O jovem sempre foi aventureiro, talvez pelo excesso de energia, talvez pela falta de prudência. Ao longo da história, esse espírito aventureiro foi canalizado para diferentes finalidades. Na Antiguidade, os jovens participavam de caçadas e de competições como as Olimpíadas gregas, que buscavam o equilíbrio entre corpo e mente. Na Idade Média, muitos serviam nos exércitos de seus senhores, participavam das Cruzadas ou dos torneios e cavalhadas. Na Era Moderna, lançaram-se aos descobrimentos de novas terras e, mais recentemente, à conquista do espaço.
Também encontramos exemplos desse espírito de aventura no campo religioso. Jovens como Santo Antônio, o rico Fernando de Bulhões, Santo Inácio de Loyola, São José de Anchieta e Santa Teresa de Calcutá canalizaram sua coragem e disposição para as coisas santas e para a conquista das almas para Deus. No campo da ciência e da invenção, tivemos Santos Dumont, que ajudou a transformar o sonho de voar em realidade. Em nossa região cafeeira, podemos lembrar o paulista Evaristo Conrado, inventor da máquina de pilar café, além de tantos outros homens e mulheres que contribuíram com sua criatividade e trabalho.
Temos ainda os desbravadores e colonizadores italianos que ajudaram a construir nossas comunidades. Eram pessoas corajosas, mas também prudentes e profundamente marcadas pela fé.
No entanto, observa-se atualmente algo preocupante em parte da juventude: uma aparente falta desse espírito guerreiro voltado para causas maiores. Quando ele se manifesta, muitas vezes é direcionado para a busca da fama pessoal, da exibição e da satisfação do próprio ego, em vez de estar a serviço da religiosidade, da comunidade ou do bem comum.
O recente caso da jovem paulista ilustra essa reflexão. O episódio parece ter sido motivado pelo desejo de ganhar visibilidade nas redes sociais por meio da prática de algo considerado inédito ou impressionante. Particularmente, questiono até mesmo a classificação de certas atividades radicais como esportes. Tradicionalmente, o esporte envolve regras bem definidas, treinamento, competição e a busca do aperfeiçoamento físico e mental. Nesse sentido, atividades como o rope jump aproximam-se mais de uma prática de risco do que de um esporte propriamente dito.
O que mais chama a atenção no caso é que, apesar da presença de várias pessoas envolvidas, ninguém percebeu a ausência do elemento mais importante: a corda devidamente presa. Nem mesmo a jovem, talvez concentrada na repercussão que o feito teria em suas redes sociais, atentou para esse detalhe fundamental.
Esse acontecimento nos leva a uma reflexão necessária: qual é o limite da busca por curtidas, visualizações e reconhecimento nas redes sociais? Até que ponto vale a pena correr riscos para obter alguns segundos de fama? São perguntas que merecem ser feitas, especialmente aos jovens brasileiros, que precisam redescobrir formas mais nobres, úteis e duradouras de canalizar seu natural espírito de aventura.
Essa versão mantém sua linha de raciocínio, mas com um tom mais jornalístico e reflexivo, tornando a argumentação mais consistente.
(Isabel Menezes - professora e historiadora)

Nenhum comentário:
Postar um comentário