Nesta sexta-feira, 18 de setembro, durante a terceira rodada da Olimpíada de Xadrez, disputada em Samarcanda, no Uzbequistão, os tabuleiros brasileiros pareciam cobertos de névoa espessa.
No torneio absoluto, o Brasil sentou-se diante do Quirguistão carregando o peso do favoritismo. Pelos números, pelos títulos e pela experiência de seus jogadores, esperava-se que a bandeira verde e amarela atravessasse a rodada com segurança. Mas o xadrez não se curva às previsões. Cada partida começa como uma folha em branco, e nem sempre a história escrita sobre as 64 casas respeita aquilo que os números anunciaram.
Luis Paulo Supi empatou. Alexandr Fier também dividiu o ponto. André Diamant manteve o equilíbrio. Três empates ergueram uma frágil ponte sobre o abismo. No último tabuleiro, porém, Diego Di Berardino foi derrotado por Timur Daudov, enxadrista de rating consideravelmente inferior. Foi ali que a ponte se rompeu e o Quirguistão venceu por 2½ a 1½.
O resultado caiu como uma pedra sobre as esperanças brasileiras. O país que ocupava posição muito superior na hierarquia do xadrez mundial viu-se superado por uma equipe que chegou à mesa sem o peso do favoritismo, mas com a coragem de quem nada tem a perder. E aí reside uma das mais antigas lições do xadrez: diante do tabuleiro, não existem gigantes invencíveis nem adversários insignificantes. Existem apenas jogadores, escolhas e consequências.
Na competição feminina, a Inglaterra confirmou sua superioridade e derrotou o Brasil por 3 a 1. Juliana Terao, Julia Alboredo e Agatha Nunes lutaram, mas não conseguiram conter o avanço inglês. Em meio à tarde difícil, contudo, brilhou a vitória de Kathie Librelato sobre a experiente mestre internacional Jovanka Houska.
Kathie foi a pequena chama brasileira acesa em meio à escuridão da rodada. Enquanto três pontos escapavam, ela permaneceu diante do tabuleiro, construindo sua vitória lance após lance. Seu triunfo não alterou o resultado coletivo, mas impediu que a esperança fosse inteiramente derrotada. Às vezes, uma única vitória individual é suficiente para lembrar a toda uma equipe que ainda há caminhos a percorrer.
Samarcanda, cidade do Uzbequistão atravessada durante séculos por caravanas, mercadores e viajantes da antiga Rota da Seda, testemunhou neste dia a passagem amarga das equipes brasileiras. No xadrez, entretanto, nenhuma derrota é morada definitiva. Ela é apenas uma estação silenciosa onde se recolhem lições antes que a viagem prossiga.
O Brasil deixou a terceira rodada ferido no absoluto e no feminino. Mas uma Olimpíada é uma longa travessia. Ainda restam tabuleiros a enfrentar, posições a reconstruir e manhãs capazes de apagar as sombras de uma tarde infeliz.
No xadrez como na vida, perder uma batalha não significa abandonar o sonho. Quando as peças forem novamente colocadas em suas casas, haverá outra vez 64 campos de possibilidades, e a esperança brasileira estará sentada diante deles.
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| A caça com águias-douradas treinadas é uma tradição milenar de povos nômades da Ásia Central preservada com muito orgulho no Quirguistão |


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