sexta-feira, 12 de junho de 2026

A faca na bananeira no dia dos namorados

 


Quando eu era criança, na década de 1970, o Dia dos Namorados era cercado de simpatias e crendices populares. Essas tradições fazem parte do folclore e da cultura de Varre-Sai.

As amigas de minhas irmãs realizavam várias simpatias na madrugada de 11 para 12 de junho. Minhas irmãs, pelo que me lembro, não participavam delas; apenas comentavam sobre toda a movimentação das amigas por ocasião da data.

Como era véspera de Santo Antônio, venerado pelo povo como o santo casamenteiro, o pobre santo passava um aperto danado. Na imaginação das moças, ele precisava dar um jeito para que todas encontrassem alguém para amar e ser amadas.

Uma das simpatias consistia em ir, durante a madrugada, até uma moita de bananeira e fincar uma faca no tronco da planta. O interessante é que se dizia que, na manhã seguinte, apareceria na lâmina da faca o nome do futuro marido da jovem.

Havia também quem escrevesse em pequenos papéis os nomes dos rapazes pretendidos e os colocasse na soleira da janela, como se fosse um sorteio de amigo oculto. Ao amanhecer, o papel que estivesse aberto revelaria o grande amor de sua vida.

Outra astúcia era pegar emprestada, sem que o dono soubesse, uma imagem de Santo Antônio. Se a imagem era devolvida depois ou se o casamento realmente acontecia, eu não sei. Mas, pelo que ouvi contar, parece que elas acabaram se casando.

Mais ousada ainda era a moça que colocava a imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo e só a desvirava quando conseguisse um namorado. E havia muitas outras simpatias que já não recordo.

Eu era apenas uma criança, mas guardo com carinho as lembranças de minhas irmãs contando essas histórias, que misturavam fé, esperança, humor e o sonho de encontrar um grande amor.

Que Santo Antônio abençoe nossas moças e nossos rapazes, para que encontrem alguém para amar e por quem sejam amados. E que, juntos, possam construir belas famílias, educar seus filhos nos bons valores e ajudar a povoar o céu.

Essa versão mantém o sabor das lembranças de infância e valoriza o aspecto cultural das simpatias, sem perder a leveza e a devoção a Santo Antônio. 

(Isabel Menezes - Professora e historiadora, fragmentos do livro: Memórias de uma menina Católica da década de 70.)

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