No Sítio Açoriano, em Bom Jesus do Itabapoana, o pé de abacate transformou-se, por alguns instantes, num verdadeiro canteiro de pássaros. No meio da folhagem abundante, dezenas de pequenas aves pousaram delicadamente, como se houvessem escolhido aquela árvore para celebrar, em silêncio e canto, a beleza da vida.
Eram, em sua maioria, canarinhos-da-terra. Com suas penas amarelas, confundiam-se com as folhas douradas pelo tempo, criando uma imagem de rara beleza. Entre eles, algumas rolinhas repousavam com sua habitual serenidade, compondo um cenário de harmonia e ternura. À primeira vista, era difícil distinguir o que era folha, pássaro ou fruto: tudo parecia fazer parte de uma única obra desenhada pela natureza.
Havia naquele encontro uma beleza única, dessas que não se repetem e que surgem apenas para quem sabe contemplar. O abacateiro já não era apenas árvore: tornara-se abrigo, canteiro vivo, palco de asas e cantos. Cada passarinho parecia um pequeno enfeite criado pela própria natureza, dando movimento, cor e poesia aos galhos.
Por alguns instantes, o tempo pareceu repousar junto com as aves. O Sítio Açoriano ficou mais belo, e o cotidiano ganhou a dimensão de um milagre. Os canarinhos e as rolinhas logo voariam, levando consigo seus cantos e sua graça, mas deixariam na memória a imagem inesquecível de uma árvore que, naquele momento singular, floresceu em pássaros.






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