sábado, 23 de maio de 2026

O 2º Encontro de Carro de Boi em Rosal: a Força Viva da Nossa História

 

Rosal, neste encontro, lembra ao mundo que o progresso pode até correr, mas é na lentidão sagrada do carro de boi que guardamos a nossa verdadeira essência. Enquanto houver um carreiro a guiar sua junta e o canto do eixo a ecoar no vale, nossa história continuará viva, movida pela fé e eternizada no coração do Itabapoana



 

O som que corta o silêncio das montanhas de Rosal não vem do vento; vem do peito da terra. É um canto rústico, um lamento estridente e compassado que ecoa pelos vales, trazendo consigo o peso e a beleza de uma ancestralidade que teima em não morrer. O gemido do eixo no cocão é a música mais antiga da nossa gente, um hino de madeira e couro que desenha caminhos e desperta memórias profundas.

​Neste fim de semana de maio, o tempo parece desacelerar para dar passagem à reverência. Rosal se veste de poeira e sol para o 2º Encontro de Carro de Boi, transformando-se no palco sagrado onde o passado e o presente se abraçam sob o lema que resume a alma do nosso povo: “Tradição que une gerações, fé que move caminhos!”

O Caminhar do Tempo e a Chegada na Fazenda

​Tudo recomeça no compasso lento dos cascos que tocam o chão. No sábado, a Fazenda Pouso Alto abre suas porteiras para acolher os carreiros e seus animais. Há uma dignidade silenciosa em cada homem e mulher que conduz essas juntas. São mãos calejadas pelo cabo do aguilhão, rostos marcados pelo sol e pelo orgulho de carregar nas veias a herança de seus pais.

​Quando a tarde cai e o cansaço do caminho se aninha no corpo, a noite se ilumina com o calor da roda de viola. As cordas choram as dores e celebram os amores da vida no campo. É a harmonia perfeita: a viola ponteada que flutua no ar enquanto os bois descansam sob as estrelas, aguardando o grande dia.

O Domingo de Desfile e Tradição

​No domingo, as ruas de Rosal testemunham o espetáculo da identidade. O tradicional desfile dos carros de bois é mais que um cortejo; é uma procissão de histórias vivas. Cada carro que passa traz o eco de um tempo em que as distâncias eram medidas pela força do braço e pela paciência do passo. O ranger dos eixos é a própria voz do interior, um clamor de resistência cultural que arrepia quem assiste e faz brotar lágrimas nos olhos dos mais antigos.

​Há uma beleza quase sagrada na entrega dos brindes e dos títulos, o reconhecimento merecido àqueles que mantêm acesa a chama da nossa memória. E para encerrar essa liturgia da terra, a noite recebe o compasso e a cantoria de Everton & Daniel. No show de encerramento, as vozes se unem para cantar as coisas da nossa gente, celebrando a cultura que passa de pai para filho, o respeito à nossa história e o orgulho profundo das nossas raízes.


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