Na IV Exposição de Artes de Guaçuí, no Espírito Santo, as diferentes maneiras de sentir o mundo encontram abrigo no Teatro Municipal Fernando Torres, em uma realização da Academia Guaçuiense de Letras e Cultura em parceria com o teatro.
Diante de cada obra, o olhar recebe um convite para demorar. Uma linha, uma pincelada, uma textura podem guardar aquilo que as palavras nem sempre alcançam. Quem visita uma exposição leva consigo a própria história; por isso, uma mesma imagem desperta saudades diferentes, ilumina lembranças distintas, toca lugares íntimos de cada pessoa.
Nesta edição, a homenagem a Alvair Costa dá ao encontro um significado especial. O artista participa com uma obra em giz de cera e uma pintura sobre Eucatex. Materiais diferentes acolhem o gesto de suas mãos, tornando possível esse diálogo silencioso entre quem cria e quem contempla. Homenageá-lo diante de suas obras é reconhecer uma trajetória e oferecer ao público a oportunidade de se aproximar de sua sensibilidade.
Ao redor, a diversidade dos trabalhos revela quantos caminhos a criação pode percorrer. O grafite, o óleo sobre tela e a pintura acrílica convivem com o bordado, o crochê e o tricô. Papel, folhas secas, fios e tecidos também encontram seu lugar. Uma folha que poderia desaparecer no chão ganha permanência; um fio, conduzido com paciência, torna-se desenho.
Nas mãos de quem cria, até o que parece pequeno guarda possibilidades de beleza.
Entre as obras de artistas locais, os trabalhos da escola pública EM Anísio Teixeira acrescentam a alegria da descoberta. É comovente imaginar os estudantes encontrando suas criações em um espaço de cultura, diante de outros olhares. Há uma confiança que pode nascer desse encontro: a percepção de que aquilo que se faz com dedicação merece ser visto. Talvez algum deles guarde por muitos anos a lembrança de ter participado desta exposição.
As fotografias das panhadeiras da café trazidas pela convidada especial Isabel Menezes, historiadora de Varre-Sai, ampliam a conversa entre arte e memória. A fotografia preserva um instante, mas, diante de quem a observa, esse instante volta a se mover por dentro. Um detalhe desperta uma pergunta; uma paisagem pode devolver uma saudade. Assim, Varre-Sai aproxima-se de Guaçuí pelo delicado caminho das imagens.
Uma exposição também depende de cuidados que nem sempre aparecem nas obras ou recebem aplausos. Para que as portas se abram, há agendas a organizar, documentos a encaminhar e um prédio a manter. Nesse trabalho cotidiano, merece reconhecimento a atuação eficiente de Elizângela Faria Nogueira, gerente de Cultura da Secretaria de Cultura, responsável pela manutenção do Teatro Fernando Torres e por sua administração, incluindo as agendas e as questões burocráticas. Seu empenho ajuda a assegurar as condições para que artistas e público possam se encontrar.
À Academia Guaçuiense de Letras e Cultura, os parabéns por reunir tantas expressões artísticas e por promover esta homenagem a Alvair Costa. À parceria com o Teatro Fernando Torres e a todos os participantes, o reconhecimento por um evento memorável, que acolhe tanto a experiência dos artistas quanto os primeiros passos de quem começa a criar.
Ao sair da exposição, o visitante encontrará as mesmas ruas por onde chegou. Mas alguma coisa terá mudado em seu olhar. Depois de contemplar uma folha transformada em arte, um fio convertido em desenho ou uma lembrança guardada numa fotografia, a beleza pode começar a aparecer também pelo caminho de casa.
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Que honra fazer parte desse momento, onde a arte é o personagem principal. Viva a arte!
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