Neste 5 de outubro, o calendário abre uma janela para a gratidão. Rogério Loureiro Xavier completa 76 anos, e as duas Bom Jesus encontram nessa data um motivo para celebrar alguém que dedica à memória, à cultura e à amizade uma parte preciosa de sua vida.
Nascido em Ramos, no Rio de Janeiro, em 1950, Rogério aprendeu cedo que a felicidade podia morar numa rua sem calçamento, numa casa modesta, numa conversa entre irmãos. Perto dali, a praia acolhia as brincadeiras e os sonhos do menino. Havia a bola, os amigos, o ma, e havia, sobretudo, um lar onde o amor assegurava aquilo que nenhum dinheiro poderia comprar: o sentimento de pertencer.
Nesse lar viviam Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas, e Gedália Loureiro Xavier, a Princesa dos Poetas. Para Rogério, antes dos títulos e do reconhecimento, eram papai e mamãe. Eram os ensinamentos de cada dia, a poesia ouvida de perto, a mesa posta e a alegria de uma casa cheia.
Há uma lembrança que ilumina especialmente este aniversário. Rogério contou que reservava o dia de seu nascimento para estar com os pais e a família. Era seu feriado particular, seu compromisso com a felicidade. E Mãe Dála o esperava com bolos, doces, caçarola italiana e uma especial pizza de sardinha.
Podemos imaginar o carinho chegando antes mesmo do primeiro abraço: no aroma da cozinha, no cuidado de preparar o prato querido, nas velas aguardando a hora de acender. Certas mesas permanecem dentro de nós por toda a vida. O tempo passa, mas ainda encontramos nelas um lugar de filho.
Hoje, a saudade de Elcio e Gedália acompanha Rogério em forma de humildade e gratidão, como ele próprio definiu. E ganha gestos concretos: a divulgação dos poemas, o cuidado com os livros, a presença nos encontros culturais, a disposição de contar às novas gerações quem foram aqueles dois corações que tanto ofereceram à família e a Bom Jesus.
Foi com o pai que Rogério aprofundou sua paixão pela história e por esta terra. Ao falar desse amor, encontrou uma imagem bela: “Estou surfando nas intermináveis ondas que papai tanto idealizou...”
O menino que brincava perto da praia de Ramos reconhece, assim, outro mar em sua maturidade. Suas ondas chegam às margens do Itabapoana, atravessam as duas Bom Jesus e levam consigo versos, lembranças e projetos. Em cada iniciativa, Rogério ajuda a memória a encontrar novos leitores e novos lugares para florescer.
Esse cuidado se manifesta no apoio à circulação de O Véu da Manhã e Rosaquarium, reeditados por O Norte Fluminense, e no busto de Elcio que doou ao Espaço Cultural Luciano Bastos, onde também está a biblioteca deixada pelo poeta. Manifesta-se, ainda, em sua presença no “Café com Elcio Xavier” e na alegria com que acolheu o Dia Municipal da Poesia, celebrado em 3 de maio.
Há uma generosidade especial em quem se empenha para que outras pessoas conheçam e amem aquilo que recebeu como herança.
Compositor, Rogério também encontrou na música uma maneira de declarar seu afeto por Bom Jesus do Itabapoana. Seu hino, concebido para a cidade e destinado ao repertório da Lira Operária Bonjesuense, a querida “Furiosa”, dá melodia a esse pertencimento. É bonito pensar que um amor cultivado em família poderá ganhar o sopro dos instrumentos e percorrer as ruas, alcançando quem passa, quem escuta, quem reconhece na música a própria terra.
Ao lado de Eloisa, com quem se casou em 7 de outubro de 1979, Rogério construiu seu próprio núcleo de afeto. As filhas Aline e Eliane e os netos Carolina e Carlos Eduardo prolongam essa história. Nos encontros entre gerações, a família renova aquela alegria que Elcio e Gedália tanto cultivaram: estar perto, conversar, cantar, repartir a vida.
E Rogério continua repartindo. Nas mensagens que publica diariamente, oferece informações e palavras de esperança. Em meio à pressa e às inquietações do mundo, faz chegar aos outros um sinal de amizade, uma lembrança de que ainda há bem a semear.
Sua mensagem aos mais jovens tem a clareza de quem aprendeu vivendo: cuidar da cultura, valorizar os amigos, incentivar a leitura. Abrir um bom livro pode ser o começo de uma descoberta; preservar uma lembrança pode ser o começo de uma responsabilidade.
Neste aniversário, estimado Rogério, que o carinho de sua família e de seus amigos lhe devolva um pouco de tudo o que você oferece. Que haja saúde, música, bons encontros e tempo para os projetos que ainda aguardam sua dedicação. Que as lembranças de seus pais tragam o aconchego daquela casa e daquela mesa, onde seu dia era recebido com tanto amor.
As duas Bom Jesus agradecem ao filho de Elcio e Gedália que segue cuidando de suas histórias e acrescentando a elas a própria contribuição.
Feliz aniversário, Rogério Loureiro Xavier! Que seus 76 anos sejam celebrados com a alegria simples e profunda que você conhece desde menino, e que, nas ondas intermináveis da memória, continue encontrando inspiração para semear poesia, amizade e esperança.



























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