terça-feira, 16 de junho de 2026

A Garapa Centenária

 


No pasto do sô Maneco,

onde o gado permanecia,

a grande garapa guardava

nossas brincadeiras de cada dia.


Os primos vinham de Bom Jesus,

a gata criava seus filhotes,

e nós corríamos pelos campos

até sua sombra acolhedora.


Quando abriram estradas no sítio

para o café plantar naquele  chão,

sô Maneco pediu aos filhos:

— Poupem a garapa, ela merece proteção.


E assim ficou, firme e altaneira,

vencendo o passar dos anos.

Hoje reencontrei a velha amiga,

centenária, bela e serena,

sombreando o Sítio Bela

entre lavandas e cafezais.


Quem descansa sob seus galhos

sente que o tempo passa,

mas as boas lembranças jamais. 


Isabel Menezes - Professora e historiadora





Nenhum comentário:

Postar um comentário