sábado, 31 de janeiro de 2026

27 Anos Após o Silêncio: Isabel Menezes Recorda o Padre que trouxe a Varre-Sai a Festa do Divino

 

 

O Padre Antônio Alves de Siqueira, guardião da memória de Varre-Sai, como bem destaca a conceituada historiadora Isabel Menezes, foi um elo vivo de fé, tradição e união entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana.

Nascido em 18 de março de 1932, no distrito de Tocos (Campos dos Goitacazes), o padre se ordenou sacerdote e, ainda jovem, passou por Bom Jesus do Itabapoana na década de 1970. Ali, encantou-se profundamente com a Festa do Divino Espírito Santo, uma tradição enraizada desde meados do século XIX (entre 1860 e 1863), que floresceu até 1947 e permaneceu na memória coletiva até 1983, quando restou restabelecida. Inspirado por essa celebração vibrante, que une devoção, folclore, visitas de alferes com bandeiras e a harmonia entre o sagrado e o cotidiano rural, ele levou o espírito para Varre-Sai ao ser nomeado pároco em 1973.

Em 1978 e 1979, organizou com "grande pompa e adesão" duas edições memoráveis da Festa do Divino na cidade, mobilizando toda a população, do campo à sede, em um raro momento de integração entre religião, trabalho e arte popular. Sua saída da paróquia levou à interrupção dos festejos, que só foram resgatados em 2016 pelo Padre Rafael Rodrigo Scolaro, com a bela tradição das visitas domiciliares dos alferes, um revival que ecoa o legado deixado por ele.

O falecimento do Padre Antônio Alves de Siqueira ocorreu em 31 de janeiro de 1999, completando exatamente 27 anos em 31 de janeiro de 2026, data que motiva a homenagem mencionada. Suas exéquias em Varre-Sai foram marcadas por grande comoção, e seu túmulo repousa na Igreja de Nossa Senhora das Graças (bairro Santo Antônio), na própria cidade que ele tanto serviu.

Seu impacto transcende Varre-Sai: em reconhecimento à ponte cultural que construiu, a comunidade de Arraial Novo (parte alta de Bom Jesus do Itabapoana) inaugurou, em 8 de agosto de 2015, o Memorial Coronel Quinca Bento e Padre Antônio Alves de Siqueira, um espaço que preserva a memória de figuras que moldaram a identidade local, incluindo fotos históricas e relatos de sua passagem pela região.

Padre Antônio não foi apenas um pároco; foi um catalisador de sonhos coletivos, unindo dois povos vizinhos "num só coração, num só sonho e numa só esperança", como poeticamente expresso. Em tempos de reconstrução, como a própria Matriz de São Sebastião em Varre-Sai, que enfrentou desafios recentes, seu exemplo de humildade, fidelidade e promoção da cultura popular continua a inspirar. A Festa do Divino, que ele ajudou a plantar em solo varre-saiense, segue viva, celebrada anualmente e conectando gerações àquela chama de fé açoriana-portuguesa que ele soube reacender.

Padre Antônio Alves de Siqueira é outro padre que foi ponte cultural e de fé entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, unindo os dois povos num só coração, num só sonho e numa só esperança.

Que a memória de Padre Antônio Alves de Siqueira, guardada por vozes como a de Isabel Menezes, continue a iluminar essas terras do Noroeste fluminense.






"Praia de Ramos", por Rogério Loureiro Xavier


*"Olá 🖐 pessoa amiga e do bem."*



*"Bom dia relembrado velhos tempos..."*


*"Praia de Ramos."*


*"A Praia de Ramos tem história que guardo na memória... Bairro de Ramos/RJ, lugar onde nasci e me criei !!"*

*"Frequentei muito a Praia, as águas ainda não eram poluídas... fiz boas amizades. Esse vídeo é maravilhoso, eu adoro ver e recordar. A praia era bem frequentada, recebia banhistas de vários lugares, era a mais lotada do Rio. Saudades dessa época. Época boa, tempo bom que não volta mais... Nasci em Ramos, em 05 de outubro de 1950 - Rua João Pizarro, n° 84."*

*"Recordo:  Estação de trem... AV. Nossa Senhora das Graças. Igreja de Santa Rita de Cássia dos Impossíveis... A charmosa lotação, chamada de perereca, que ligava a praia a estação de Ramos... Meus eternos companheiros do Grupo Jovem da Igreja de Santa Rita ( Encontros geniais )... Do Futebol diário de rua e dos Timaços de Campo...( Esporte Clube João Pizarro e do Esporte Asteca Rio : Os Canarinhos de Ramos ). Sou suburbano nato, de carteirinha ! Agradeço todos os dias pela vida e pelas eternas lembranças."*


💖🤩💖🤩💖


*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

ATENÇÃO: Para ver o vídeo clique aqui.

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Vídeo: Conchita, O Palco que Nunca Silenciou

 




 
O Teatro Cinema Conchita de Moraes, na Usina Santa Maria, respira. Respira gente, sonho, movimento. Sob a condução serena e insistente de Betinho Milão, ele segue cumprindo sua vocação maior: ser casa, ser colo, ser encontro da comunidade da Usina Santa Maria.

No dia 30 de janeiro, o salão se fez corpo. Corpos de mulheres santa-marienses em exercício, em ritmo, em riso. Mas não apenas músculos se alongaram:
alongaram-se afetos,
aproximaram-se histórias,
entrelaçaram-se presenças.
Cada passo era também um gesto de pertencimento. Cada movimento, um pequeno ato de resistência cotidiana. 

Em 2016, quando o teto e uma parede do Conchita cederam, não foi só concreto que veio ao chão. Foi como se o próprio sonho prendesse a respiração. Mas sonhos verdadeiros não sabem cair. Eles se transformam em mãos. Em vozes. Em coragem compartilhada.

E foi o sonho de Betinho, sustentado por muitos outros sonhadores, que ergueu novamente o que nunca deixou de existir:
um espaço vivo,
um território de cultura,
um coração aberto a serviço da Usina Santa Maria.

Hoje, o Conchita não é apenas um prédio. É testemunho. É palpitação. É promessa cumprida de que, onde há comunidade, há sempre um palco possível para a esperança.






 





Teatro Cinema Conchita de Moraes em 2016

 



 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Mexicano Mariachi Music

 


Padre Mello e a missa na Braúna

 

Carolina Boechat 

O fluxo inexorável do tempo é o senhor dos sentimentos e das emoções . Ele é capaz de  transformar a saudade em memórias e as memórias em histórias que atravessarão gerações; perpetuando, de alguma forma, a existência daqueles que deixaram marcas durante sua passagem pela vida.

Mas há pessoas tão especiais que, sem nenhum esforço, adiarão infinitamente a morte depois da morte, a morte absoluta conforme o poema instigante de Manuel Bandeira, morrer sem sequer deixar um nome.

E esta imortalidade nem precisa ser universal; pode ser doméstica, caber na história de uma cidade ou no coração daqueles que repetirão feitos e frases e a eles darão autoria.

Cismada, eu me pergunto se há alguma predestinação, se alguém que saiu de um arquipélago português situado, literalmente, no meio do Atlântico, entre a América e a Europa, pressentia sua vocação para permanecer vivo e lembrado em lugares tão distantes de sua terra natal, feito conquistado por Padre Mello.

Dono de inúmeros atributos e camadas de conhecimento, o sacerdote tinha um temperamento afável, convivendo prazerosamente com os seus fiéis, o que rendeu momentos contados e recontados, imortalizados pelo tempo e chegando até muitos de nós que sequer o conhecemos.

Em nossa convivência familiar, sempre que se experimenta uma refeição em dose  exagerada, é certo que alguém resgata lá do baú de memórias uma comparação infalível que atravessa gerações e que traduz o momento: comeu que nem o Padre Mello quando ia rezar missa na Braúna!

Video: De Casimiro de Abreu a Rio das Ostras: Daniel de Lima e Alexander Fleming em Encontro de Arte

 




Há encontros que não acontecem por acaso. Eles se aproximam devagar, como rios que nascem distantes, mas sabem, desde sempre, que um dia irão se encontrar. 

Assim foi o abraço silencioso entre o Ateliê Filhos do Barro, o projeto Arte do Agricultor, conduzido pelas mãos sábias do mestre artesão Daniel de Lima, em Casimiro de Abreu, e o Ateliê Casa 404, de Alexander Fleming, em Rio das Ostras.

Do barro simples, retirado da terra e moldado com paciência, já nasciam formas honestas, carregadas de identidade. Mas foi quando o fogo encontrou o esmalte, e o esmalte encontrou o olhar artístico do Casa 404, que as peças ganharam outro fôlego. As superfícies passaram a conversar com a luz. As cores aprenderam a respirar. E aquilo que já era bonito passou a ser admirável.

Cada peça, agora, carrega mais do que técnica: carrega diálogo. Carrega a conversa entre o agricultor e o artista, entre a roça e o ateliê, entre o gesto ancestral e a experimentação contemporânea. O resultado não poderia ser outro: cerâmicas mais qualificadas, mais desejadas, mais valorizadas.

Naturalmente, veio também a valorização material. As peças produzidas em Casimiro de Abreu passaram a alcançar novos preços, novos públicos, novos olhares. E, com isso, os agricultores-artesãos sentiram no cotidiano algo que é raro e precioso: a dignidade ampliada pelo reconhecimento.

Quando a arte encontra o agricultor, não nasce apenas um objeto. Nasce um caminho. E quando muitos caminham juntos, a terra agradece, as mãos persistem e a beleza aprende a ficar.

Projetos como o desenvolvido pelo Mestre Artesão Daniel de Lima reconhecem que a cultura não é um ornamento, mas um eixo estruturante do desenvolvimento local. Trata-se de uma iniciativa que une arte, agricultura, identidade e geração de renda, alcançando diretamente famílias que encontram na criação artesanal não apenas expressão estética, mas também sustento e dignidade.

Investir nesse tipo de iniciativa é investir na alma do município. É compreender que cada peça produzida carrega não apenas barro e esmalte, mas história, trabalho e identidade coletiva. E isso, para uma cidade, não tem preço, tem valor.












As Marcas de um Açoriano em Varre-Sai: Maria da Conceição Vargas resgata o início da jornada de Padre Mello em 1899

 


Nas dobras do tempo, a história costuma se esconder sob a poeira de velhos sótãos, aguardando que mãos sensíveis a tragam de volta à luz. Em Varre-Sai, esse papel de guardiã da memória cabe a Maria da Conceição Vargas. Açordescendente de alma e linhagem, Maria não apenas habita o solo fluminense; ela o escava com o olhar atento de quem sabe que o passado é um organismo vivo, palpitante sob a superfície do presente.

​A memorialista resgatou uma joia esquecida, sobre uma pesquisa realizada por outro notavel memorialista, o dr. José Luiz Teixeira.

 um recorte de jornal datado de 15 de dezembro de 1899. Nele, as letras amareladas revelaram uma presença que redesenha a cronologia da fé na região: o açoriano Padre Antônio Francisco de Mello. O documento, que relata a condução da Festa de São Sebastião, só pôde ser plenamente compreendido graças à pronta e valiosa atuação de José Antônio Alvarenga Borges, vice-presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), cuja tradução foi o sopro necessário para dar voz ao papel mudo.

​A Dança das Datas e a Reescrita do Passado

​Até então, a historiografia local trabalhava com uma moldura mais estreita. Sabia-se que o Padre Mello fora o pároco dessas paragens entre 1916 e 1924. No entanto, o rigor da pesquisa de Maria da Conceição, cruzado com a verve poética de "Douto Burro", versos de 1915 que já sussurravam o nome de Varre-Sai, forçou a história a recuar o relógio.

​A conclusão é um abraço entre o fato e a evidência: Padre Mello não foi um visitante tardio. Ele assumiu o comando espiritual de Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana logo em sua chegada ao solo fluminense, naquele emblemático 18 de junho de 1899.

​Um Legado que Une Cidades

​Essa efervescência de descobertas não permanece restrita aos arquivos. Ela ganha as ruas e o calendário cultural através do olhar da historiadora e escritora varre-saiense Isabel Menezes. Com a sensibilidade de quem entende que a história é feita de pontes, Isabel organiza o Encontro Cultural Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana.

​O evento está marcado para o dia 16 de abril, data que celebra o "Mês de Padre Mello". Será um momento de comunhão entre as duas cidades que compartilharam o pastoreio do clérigo açoriano, transformando a pesquisa acadêmica em celebração viva de identidade.

​O que Maria da Conceição Vargas e Isabel Menezes nos oferecem, cada uma em seu ofício, não é apenas um ajuste de calendário, mas uma restituição de pertencimento. As pesquisas sobre o Padre Mello deixaram de ser notas de rodapé para se tornarem capítulos centrais da odisseia açoriana no Brasil, provando que, enquanto houver quem busque e quem celebre, o passado jamais terá a última palavra.



"LAMENTO DE UM RIO", por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"LAMENTO DE UM RIO"*

*"( Comparo ao majestoso Rio Itabapoana, que banha as terras abençoadas de Bom Jesus )"*

Me perdoem por toda esta "bagunça"... Eu só queria passar.

Eu não fui feito pra Destruir... Eu só queria passar.

Já fui Esperança para os Navegantes...

Rede cheia para Pescadores...

Refresco para os banhistas em dias de intenso calor.

Hoje sou sinônimo de Medo e Dor...

Mas, eu só queria passar...

Me perdoem por suas casas

Por seus móveis e imóveis

Por seus animais

Por suas plantações... Eu só queria passar.

Não sou seu inimigo

Não sou um vilão

Não nasci pra destruição...

Eu só queria passar.

Era o meu curso natural

Só estava seguindo meu destino

Mas, me violentaram,

Sufocaram minhas nascentes

Desmataram meu leito... Quando eu só queria passar.

Encontrei tanta coisa estranha pelo caminho... Que me fizeram Transbordar...

Muros

Casas

Entulhos

Garrafas

Lixo

Pontes

Pedras

Paus...

Tentei desviar ... Porque eu só queria passar.

Me perdoem por inundar sua história,

Me perdoem por manchar esta história...

Eu só estava  passando...

Seguindo o meu trajeto

Cumprindo o meu destino:

Passar....

Fonte : Internet 


*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*





Varre-Sai e Bom Jesus: Terras Eternizadas pela Poesia de Padre Mello

 


"Burro Douto" foi publicado no jornal Cachoeirano, de Cachoeiro de Itapemirim, ES, no dia 15 de abril de 1915, com grande repercussão 


No mês de abril, dedicado à memória e à obra de Padre Antônio Francisco de Mello, Varre-Sai e  Bom Jesus do Itabapoana se reencontram para celebrar não apenas um grande personagem de sua história comum, mas também a força da cultura como elo permanente entre povos, tempos e territórios.

Padre Mello, açoriano da ilha de São Miguel, pároco simultâneo em Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana entre 1916 e 1924, foi um sacerdote de extraordinária sensibilidade intelectual, literária e humana. Sua atuação entre as duas paróquias antecedeu a 1916 e ultrapassou os limites do altar, deixando marcas profundas na educação, na religiosidade popular e na produção cultural da região.

Se Varre-Sai carrega em sua formação a forte herança da colonização italiana, Padre Mello representa a presença açoriana que se integra, dialoga e se soma, simbolizando a união de culturas que celebraremos nesse encontro intermunicipal. Essa mesma integração se manifesta, por exemplo, na Festa do Divino Espírito Santo, tradição trazida a Bom Jesus por açordescendentes entre 1860 e 1862 e fortalecida por Padre Mello a partir de sua chegada em 1889, tornando-se também uma realidade viva em Varre-Sai.

É nesse contexto que se insere o soneto O Burro Douto, escrito por Padre Mello em Varre-Sai e publicado com grande repercussão no jornal Cachoeirano, de Cachoeiro de Itapemirim, no estado do Espírito Santo. Nesta obra, o padre-poeta, bonjesuense por adoção e açoriano de origem, imortaliza Varre-Sai na literatura, demonstrando que, como afirmou Tolstói, ao pintar sua aldeia, o artista alcança o universal.

Assim, Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana seguem, silenciosamente, pintando suas aldeias, preservando memórias, reafirmando identidades e mantendo viva a herança cultural que os une.


Burro Douto


Em uma das farmácias de Varre-Sai
entrou há pouco um burro na atitude de
quem ia ali procurar um remédio


Que um burro, por fenômeno insueto
fora visto em cartaz algures lendo
já eu sabia, e o fato vai correndo
por esse mundo além no meu soneto.

Porém, um burro todo circunspecto,
entrar numa farmácia e, percorrendo
os coloridos rótulos, ir vendo
se acaso o mostruário está completo,

isto nunca se ouviu nem por pilhéria,
e se minha razão o caso aceita
é porque o prova testemunha séria

E visto que interessa esta matéria
temos ainda uma questão sujeita:
viria receitar-se ou dar receita?



Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Varre-Sai
Torre do Castelinho onde morou Padre Mello, em Bom Jesus do Itabapoana 



 


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Parabéns, Francisco Amaro Borba Gonçalves!

 Honra, História e Aniversário: Francisco Amaro Borba Gonçalves

Dos Açores para o Coração: Festa de Aniversário de Francisco Amaro Borba Gonçalves

Hoje, 29 de janeiro de 2026, celebramos mais um aniversário de um homem cuja vida entrelaça as brumas dos Açores com o calor do vale do Itabapoana: Francisco Amaro Borba Gonçalves, o ilustre açoriano bonjesuista, nascido exatamente nesta data, em 1953, na Freguesia da Ribeirinha, concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Filho de João Gonçalves Leonardo e Maria da Conceição Borba, cresceu em meio a uma família numerosa, 13 irmãos, dos quais um já falecido e outro radicado nos Estados Unidos. Casado, pai de Juliana e Daniel, Francisco carrega no peito a força da terra natal e a gratidão pela nova pátria que o acolheu.

Sua trajetória educacional começou na Escola Comercial e Industrial de Angra do Heroísmo. Em janeiro de 1978, aos 25 anos, atravessou o Atlântico rumo ao Brasil, fixando-se inicialmente no Rio de Janeiro. Com o tempo, escolheu Casimiro de Abreu como lar, onde se estabeleceu como comerciante agropecuarista, plantando raízes na terra fértil e na comunidade que o abraçou.

Desde os anos 80, integra o quadro social da Casa dos Açores-Rio de Janeiro, onde ocupou cargos na diretoria, incluindo o de 2º vice-presidente nos biênios 2014/2015 e 2016/2017. Sua voz ecoou também na música: como integrante do grupo Tertúlia Açoriana, apresentou-se em diversos palcos, inclusive na Academia Luso-Brasileira de Letras, a convite de Dona Idalina Gonçalves, na presença do Cardeal Dom Orani Tempesta. Foi ali que nasceu uma de suas criações mais queridas: o "Cântico de Oração ao Bom Jesus", uma oração cantada que, em gesto de afeto, dedicou ao Bom Jesus do Itabapoana, como se o Espírito Santo o tivesse guiado até aquele lugar para perpetuar a herança espiritual.

Sua devoção o levou ainda à diretoria da Irmandade da Devoção Particular do Divino Espírito Santo de Vila Isabel, reforçando laços de fé e tradição.

Poeta, escritor, memorialista, compositor e cantor de voz que toca a alma, Francisco segue os passos de seu conterrâneo, o Padre Antônio Francisco de Mello, o "sacerdote poeta" que chegou a Bom Jesus do Itabapoana em 18 de junho de 1899 e ali permaneceu até seu falecimento em 13 de agosto de 1947. Por desígnios divinos, Francisco conheceu essa terra e decidiu honrar sua memória cultural. Em 2019, ingressou na Academia Bonjesuense de Letras, incorporando-se de forma definitiva à vida intelectual e social bonjesuense.

Em agosto de 2024, o município prestou-lhe uma homenagem singular: o local que o hospeda em suas visitas passou a ser chamado Sítio Açoriano, um símbolo vivo da ponte que ele construiu entre as ilhas dos Açores e o interior fluminense.

No dia 13 de agosto de 2025Francisco Amaro esteve presente na inauguração do Monumento em homenagem ao Imigrante Açoriano na praça Governador Portela em Bom Jesus do Itabapoana e encantou a todos com uma interpretação magnífica da canção açoriana Ilhas de Bruma.

No dia 13 de dezembro de 2025, participou do nascimento da Tuna Açoriana, na Casa dos Açores do Rio de Janeiro, não apenas um grupo musical, mas um gesto de pertença, uma afirmação cultural que ecoa ilhas, memórias e afetos no coração da antiga capital do Brasil.

Francisco Amaro Borba Gonçalves é mais que um imigrante: é um farol de identidade cultural, um elo de afetos transatlânticos, um guardião de tradições que ressoam em versos, canções e devoções. Que esta data, seu aniversário, seja repleta de saúde, inspiração e do mesmo afeto que ele distribui generosamente.

Parabéns, Francisco! Que o Bom Jesus e o Divino Espírito Santo continuem a iluminar seu caminho, como você ilumina o nosso.





"HERANÇA DO CORAÇÃO 💖", por Wilma Martins Teixeira Coutinho

 


Há muitos tipos de herança! A herança patrimonial, a herança por um bem físico, a herança por um animal! Ai está o X da questão. 

Fui premiada com essa herança, que tomou posse de minha vida, de meus momentos, de meu amor. 

Essa herança chama-se Chandi, raça Shuwaua ou melhor Chandinha.

É um minúsculo animal, no tamanho, mas cresceu dentro de meu coração ♥️.

Inseparável como companheira. Carinhosa como ninguém.

Minha prima Neusa adotou, vindo do México. 🇲🇽 Morávamos no mesmo prédio, desde a tenra idade,  muito amiga, muito querida. 

Ela adotou, pagando em Euros.

Acontece que minha prima adoeceu, vindo a falecer. 

De imediato ela veio para mim. 

E o amor que nasceu entre nós é incalculável. Ela não se separa de mim em nenhum momento, é a coisa mais gostosa. Sua meiguice é contagiante. Entende todos os gestos. Saudável é inteligente.

Foi uma herança de paz porque não teve competidores.

Ela é amada, ela compõe minha felicidade. 

Que Deus lhe dê muitos anos de vida. 

Viva a Chandinha 🐾.

"VIDA...", por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*" VIDA..."*

''Ontem caminhando pela rua encontrei uma pessoa, ela parou e educadamente me estendeu a mão, retribui o cumprimento e ela me perguntou o que eu estava fazendo com a minha alegria, com meus sorrisos e com os meus sonhos que guardava. Fiquei mudo, sem saber o que responder... Então ela me disse: Não guarde sua alegria, gaste seus sorrisos e realize seus sonhos, o tempo vai passar e um dia ao olhar para traz você só terá saudades do tempo que ainda tinha ânimo, forças e coragem. 

Se virou e estava indo embora, foi quando eu perguntei quem é voce, ela olhou para traz e com um sorriso respondeu: VIDA...''


*" ✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

"O Menino da Lucinha que Virou Major", por Adalto Boechat Júnior

 

Filho de Pirapetinga, Orgulho da Nossa Gente
 

Agostinho Boechat Neto


Da Roda d’Água ao Majorato: A História de um Menino de Pirapetinga

Filho da Lucinha e do Chico. Neto do seu Agostinho e da dona Iracema.

Informações dispensáveis para quem nasceu na Vargem Alegre. Difícil mesmo é explicar que “Neto da Lucinha” é filho da Lucinha.

Formou-se em Medicina em Campos. Foi residente militar, onde se especializou em Terapia Intensiva. Filho e neto de professores e agricultores. Cria da roda d’água e dos ribeirões de Pirapetinga.

Como dizia Carlos Drummond, um menino entre mangueiras.

A casa dos avós sempre foi refúgio nos períodos de férias. Menino-homem, de coração nobre. Pirapetinga tem por ele grande carinho e profunda gratidão, pois nunca mediu esforços para socorrer nossa gente, até mesmo em seus minutos de folga.

Agostinho Neto é aquele homem-menino: fala mansa, voz suave, mas de uma força de saber imensa. Médico intensivista e bombeiro. E, para orgulho da nossa gente, hoje é Major, um menino de se bater continência.

Digo que ele é médico vinte e quatro horas por dia, porque cuidar é da natureza desse menino.

Já vi suas mãos salvando vidas. Já vi essas mesmas mãos consolando pais e mães que perderam filhos, e filhos que perderam pais. Mãos que sustentam, que acolhem, que permanecem.

É um orgulho para Pirapetinga ver que esse menino, criado sob a proteção da mãe e sob as bênçãos da natureza, chegou a Major. Tenho certeza de que, simples como é, não se envaidece. Mas nós, que o amamos… ah, esse orgulho é todo nosso também.

O solo de Pirapetinga é abençoado, pela paisagem física e, sobretudo, pela paisagem humana.

São tantos os adjetivos para Agostinho Neto que não cabem numa única escrita. Chamado de Neto pela maioria. De primo, de amigo, de garoto, de doutor…

Mas, para nós, pirapetinguenses, ele é, antes de tudo, o Neto da Lucinha.

Um menino pra chamar de nosso.





Mês do Padre Mello: Encontro Cultural Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana

 



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

CARNAVAL INESQUECÍVEL: Bloco da Lira Musical da Usina Santa Maria, 7 de fevereiro

 



BOM JESUS, ORGULHO DO MEU BRASIL - SAMUEL XAVIER

 


O futuro da cerâmica em Casimiro de Abreu depende de apoio público



No coração da Fazenda Visconde, em Casimiro de Abreu, o Ateliê Filhos do Barro, sob a batuta inspiradora do Mestre Artesão Daniel de Lima, palpitou com mais uma chama de criação.

Recentemente, o espaço acolheu um workshop inédito de esmaltação de cerâmica, ministrado pelo Mestre Alexander Fleming, reunindo os numerosos artesãos da região, muitos deles formados pelas mãos pacientes e experientes do próprio Daniel.

O poder público municipal de Casimiro de Abreu poderia apoiar esse projeto admirável: a Arte do Agricultor, que leva a arte do barro diretamente aos produtores rurais, entrelaçando o labor da terra com o da criação manual.

No Assentamento da Fazenda Visconde, as oficinas ministradas pelo Mestre Daniel de Lima têm formado gerações de artistas que encontram no barro não só uma técnica, mas uma terapia, uma renda complementar e uma forma de pertencimento. Daniel de Lima, com sua trajetória que atravessa o Nordeste (Tracunhaém como berço de aprendizado) até o Norte Fluminense, personifica essa ponte: ele molda peças e, mais importante, molda olhares e mãos que antes só conheciam o plantio.

As peças que saem dessas mãos, vasos, esculturas, objetos utilitários, carregam o cheiro da roça, o ritmo das estações e a esperança de um turismo que valorize o autêntico. Elas convidam o visitante a tocar o que é local, a levar para casa um pedaço vivo da cultura casimirense.

Por isso, é urgente que o poder público municipal apoie iniciativas como essas. Continuar investindo em capacitação, em materiais, em visibilidade, seja por meio de feiras, exposições ou parcerias como essa com mestres convidados, significa qualificar o artesanato para além do hobby: torná-lo produto atraente, competitivo e sustentável. Um artesanato que atenda ao olhar exigente do turista, que busque autenticidade, durabilidade e narrativa, é também uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento local. Fortalecer esses ateliês é semear o futuro do município: do barro vem a arte, da arte vem a renda, da renda vem a dignidade.

Que o fogo continue aceso na Fazenda Visconde. Que as mãos de Daniel e de seus alunos sigam dançando com a argila. E que Casimiro de Abreu, terra de poetas e de oleiros, siga provando que, do barro, realmente viemos, e, com ele, podemos renascer quantas vezes for preciso.