Há uma revolução silenciosa acontecendo em Bom Jesus do Itabapoana.
Ela não chega com estrondos, não ocupa manchetes nem precisa de holofotes. Chega de mansinho, pelas mãos de crianças e jovens que descobrem, nos instrumentos musicais, uma nova maneira de enxergar o mundo.
Na Lira 14 de Julho, na Lira Operária Bonjesuense, na Sociedade Musical da Usina Santa Maria, nas escolas de música JEMAJ e MusicArt, na Tuna Luso-Bonjesuense, na Orquestra Sinfônica do Vale do Itabapoana, OSVI, e em tantas outras iniciativas, jovens estão aprendendo que uma cidade também pode ser transformada por acordes, melodias, disciplina e sonhos.
O cenário já começa a mudar.
Podemos caminhar pelas ruas de Bom Jesus e, de repente, ouvir o som de um saxofone, o brilho de um trompete, o compasso de uma percussão, a delicadeza de uma melodia. Instrumentos que antes talvez estivessem silenciosos agora encontram mãos jovens para fazê-los cantar.
E não é apenas a paisagem sonora da cidade que se transforma.
Transforma-se a sensibilidade. Transformam-se os sonhos. Transformam-se os lares.
Quando um jovem aprende música, aprende também a ouvir o outro, a respeitar o tempo, a compreender a harmonia, a persistir diante da dificuldade e a descobrir que, para que uma grande música exista, cada nota precisa encontrar o seu lugar.
É uma revolução de humanidade.
Essa notícia jamais chegará aos grandes meios de comunicação. Não será considerada suficientemente grandiosa para ocupar as manchetes dos jornais ou as telas da televisão.
Mas isso pouco importa.
Há coisas que não fazemos para as manchetes.
Fazemos porque acreditamos.
Fazemos porque o coração nos diz que uma criança com um instrumento nas mãos é uma criança diante de possibilidades; que um jovem aprendendo música é um jovem aprendendo a construir o próprio futuro; e que uma cidade que ensina seus filhos a fazer música está, silenciosamente, ensinando-os também a sonhar.
E é justamente assim que as grandes transformações começam: sem barulho, sem discursos, sem aplausos, apenas com uma nota.
Depois outra.
E mais outra.
Até que, um dia, percebemos que a cidade inteira está tocando uma nova canção.
Bom Jesus do Itabapoana está aprendendo a ouvi-la.
E essa canção se chama esperança.

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