quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A Família Silveira Sob o Céu de Bom Jesus

Por Gino Martins Borges Bastos

Boanerges Borges da Silveira, Maria do Carmo Teixeira da Silveira e os filhos Badger, Roberto, José Teixeira, o Zequinha, e Dinah, em 1925

Há cidades que guardam histórias.

E há cidades que geram destinos.

Bom Jesus do Itabapoana, entre o verde das montanhas e o murmúrio do rio, viu nascer uma família que transformaria o espaço doméstico em semente de vida pública. No centro dessa constelação estavam Boanerges Borges da Silveira e Maria do Carmo Teixeira da Silveira, a doce e firme Biluca.

Boanerges tinha o porte dos homens que entendem o peso da palavra. Açordescendente, seu nome atravessou o tempo como quem atravessa pontes: com passo seguro e visão adiante. Era homem de convicções, de compromisso com a terra e com sua gente. Ao seu lado, Biluca era o coração da casa, presença de serenidade, fé e estrutura invisível. Se ele representava o rumo, ela era o alicerce.

Da união dos dois nasceu mais que uma família: nasceu um capítulo da história fluminense.

Roberto Silveira e Badger Silveira, governadores, levaram para além das divisas de Bom Jesus o eco das primeiras lições aprendidas no lar. Governar, para eles, não era apenas exercer poder, era honrar uma origem. Em seus gestos públicos, havia sempre algo da educação doméstica: o senso de dever, a escuta, o compromisso com o coletivo.

Zequinha Silveira, deputado federal pelo Paraná, seguiu a trilha da representação política, voz que atravessa plenários mas que tem raiz no quintal da infância. A política, ali, parecia extensão natural da mesa da família, onde se aprendia a dialogar, ponderar e decidir.

E as filhas, Dinah Silveira e Maria da Penha Silveira, completavam o círculo com a mesma dignidade herdada. Em tempos em que a presença feminina na vida pública era menos comum, carregaram consigo a elegância do nome e a força silenciosa de Biluca.

Tudo começou ali, na cidade pequena que ensinou grandeza.

Imagino a casa dos Silveira, no Sítio Rio Preto e na Fazenda São Tomé, como um lugar onde as conversas iam além das paredes, onde o futuro era discutido à luz de lamparinas e sonhos. O pai falando de responsabilidade; a mãe ensinando que firmeza pode caminhar com ternura. E as crianças, ainda sem saber, ensaiando seus próprios papéis na história.

Bom Jesus não lhes deu apenas o berço, deu-lhes horizonte. E eles devolveram à cidade reconhecimento, memória e identidade.

Hoje, quando se pronunciam os nomes Roberto, Badger, Zequinha, Dinah ou Maria da Penha, há sempre um eco que nos leva de volta a Boanerges e Biluca. Porque antes dos cargos vieram os valores. Antes da tribuna, a educação. Antes da história pública, a história íntima.

Algumas famílias constroem casas.

Outras constroem legado.

E sob o céu de Bom Jesus do Itabapoana, o nome Silveira permanece como árvore antiga: raízes profundas na terra natal, ramos que tocaram o Estado inteiro, e sombra que ainda hoje abriga a memória de um tempo em que política era, antes de tudo, vocação.


No dia 7 de agosto, celebraremos os 10 anos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, uma década preservando a memória, a história e o legado de homens públicos que marcaram o Rio de Janeiro.

Será também dia de homenagear a grande família Silveira, carinhosamente conhecida como a Silveirada: raízes firmes em Bom Jesus do Itabapoana, galhos que se estenderam pela vida pública e frutos que continuam a inspirar gerações.

Uma celebração de memória, gratidão e pertencimento. 


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