“Não tenhas pressa, porque onde tens de ir é a ti mesmo.”
Vivemos, muitas vezes, como viajantes atrasados. Corremos para alcançar compromissos, sonhos, lugares e pessoas. O relógio nos persegue, o mundo nos apressa e a vida parece uma sucessão de partidas. Entretanto, quanto mais depressa seguimos, maior é o risco de deixarmos para trás justamente aquele que deveria acompanhar toda a viagem: nós mesmos.
Chegar a si próprio exige tempo. É preciso atravessar lembranças, reconhecer cicatrizes, perdoar antigas escolhas e acolher as imperfeições que também fazem parte de nossa história. Há portas interiores que somente se abrem devagar, quando o coração silencia e aprende a escutar a própria voz.
A verdadeira viagem não é aquela que nos leva para longe, mas a que nos devolve ao centro de nossa existência. Nesse percurso, cada alegria é uma flor encontrada à margem da estrada; cada sofrimento, uma pedra que nos ensina a caminhar com mais cuidado; cada saudade, uma luz acesa indicando de onde viemos.
Não tenhamos pressa. A alma não obedece aos ponteiros. Ela floresce em seu próprio tempo, como um jardim que não se deixa apressar pelas mãos humanas. O destino não está depois da próxima curva, mas dentro de nós, esperando pacientemente o instante em que teremos coragem de nos reconhecer.
E, quando finalmente chegarmos, poderemos descobrir que não estivemos perdidos. Apenas percorremos o longo caminho necessário para voltar para casa.

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