quinta-feira, 25 de junho de 2026

A Casa do Artesão ARTEBOM em Bom Jesus do Norte

 


À beira da ponte que une dois destinos, Bom Jesus do Norte e Bom Jesus do Itabapoana, existe um lugar onde o tempo ganhou novas cores. Onde antes funcionava o antigo posto fiscal do Estado do Espírito Santo, hoje florescem linhas, agulhas e sonhos tecidos pelas mãos de artesãs que transformam matéria simples em arte.

Ali trabalha Maria Adélia Pereira Barreto Vaillant, conhecida carinhosamente como Gelza. Filha de Gerson Barreto e Vivaldina Pereira da Silva, ela carrega na história até uma curiosidade de nascimento: o pai queria que se chamasse Geiza, mas a mãe preferiu outro caminho. Como os fios que escolhem novos desenhos, a vida também teceu sua própria trama.

Nascida em Bom Jesus do Itabapoana e radicada em Bom Jesus do Norte, Gelza encontrou no artesanato mais que um ofício. Há mais de trinta anos dedica suas mãos ao crochê e ao tricô. Aprendeu pontos e segredos no Rio de Janeiro, mas foi no interior que transformou o aprendizado em paixão permanente.

E paixão, para ela, não conhece descanso. Quem a observa percebe: está sempre criando. A cada hora surge uma nova peça, uma nova flor, uma nova ideia. As mãos parecem conversar com as linhas, transformando novelos em beleza.

Entre suas realizações mais marcantes está a confecção de 500 flores para a Feira dos Municípios em Carapina, neste ano, trabalho que levou junto o orgulho de sua terra e o hino de Bom Jesus, como se cada pétala carregasse um pouco da identidade de seu povo.

Há cinco anos, Gelza e outras quatro artesãs ocupam o espaço cedido pelo Governo do Estado no antigo posto fiscal. O contrato garantiu vida nova ao prédio, que deixou de fiscalizar mercadorias para acolher criatividade, cultura e tradição.

A associação é presidida por Lucinete Proveti e reúne mulheres que compartilham talento e perseverança: Juliana Amâncio, Maria do Carmo, Eliana, Maria das Graças Carvalho e Gelza. Em sistema de revezamento, elas atendem visitantes e mantêm as portas abertas para quem chega em busca de lembranças, presentes ou simplesmente de uma boa conversa.

As vendas seguem seu curso, às vezes mais tranquilas, às vezes mais animadas. Mas elas já aprenderam um segredo que o artesanato ensina todos os dias: quando saem para feiras e eventos, encontram novos olhares e novas oportunidades. E, acima de tudo, aprenderam a não desistir.

Porque cada peça exposta ali conta uma história. Cada ponto de crochê guarda paciência. Cada flor revela cuidado. E cada artesã sabe que, assim como uma ponte liga margens diferentes, o artesanato também une passado e futuro, tradição e esperança.

Na beira da ponte, onde antes havia barreiras e fiscalização, hoje há acolhimento. E no meio de fios, flores e mãos dedicadas, segue sendo tecida a mais bonita das obras: a valorização da cultura de Bom Jesus do Norte.























Nenhum comentário:

Postar um comentário