terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dr. Carlos Henrique Medeiros e o novo capítulo do Cine Monte Líbano: Bom Jesus cabe num teatro, e sai dele maior

 

 Cine Monte Líbano: o palco onde Bom Jesus volta a sonhar

 


FESTEATRO no Cine Monte Líbano, 1994. Acervo: Maria José Martins, Diretora de Cultura 


O Cine Teatro Monte Líbano é um prédio que guarda a alma de Bom Jesus do Itabapoana. Em suas paredes permanecem vozes, melodias, aplausos e a emoção de encontros que o tempo não consegue apagar. É um patrimônio da memória bonjesuense, palco onde tantas gerações aprenderam a sonhar juntas.

Sua aquisição pelo Dr. Carlos Henrique Medeiros, sócio-proprietário da UniFAMESC, abre um novo capítulo nessa história. A perspectiva de restauração devolve a Bom Jesus do Itabapoana a esperança de reencontrar um espaço cuja grandeza permite acolher peças, concertos e festivais de teatro, fazendo circular pela cidade artistas, públicos e novas possibilidades.

Foi o libanês Merhige Hanna Saad quem deu forma a esse sonho, inaugurando o Cine Monte Líbano em 14 de agosto de 1950. Longe de sua terra natal, plantou em solo bonjesuense uma obra que atravessaria gerações. Com capacidade para mil pessoas e instalações à altura dos grandes teatros da capital, o empreendimento nasceu de um investimento expressivo, de aproximadamente três milhões de cruzeiros, e de uma confiança ainda maior no futuro de Bom Jesus.

Ali, grandes nomes do teatro e da música brasileira encontraram uma plateia receptiva. Sobre o palco, a arte ganhava corpo; nas poltronas, a cidade descobria outras paisagens humanas. Cada espetáculo deixava alguma coisa depois que as luzes se apagavam: uma pergunta, uma lembrança, uma vontade de voltar.
O encerramento das atividades do cinema, em 1989, abriu um período de incertezas. Ao longo dos anos, propostas de recuperação expressaram o desejo de devolver o prédio à vida cultural.

Mesmo após o fechamento do cinema, o palco voltou a brilhar, em outubro de 1994, com o FESTEATRO, o primeiro e único festival de teatro realizado no município. O evento lotou o Cine Monte Líbano e revelou a força do encontro entre Bom Jesus e a arte teatral. A então diretora de Cultura, Maria José Martins, integrou o corpo de jurados e registrou aquele acontecimento, preservando o testemunho de uma plateia que ocupou o espaço com entusiasmo.

Essa memória pode agora inspirar novos começos. Imaginar o retorno de festivais ao palco bonjesuense é imaginar grupos chegando de diferentes cidades, estudantes assistindo à primeira peça, atores locais encontrando oportunidades e famílias reunidas diante de uma história. É reconhecer quanto um teatro pode acrescentar à vida de uma comunidade.

A iniciativa do Dr. Carlos Henrique oferece um caminho concreto para essa retomada. Sua atuação na educação encontra, na recuperação do Cine, uma extensão fecunda: o palco também ensina. Nele, a palavra ganha presença, a sensibilidade se exercita e diferentes experiências humanas se tornam próximas.

Restaurar um espaço dessa dimensão poderá ampliar o horizonte cultural de Bom Jesus e de toda a região. Com capacidade para mil pessoas, o Cine Monte Líbano reúne condições para acolher grandes encontros e fortalecer a presença do município no circuito cultural do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil. Esse potencial poderá se realizar por meio de uma programação contínua e viva, capaz de reunir a produção local e artistas de outras partes do país.

O sonho iniciado por Merhige Hanna Saad ganha, assim, a possibilidade de prosseguir pelas mãos do Dr. Carlos Henrique Medeiros. Entre os dois gestos, separados por décadas, há uma confiança comum: a de que Bom Jesus merece espaços à altura de sua riqueza humana e de sua vocação cultural.

Quando as cortinas voltarem a se abrir, haverá muito a celebrar. O primeiro aplauso levará consigo a gratidão aos que construíram essa história, aos que conservaram sua memória e aos que trabalham para lhe devolver o futuro.

E, diante do palco iluminado, uma nova geração poderá descobrir aquilo que tantas outras já sentiram: existem noites em que uma cidade inteira cabe dentro de um teatro, e sai dele maior

Ajude a identificar as pessoas presentes nas fotografias

A memória também se preserva com a participação de quem fez parte dela. O Jornal O Norte Fluminense convida os leitores que se reconhecerem nas fotografias, ou identificarem alguém nelas, a encaminhar os nomes e suas lembranças para onortefluminense@hotmail.com, contribuindo para registrar os rostos e as histórias que dão vida à trajetória do Cine Monte Líbano.


FESTEATRO no Cine Monte Líbano, 1994. Acervo: Maria José Martins, Diretora de Cultura, que está sentada em primeiro plano, vestindo blusa estampada e saia em tom salmão 







Um comentário:

  1. E a história fortalecendo o presente, e construindo o futuro.
    Parabéns a todos os envolvidos.

    Saudações Bom-Jesuenses

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