sábado, 10 de janeiro de 2026

Mercenários Digitais?

 


Houve um tempo em que a violência tinha rosto, chapéu e revólver.

Os pistoleiros se ofereciam em esquinas empoeiradas, falavam baixo, cobravam em dinheiro e desapareciam antes do amanhecer.

Depois, a brutalidade se organizou.

Criou estatuto, coletivo, discurso.

Passou a se chamar milícia.

Já não matava apenas: protegia, desde que a proteção fosse paga e o medo renovado todo mês.

Agora, a violência trocou de cenário.

Saiu das ruas e entrou nas telas.

Não usa armas visíveis, mas palavras afiadas, prints editados, dossiês incompletos e a velocidade cruel das redes.

Com o escândalo do Banco Master, descobrimos o que já se insinuava nos bastidores: há mercenários digitais.

Cobram para atacar, para destruir reputações, para fabricar indignação e, quando bem pagos, defender o contratante com a mesma fúria.

O objetivo é claro: atacar reputações, fabricar narrativas,  promover campanhas de difamação, pressionar adversários, defender interesses de quem paga, independentemente da verdade.

Muitas vezes  não agem sozinhos.

Operam em rede, em enxame, em milícia digital.

Um publica, outro replica, um insinua, outro confirma, todos fingem neutralidade.

Sob a capa de “matéria isenta”, produzem linchamentos morais sob encomenda.

Não informam: direcionam.

Não investigam: acusam.

Não esclarecem: incendeiam.

E o público, cansado, apático, sedento por escândalo, aplaude, compartilha, consome.

Sangue virtual basta.

Quando não basta, que seja real.

Assim, sem tiros, sem ruas escuras, instalou-se uma nova realidade: ameaças, chantagens, difamação industrializada.

A violência não precisa mais matar corpos.

Aprendeu a matar nomes.

E talvez essa seja a mais eficiente de todas.




Nenhum comentário:

Postar um comentário