Há um cordão invisível, feito de maresia e saudades antigas, que teima em unir as rochas vulcânicas dos Açores às curvas generosas do Rio de Janeiro. Quem olha para o folheto informativo não vê apenas um agrupamento musical; vislumbra uma ponte de afetos suspensa sobre o Atlântico, batizada com o nome de Tuna Açoriana.
O cenário impresso na imagem revela rostos que sorriem com a alma de quem carrega um legado. Trajados com o peso honroso das capas escuras, esses músicos resgatam o sopro da histórica Tuna Terceirense para provar que a tradição não é um cristal estático na estante do tempo, mas sim um rio caudaloso que continua a correr. Nascida em solo fluminense, a Tuna fez-se notar a partir de 2025, transformando a melancolia do fado e a vivacidade do folclore açoriano em um abraço caloroso ao público carioca.
Ali se promove uma fusão harmoniosa: a pureza da açorianidade temperada com o sotaque e o gingado do Brasil. E que bela sinfonia nasce desse encontro! No inventário poético dos seus instrumentos, o arquipélago e o continente dão-se as mãos:
A Viola da Terceira, com seu timbre inconfundível que evoca as brumas das ilhas;
A Guitarra Portuguesa e o Bandolim, dedilhando nostalgias e festas;
Os sopros da Flauta, da Gaita e do Sax Alto, que elevam a melodia aos céus;
O palpitar do Cajon e das Castanholas, trazendo o ritmo telúrico que faz o chão vibrar.
Ouvir a Tuna Açoriana, ou simplesmente ler sobre a sua nobre missão de salvaguarda patrimonial, é compreender que a pátria de um povo é, antes de tudo, a sua cultura. Sob as bênçãos da Casa dos Açores e com o olhar atento voltado para o futuro, esses artistas não deixam morrer a memória das gerações passadas. Pelo contrário, dão-lhe corda, afinam-na e fazem-na cantar bem alto sob o sol do Rio, lembrando-nos de que navegar é preciso, mas cantar a nossa própria história é o que nos mantém verdadeiramente vivos.

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