das macieiras" guardada na memória. É o instante em que acreditamos novamente na vida depois da dor; o abraço que sucede a longa ausência; a carta que chega quando já parecia tarde; a mão estendida quando o mundo parecia vazio. Cada reencontro possui sua própria primavera.

A natureza ensina, em seu silêncio, aquilo que tantas vezes esquecemos: nenhuma árvore floresce durante o inverno, mas nenhuma permanece eternamente despida. Há um tempo para esperar, um tempo para florescer e um tempo para reencontrar aqueles que habitam a eternidade do nosso afeto.

Por isso, quando ouvimos a antiga promessa - "I will be with you in apple blossom time" -  não estamos apenas escutando uma canção. Estamos ouvindo a voz da própria esperança, sussurrando que o amor verdadeiro sempre encontra o caminho de volta, no exato momento em que a primavera decide vestir o mundo de flores.

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