O Abraço do Tempo no Estande de Apiacá
Quem caminha pelos corredores movimentados da Feira dos Municípios Capixabas busca, quase sempre, o paladar das montanhas ou o artesanato do litoral. Mas há momentos em que a feira deixa de ser apenas um mercado de encantos e se torna um portal de memórias. É o que se sente ao parar diante do pavilhão de Apiacá, um cenário de afetos belamente eternizado pelas fotos de José Antônio Alvarenga Borges.
Sob a inscrição sóbria que batiza o espaço, o olhar sensível do fotógrafo capturou muito mais do que um balcão de negócios; registrou a essência do trabalho cuidadoso da Prefeitura de Apiacá. Sob a liderança e a sensibilidade do secretário municipal de Artes, Cultura e Turismo, Sávio Máximo Ribeiro, o município conseguiu traduzir sua rica identidade em um mosaico de vivências. Ali, o aroma convidativo do Café Mozella e o sabor acolhedor da Maionese D’Casa dividem a atenção dos visitantes com o colorido do artesanato local. Mas o verdadeiro coração desse cenário bate um pouco mais ao fundo, onde a história ganha contornos de madeira e telha.
O Refúgio da Memória: A Casa dos Açores e Francisco Amaro
À esquerda do estande, há um convite a admirar uma singela e imponente réplica arquitetônica. É a presença da CAES, Casa dos Açores do Espírito Santo, fincada ali pela gestão cultural do município como um abraço do passado no presente. Suas paredes de madeira em tom de brasa, as janelas quadriculadas e o telhado colonial evocam uma nostalgia que atravessou o oceano para deitar raízes nas terras capixabas.
Ali, sob o enquadramento atento de José Antônio Alvarenga Borges, vemos o açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves. Trajando seu colete e sua inconfundível boina, ele atende a uma mesa antiga, parecendo saído de outra época para fiar o tempo e contar histórias de além-mar. Esse resgate, impulsionado pela secretaria conduzida por Sávio Máximo Ribeiro, mostra que a pequena casa e a presença viva de Francisco Amaro não são meros elementos decorativos; eles conferem ao estande uma atmosfera de lar ancestral. O topo do móvel vizinho exibe orgulhosamente a miniatura de uma caravela e pequenas bandeiras, lembranças indeléveis dos navegantes que trouxeram sua cultura, sua fé e sua resiliência para o sul do estado.
O Abraço que Traduz o Espírito Capixaba
Mais do que as texturas, os produtos ou a arquitetura, o lirismo se consolida no gesto humano que o fotógrafo soube flagrar no instante exato. Bem no centro do estande, duas pessoas se fundem em um abraço caloroso e demorado, alheias ao movimento ao redor. Um homem de camiseta laranja as observa com a paciência de quem reconhece a sacralidade daquele reencontro.
Através das fotos de José Antônio Alvarenga Borges, esse abraço se torna a síntese da feira e da própria filosofia que a Prefeitura busca transmitir: Acolhimento: A hospitalidade que transforma um estande de eventos na sala de visitas de uma autêntica casa açoriana. Identidade: A união profunda entre a herança cultural dos Açores, representada por figuras como Francisco Amaro, e o calor do povo apiacaense. Partilha: O espaço onde o turismo, o café passado na hora, o artesanato e as velhas memórias se encontram para celebrar a vida.
Ao final, o esforço conjunto da Prefeitura de Apiacá, a visão de Sávio Máximo Ribeiro, a presença marcante de Francisco Amaro Borba Gonçalves e o registro poético de José Antônio nos lembram que o verdadeiro patrimônio de um município não se mede apenas em sua produção, mas na capacidade de manter vivas as suas origens e de receber a todos com o aconchego de um lar de portas sempre abertas.












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