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| Gino Martins Borges Bastos |
Ao fim de um ano letivo, depois das provas finais de Física, quando fui professor, resolvi inverter o eixo do olhar. Se havia um Conselho de Classe para avaliar os alunos, por que não abrir espaço para que os alunos também avaliassem?
Mesmo com o tempo exíguo, considerei justo e necessário realizar um Conselho de Alunos. Não apenas para avaliar o professor de Física, mas todos os professores. Um gesto simples, quase silencioso, mas carregado de sentido.
Retirei-me da sala por alguns minutos. Era preciso que eles tivessem liberdade. Ficar fora foi parte da lição: aprender a ouvir começa, muitas vezes, por saber se ausentar.
Quando voltei, encontrei mais do que avaliações. Havia ali observações honestas, críticas construtivas, palavras ditas com cuidado e responsabilidade, inclusive sobre minha própria atuação como professor. Recebi cada comentário não como julgamento, mas como convite ao aprimoramento.
Naquele instante, compreendi que ensinar não é apenas transmitir conteúdos, mas criar espaços onde a crítica possa nascer sem medo. Onde o aluno aprende, desde cedo, que sua voz importa e que avaliar também é um exercício de cidadania.
Assim, naquele fim de ano, houve dois conselhos: o de Classe e o de Alunos. Ambos ensinando, cada um à sua maneira, que a escola é também o lugar onde se aprende a escutar.

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