sexta-feira, 4 de setembro de 2026

José Antônio Borges Alvarenga: entre a canção, a memória e a natureza

 





Existe uma imagem que parece resumir José Antônio Borges Alvarenga: em uma das mãos, o microfone; na outra, uma taça de vinho português. Entre ambas, cabe um mundo inteiro,  a música que atravessa gerações, a alegria dos encontros, a memória dos antepassados e a saudade que paloita no coração açoriano.

Vice-presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo, José Antônio exerce sua missão com entusiasmo e grandeza. Seu trabalho vai além do resgate das raízes familiares: alcança a história, preserva a cultura e fortalece os laços que unem o Espírito Santo ao arquipélago dos Açores. Onde há uma tradição esquecida, ele procura reavivá-la; onde existe uma memória ameaçada, oferece sua voz; onde os descendentes se encontram, ele ergue pontes sobre o Atlântico.

Foi assim ao participar da inauguração da 17ª Casa dos Açores do mundo, em José Carlos, Apiacá, representando o Vale do Itabapoana e os descendentes dos imigrantes açorianos de Vitória. Foi assim também nos encontros promovidos pela Casa dos Açores do Espírito Santo, nas apresentações do Grupo Folclórico Padre Thomaz Borba e nas comemorações dos 160 anos de luz de Padre Mello. Em cada ocasião, José Antônio reafirma que a açorianidade não é apenas uma lembrança do passado: é uma herança viva, feita de música, fé, convivência e saudade.

E que voz possui esse guardião de memórias!

Cantor aplaudido em diferentes palcos do país, José Antônio conduz o espetáculo “Viagem Musical” como quem abre um álbum de recordações diante do público. Com quase três mil músicas memorizadas, ele percorre épocas, estilos e emoções. Cada canção parece despertar um amor, uma ausência, uma juventude ou uma história adormecida. Quando canta, não oferece apenas sua voz: devolve às pessoas um pedaço de suas próprias vidas.

Na comemoração dos três anos do Magazzino Fioravante, mais uma vez sua “Viagem Musical” transformou o encontro em celebração. O microfone em sua mão não é apenas um instrumento de trabalho; é uma espécie de bússola afetiva, capaz de conduzir o público pelos caminhos da memória.

Mas a mesma mão que segura o microfone também sabe arregaçar as mangas para servir à natureza.
Defensor intransigente do meio ambiente, José Antônio representa a Comissão de Direito Ambiental da OAB/ES e dedica-se à Ecovila Bom Destino e à RPPN Macaco Barbado. Seu compromisso ambiental não vive apenas nos discursos: nasce na terra, cresce nas mudas e floresce nas áreas recuperadas.

Ao lado de ambientalistas, engenheiros, pesquisadores e técnicos do Instituto Nacional da Mata Atlântica, participa de ações de recuperação ambiental, preservação da fauna e da flora, combate à caça, prevenção de incêndios e educação ecológica. Na produção de milhares de mudas de ipês-amarelos e roxos, encontra-se uma das mais belas expressões de sua esperança: plantar hoje a sombra, a beleza e a vida que talvez sejam plenamente desfrutadas pelas gerações futuras.

José Antônio também sabe reconhecer a arte como extensão da natureza e da alma. Ao visitar exposições como “Amazônia, do presente e do futuro”, de Rolien Boechat, no ECLB Cultura, em Bom Jesus do Itabapoana, demonstrou que preservar o planeta e valorizar a criação artística são partes de uma mesma consciência: a de quem compreende que o ser humano não vive apenas de progresso material, mas também de beleza, memória e pertencimento.

Assim é José Antônio Borges Alvarenga: cantor, ativista cultural, ambientalista e semeador de encontros.

Em uma das mãos, o microfone que dá voz à saudade. Na outra, a taça de vinho português que brinda a amizade, a alegria e as raízes ancestrais. E, dentro do peito, uma terceira força invisível: o amor pela cultura, pela natureza e pelas pessoas.

Enquanto sua voz percorre os palcos do país, os ipês que ajudou a plantar crescem silenciosamente em direção ao céu. Um dia, quando florescerem, talvez suas copas amarelas e roxas pareçam acompanhar alguma velha canção portuguesa trazida pelo vento. E então compreenderemos que certos homens não passam simplesmente pela vida: eles cantam, plantam, preservam e deixam florescendo, na memória coletiva, a marca luminosa de sua existência.





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