No pasto do sô Maneco,
onde o gado permanecia,
a grande garapa guardava
nossas brincadeiras de cada dia.
Os primos vinham de Bom Jesus,
a gata criava seus filhotes,
e nós corríamos pelos campos
até sua sombra acolhedora.
Quando abriram estradas no sítio
para o café plantar naquele chão,
sô Maneco pediu aos filhos:
— Poupem a garapa, ela merece proteção.
E assim ficou, firme e altaneira,
vencendo o passar dos anos.
Hoje reencontrei a velha amiga,
centenária, bela e serena,
sombreando o Sítio Bela
entre lavandas e cafezais.
Quem descansa sob seus galhos
sente que o tempo passa,
mas as boas lembranças jamais.
Isabel Menezes - Professora e historiadora



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