terça-feira, 3 de novembro de 2026

Carlos Augusto Souto de Alencar recebe título de Cidadão Bonjesuense

 


Carlos Augusto Souto de Alencar é uma daquelas pessoas que conquistam a cidadania ao longo da vida, ao fazerem de uma terra que não lhes serviu de berço o lugar de seus sonhos, de sua dedicação e de suas obras.

Ao conceder-lhe o Título de Cidadão Bonjesuense, a Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana registra uma dessas histórias de pertencimento. O Decreto Legislativo nº 1.155, de 23 de setembro de 2026, reconhece seus relevantes serviços ao município, especialmente nas áreas da cultura, da literatura, da educação e da formação artística e intelectual da juventude.

Ele não nasceu em Bom Jesus do Itabapoana, mas permitiu que Bom Jesus nascesse dentro dele.

Poeta, cronista, trovador, contista e haicaísta, Carlos conhece a força transformadora das palavras. Como professor, geógrafo, historiador e técnico em meteorologia, aprendeu também a interpretar os mapas da terra, os caminhos do tempo e os horizontes humanos. Sua trajetória reúne a disciplina do educador e a sensibilidade do poeta, numa combinação que transforma conhecimento em semente e cultura em esperança.

Nascido em Nova Iguaçu, em 16 de agosto de 1969, filho do bancário Carlos Emmanuel Saboia de Alencar e da compositora Iza Souto Gonçalves, Carlos cresceu entre os valores da família, os livros e a música. Graduado em Geografia e pós-graduado em História do Brasil pela Universidade Federal Fluminense, fez do magistério uma vocação e da cultura uma missão de vida.

Foi esse homem de múltiplos saberes que lançou sobre Bom Jesus do Itabapoana um olhar de confiança. Nas crianças e nos adolescentes que começavam sua caminhada, Carlos percebeu escritores, poetas, artistas e cidadãos em formação. Dessa visão generosa nasceu a Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras, a ABIJAL, uma casa destinada a acolher os primeiros versos, as primeiras histórias e os sonhos culturais das novas gerações.

Idealizar a ABIJAL foi mais do que criar uma instituição. Foi acender uma luz para que nossas crianças e nossos jovens reconhecessem o próprio talento. Foi dizer a cada um deles que sua palavra tem valor, que sua imaginação merece espaço e que a cultura também lhes pertence. Ao plantar essa semente em solo bonjesuense, Carlos Augusto ajudou a preparar uma colheita capaz de atravessar gerações.

Seu amor por Bom Jesus também se revelou ao indicar o município para sediar, em 2027, a solenidade de premiação dos destaques do biênio 2025–2026 do Estado do Rio de Janeiro, nas áreas artística e social, promovida pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latina, do qual é senador. Com esse gesto, contribuiu para projetar o nome da cidade para além de suas fronteiras, dando visibilidade à riqueza de nossos escritores, artistas, educadores e instituições culturais.

Sua participação em numerosas academias, institutos históricos, entidades literárias e conselhos de cultura demonstra a amplitude de sua caminhada. A dimensão mais humana de sua obra, porém, está nos talentos que ajuda a despertar, nas crianças que passam a acreditar na própria voz e nos jovens que encontram, na literatura e nas artes, novas possibilidades para a vida.

Por isso, a iniciativa do vereador Clerinho da Soledade de propor a concessão do Título de Cidadão Bonjesuense a Carlos Augusto Souto de Alencar representou um gesto de justiça e gratidão. Ao aprová-la, a Câmara Municipal reconheceu oficialmente aquilo que o afeto e o trabalho já haviam construído: Carlos tornou-se filho de Bom Jesus por escolha e dedicação.

Uma cidade é formada por aqueles que nela nasceram e também por quem chega disposto a participar de sua história. Há os que trazem conhecimentos, os que oferecem seu trabalho e os que encontram, na realização dos outros, um motivo para permanecer. Carlos trouxe sementes de poesia, educação e esperança. Plantou-as entre nossas crianças e nossos jovens, e delas já começam a nascer flores.

Conceder-lhe o título é abrir simbolicamente as portas da cidade e dizer: “Esta terra também é sua”. Há muito tempo, contudo, Carlos já havia aberto as portas do próprio coração e deixado Bom Jesus entrar.

Embora nascido longe das águas do Itabapoana, encontrou nesta terra um destino afetivo. Fez de sua cultura uma causa e da formação de sua juventude um compromisso. Assim, Bom Jesus do Itabapoana passou a integrar sua história, enquanto sua dedicação passou a fazer parte da história bonjesuense.

O título grava esse vínculo na memória oficial do município. E a cidade, ao homenageá-lo, também revela algo de si: sabe reconhecer aqueles que cultivam sua vida cultural e ajudam a preparar o futuro de seus jovens.

No meio das linhas do decreto, podemos ouvir uma frase simples, dessas que dispensam solenidade para alcançar o coração:

Carlos Augusto, esta terra também é sua.







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