sábado, 19 de setembro de 2026

O Brasil reencontra o caminho em Samarcanda

 


O Brasil retornou aos tabuleiros de Samarcanda neste 19 de setembro.

Depois das derrotas sofridas na rodada anterior, as equipes brasileiras chegaram à quarta jornada da Olimpíada de Xadrez trazendo na bagagem não apenas a necessidade da vitória, mas também o desafio de reconstruir a confiança. E, diante dos relógios em movimento, nossos enxadristas mostraram que as quedas não encerram as caminhadas: apenas revelam a grandeza daqueles que sabem se levantar.

No absoluto, o Brasil venceu a África do Sul por 2½ a 1½. Foi uma vitória apertada, conquistada casa por casa, lance por lance, com a tensão própria dos confrontos nos quais qualquer descuido pode mudar o destino de uma equipe inteira. Após o surpreendente revés diante do Quirguistão, os brasileiros reencontraram o equilíbrio e devolveram ao tabuleiro a firmeza de quem se recusa a permanecer vencido.

Com o resultado, o Brasil chegou aos cinco pontos de match. A 63ª colocação ainda está distante das ambições de uma equipe talentosa, mas toda recuperação começa por um primeiro passo, ou, no xadrez, por um lance preciso no momento certo.

No feminino, a reação brasileira foi ainda mais luminosa. A vitória por 3 a 1 sobre a Islândia teve a serenidade das auroras que surgem depois de uma noite difícil. Após a derrota para a Inglaterra, nossas enxadristas não permitiram que o desalento atravessasse a porta da rodada seguinte. Sentaram-se diante dos tabuleiros e transformaram a adversidade em concentração, coragem e vitória.

As brasileiras alcançaram seis pontos de match e ocupam a 35ª colocação, mantendo-se vivas e bem posicionadas na longa caminhada da Olimpíada.

Samarcanda, cidade moldada por antigas rotas e encontros de civilizações, assistiu hoje à passagem de outra caravana: a da esperança brasileira. Não levava sedas nem especiarias, mas reis, damas, torres, bispos, cavalos e peões, pequenas figuras carregando sobre si o peso e o sonho de uma nação.

O saldo do dia foi profundamente positivo: duas vitórias coletivas e uma certeza renovada. No xadrez, como na vida, não somos definidos apenas pelos tombos sofridos, mas sobretudo pela dignidade com que retornamos à luta.

Hoje, em Samarcanda, o Brasil voltou a caminhar. E, sobre as 64 casas, reacendeu-se o verde e amarelo da esperança.

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