Vladimir Putin, o presidente da Rússia, não falou de poder, nem de impérios, nem de mapas redesenhados à força. Escorou-se numa ideia antiga, dessas que não envelhecem porque doem sempre no mesmo lugar. Citou um filósofo russo na novela "A Morte de Ivan Ilitch" (1886) e deixou no ar a frase como quem acende um fósforo no escuro:
"É preciso viver por aquilo pelo qual estaria disposto a morrer"
A resposta não era para o repórter. Era para quem escuta. Para quem carrega a vida como quem carrega sacolas demais e nunca para para ver o que realmente importa dentro delas.
Vivemos por hábito. Por medo. Por inércia. Vivemos por coisas que não morreriam conosco, cargos, números, aplausos passageiros. Mas morrer… morrer exige uma escolha limpa. Morrer só vale a pena por algo que sobreviva à nossa ausência: um amor, uma ideia, um sentido.
A frase do filósofo russo não pede heroísmo cinematográfico. Pede honestidade. Pergunta baixo, quase cochichando: se hoje fosse o fim, o que justificaria tudo o que veio antes?
Alguns vivem por pessoas. Outros por palavras. Há quem viva por justiça, por fé, por beleza, por um pedaço de terra ou por um nome que se repete em pensamento antes de dormir. E há os que ainda vivem procurando, o que já é, por si só, uma forma de coragem.
Talvez o objetivo da vida não seja alcançar algo grandioso, mas alinhar o coração com aquilo que não nos deixa fugir. Aquilo que, se perdido, nos faria perder também a nós mesmos.
No fim, a frase não fala sobre morrer. Fala sobre viver com peso suficiente para não ser levado pelo vento.


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