segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Maria Apparecida Dutra Viestel: a Historiadora de Bom Jesus do Itabapoana (IV)

 

Placa da Biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos, antigo Colégio Rio Branco, homenageia perenemente o historiador Antônio de Souza Dutra


A nova camada de informações consolida a biografia de Antônio de Souza Dutra, transformando o relato de Maria Apparecida Dutra Viestel em um registro completo que une a vida pública, a sucessão familiar e a preservação do patrimônio documental de Bom Jesus do Itabapoana.

​Abaixo, o texto integra o destino da Farmácia Normal, a sucessão familiar e o papel crucial do historiador na preservação da imprensa local:

​O Destino de um Legado: Entre a Ciência, a Família e a História

​A narrativa de Maria Apparecida Dutra Viestel avança para além da formação intelectual de seu pai, alcançando o âmago da construção familiar e os sacrifícios feitos em nome do dever. O relato revela que a ligação de Antônio Dutra com a Farmácia Normal foi selada não apenas pelo trabalho, mas por laços de sangue e matrimônio ao casar-se com Alice, filha do Cel. Pedroca.

​O Sacrifício e a Missão

​A trajetória acadêmica de Antônio foi marcada pela responsabilidade familiar. Embora tenha iniciado o curso de Farmácia na Faculdade de Leopoldina (MG), o destino o chamou de volta a Bom Jesus. A doença e o posterior falecimento de seu sogro e mentor fizeram com que ele interrompesse os estudos para assumir as rédeas da farmácia, perpetuando o legado do Cel. Pedroca.

​Maria Apparecida descreve a essência do pai com a clareza de quem conhecia sua alma:

"Meu pai era uma pessoa introvertida e nada social. Ele era devotado ao trabalho, aos livros e à família. Era apaixonado por leitura e por pesquisas."

 

​O Tempo e as Mudanças Geográficas

​A história da Farmácia Normal confunde-se com a própria urbanização da cidade. Em 1948, o progresso exigiu a demolição do prédio original para a abertura da atual Rua República do Líbano. A botica mudou-se para outro endereço contíguo na própria Praça Governador Portela, sob a residência histórica do Cel. Pedroca, onde funcionou até 1980, quatro anos após a partida de Antônio, ocorrida em 14 de fevereiro de 1976. Com a vocação do filho Pedro voltada ao magistério e à política, encerrava-se ali um ciclo de um século de serviços farmacêuticos e debates intelectuais.

​A Árvore Genealógica da Cultura

​O legado de Antônio e Alice floresceu em uma vasta descendência. Do casamento nasceram três filhos: Maria Apparecida, Pedro e Lúcia.

1. Maria Apparecida (casada com Ruimar Viestel): Deu continuidade à história através dos filhos Maria Alice, Miguel, Maria Adelaide, Marco Antônio e Maria Angélica.

2. Pedro (casado com Auta de Oliveira): Pai de Vinícius, Plauto e Pedro Jr.

3. ​Lúcia (casada com Luís Teixeira de Oliveira): Mãe de Laura, Luísa e Luís Antônio.

​Essa linhagem alcançalou uma nova geração, composta por bisnetos como Alice, Raquel, Henrique, Bernardo, Luíza, Rafael, Gabriel, Mateus e Caio, que carregam o DNA de uma família fundamental para a identidade bonjesuense.

O Guardião das Letras

​Para além da farmácia, Antônio Dutra foi o sentinela da memória impressa. Foi ele quem salvou do esquecimento as primeiras edições do primeiro jornal da cidade, o "Itabapoana", fundado em 1906 por Sylvio Fontoura e patrocinado pelo Cel. Pedroca. Esse zelo documental é o que permite que, hoje, a história possa ser contada com exatidão.

​Conclusão: O Enriquecimento pela Vida

​Maria Apparecida sintetiza a existência do pai como uma lição de ética:

"Considero que o legado de meu pai foi o de dignidade e o de servir ao próximo. Para ele, o importante era o enriquecimento com a cultura e com a vida."

​Através das palavras de sua filha, Antônio de Souza Dutra deixa de ser apenas um nome em capas de livros para se tornar o exemplo vivo de que a verdadeira riqueza não se acumula em moedas, mas na preservação do saber e no amor à sua terra e ao seu povo.

Biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos 



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