Haverá um dia em que as notas musicais, cansadas de flutuar entre as cordas de um violino e as teclas de um piano, decidirão repousar sobre as casas pretas e brancas de um tabuleiro. Esse dia tem data marcada em Bom Jesus do Itabapoana. Sob o selo do "Sarau da Emoção", a Escola de Música JEMAJ propõe algo que, à primeira vista, soa como um acorde dissonante, mas que revela uma harmonia profunda: um torneio de xadrez.
É curioso e poético. Geralmente, de uma escola de música, espera-se o barulho sagrado, o ensaio, a melodia que preenche o vazio. No entanto, o xadrez é a música do silêncio. Cada movimento de um peão é um semitom; cada xeque é um crescendo que acelera o peito. Ao organizar esse torneio, a JEMAJ nos lembra que a matemática da música e a lógica do tabuleiro bebem da mesma fonte: a busca pela beleza através da estrutura.
Na Praça Governador Portela, o tempo não será marcado por metrônomos, mas pelo tique-taque frenético do relógio de Blitz. Cinco minutos. É o tempo de uma canção curta, mas intensa. Os jogadores, como maestros de um exército de madeira, precisarão de dedos ágeis e mentes afinadas. Não haverá partituras, mas sim aberturas e finais, coreografados pela urgência do tempo.
O ineditismo reside nesse abraço cultural. Ver o apoio da Lei Aldir Blanc e de órgãos públicos unindo o fomento às artes com o esporte da mente é um alento. Mostra que a cultura não é uma gaveta estanque, mas um rio que transborda.
Quem diria que, entre uma canção e outra, a melhor jogada seria um sacrifício de Rainha? No dia 16 de maio, a música não será apenas ouvida, será jogada. E, ao final, o maior prêmio não será a medalha ou o kit de madeira, mas a percepção de que, seja no palco ou no tabuleiro, a vida é a arte de saber o momento exato de agir, respirar e, finalmente, encantar.

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