Por Gino Martins Borges Bastos
Ao refletir sobre minha infância e juventude, fases decisivas na formação do ser humano, percebo que o ambiente proporcionado por meus pais foi marcado por uma disciplina rigorosa.
Em primeiro lugar, o estudo era uma norma natural e inquestionável, reforçada pela própria condição de meu pai, Luciano Bastos, diretor do Colégio Rio Branco. O ambiente familiar respirava disciplina e valorização do conhecimento.
Em segundo lugar, havia a preocupação constante com as chamadas más companhias. Em muitos sábados à tarde, enquanto os colegas se reuniam para jogar futebol na quadra do colégio, lá ia eu, pasta em mãos, para as aulas de piano.
Na época, havia um compreensível descontentamento. Hoje, porém, enxergo aquelas exigências como elementos importantes na formação do caráter.
Pouco a pouco, essas circunstâncias favoreceram o desenvolvimento de ideias próprias, muitas vezes diferentes das da maioria. O xadrez surgiu naturalmente nesse contexto. Trata-se de um jogo que se estuda na solidão e que ensina lições valiosas de estratégia, visão de futuro e controle das emoções.
Ter vivido a infância e a juventude sob tantas restrições, apesar das inevitáveis reclamações daquele tempo, contribuiu para moldar minha personalidade. A resiliência e a disposição para enfrentar desafios, mesmo quando envolvem riscos, em defesa de causas consideradas justas nasceram quase espontaneamente.
Certamente, houve exemplos que inspiraram esse processo. Mas a principal reflexão que faço é que uma infância e uma juventude marcadas por desafios, disciplina e renúncias podem revelar, mais tarde, benefícios inesperados. Aquilo que um dia pareceu privação transformou-se em aprendizado; o que parecia excesso de rigor acabou se convertendo em força interior.

Parabéns dr. Gino, pelo grande homem que se tornou, sem nunca abandonar o coração e os ensinamentos de criança.
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