O Despertar da Memória: Carnaval e Resistência na Usina Santa Maria
Os fatos, quando falam por si, costumam soar como música. Neste último final de semana, a Associação dos Moradores da Usina Santa Maria, sob a batuta de Paulo César Vitorino de Sá e o apoio de Eva Rosângela da Silva, provou que a cultura, quando germina em solo de união, floresce em espetáculo.
Em uma parceria harmoniosa com a Sociedade Musical da Usina Santa Maria (presidida por Maria de Lourdes de Sá Viana) e o Teatro Cinema Conchita de Moraes (dirigido por Betinho Milão), a comunidade promoveu uma alvorada de pré-carnaval. O evento devolveu à praça central o seu papel mais ancestral: o de ser o palpitar da alegria coletiva.
O Reencontro com as Marchinhas
O espaço público foi ocupado por uma constelação de talentos: músicos locais, herdeiros do saudoso Maestro Sebastião Vitorino de Sá, além de instrumentistas vindos de Carabuçu, do Farol de São Tomé e outros convidados. Juntos, entoaram as eternas marchinhas, melodias que ignoram o relógio e seguem encantando gerações. Entre os acordes e o concorrido bingo, a estrutura das tendas contou com o suporte logístico da prefeitura.
Nada, porém, foi obra do acaso. A celebração é o ápice de uma jornada de persistência:
1. O Teatro Cinema Conchita de Moraes atravessou décadas de hiato até seu restabelecimento.
2. A Sociedade Musical foi resgatada do silêncio no ano passado.
3. A Associação de Moradores compreendeu que a cultura não é um ato isolado, mas uma teia.
O resultado foi uma apresentação histórica, a foz natural de um rio que corre alimentado por sonhos, trabalho e realizações.
Um Exemplo para o Município
Essa é a marca singular de Bom Jesus do Itabapoana. A Usina Santa Maria, outrora uma próspera comunidade autônoma, guarda no DNA de seus moradores uma certeza fundamental: a cultura é o alicerce do desenvolvimento humano. É ela que nutre a capacidade de acreditar nas próprias forças e de reconstruir o amanhã sobre os alicerces do ontem.
A Usina é um exemplo raro de resiliência. Soube transformar ruínas em projeto e projeto em construção. Onde antes imperava o silêncio, ergueu-se a partitura; onde restavam escombros, brotou o pertencimento. Ao resgatar o carnaval tradicional, a comunidade não apenas toca música, mas costura afetos e memórias.
Na Usina Santa Maria, até as pedras parecem ter aprendido a cantar. Ali, a cultura não é um evento passageiro: é a memória em permanente movimento.

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