sábado, 12 de setembro de 2026

A Festa da Nova Bom Jesus: o melhor da festa estava fora do palco

 

Neilar: a festa cuidada com coração de mãe


O melhor da festa de uma comunidade raramente está escrito na programação oficial. Não aparece nos horários dos shows nem ocupa os espaços de maior destaque nos cartazes. Muitas vezes, o que há de mais bonito encontra-se nos acontecimentos aparentemente simples: uma criança com algodão-doce nas mãos, um encontro inesperado, um gesto de solidariedade ou uma história de transformação que passa silenciosamente diante de nossos olhos.

Na tarde deste sábado, o jornal O Norte Fluminense esteve na comunidade da Nova Bom Jesus, onde acompanhou um concorrido bingo organizado por Regina Fernandes. Enquanto os adultos conferiam atentamente suas cartelas, uma fila de crianças se formava para receber algodão-doce. Naquele cenário de alegria, algumas delas vestiam camisas do projeto Reis e Rainhas da Rua.

Foi assim, quase por acaso, que o jornal encontrou uma das mais belas histórias da festa.

O projeto, dedicado ao atletismo de corrida, é organizado por João Vitor, Tainara, carinhosamente conhecida como Tata, e Marcela. Atualmente, reúne cerca de 40 crianças, que participam de treinamentos todos os sábados, realizados na Praça da Usina Santa Isabel ou na Praça da Nova Bom Jesus.

Mais do que uma atividade esportiva, cada treinamento transforma-se em uma pequena celebração. Há corrida, convivência, amizade e a partilha de lanches. Há, sobretudo, a construção de sonhos.

No início do projeto, algumas crianças corriam descalças. Hoje, graças às doações recebidas e ao apoio de pessoas sensíveis à iniciativa, elas possuem tênis e melhores condições para participar das competições. Quando há corrida na região, os jovens atletas seguem para representar a comunidade.

E já não voltam apenas com a alegria de terem participado. Alguns começam a ocupar os pódios e a conquistar títulos, como Iuri e Mateus, exemplos de que o incentivo recebido no momento certo pode mudar o caminho de uma criança.

Cada tênis doado representa muito mais do que um calçado. É uma possibilidade colocada nos pés de quem deseja avançar. Cada lanche oferecido é também uma forma de cuidado. E cada medalha conquistada pertence não apenas ao atleta, mas a todos aqueles que acreditaram que uma criança da comunidade poderia correr, competir e vencer.

Durante a visita, O Norte Fluminense encontrou também a presidente da Associação de Moradores e Amigos da Nova Bom Jesus, Neilar Chemer Barreto da Silva Almeida. Depois de exercer por duas vezes a vice-presidência, Neilar encontra-se em seu segundo mandato como presidente da entidade.

É ela a liderança que organiza a festa da comunidade com a dedicação e o cuidado de uma mãe, contando com o apoio da Prefeitura Municipal de Bom Jesus do Itabapoana.

Ao avaliar o festejo, Neilar destacou a participação dos moradores:

“Está muito boa. A comunidade está chegando junto. É uma comunidade carente e precisa ter o seu dia comemorado com festejo e alegria. É bonito ver o brilho no olhar de cada criança e de cada adulto durante a festa.”

Suas palavras traduzem o verdadeiro sentido da celebração. Uma comunidade não festeja apenas para se divertir. Festeja também para afirmar que existe, que possui identidade, que merece atenção e que continua unida apesar das dificuldades.

Também estiveram presentes Enzo Campos, representante da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo; André Luiz de Oliveira, presidente do Instituto de Menores Roberto Silveira; e integrantes da Guarda Municipal, colaborando para a realização e a segurança do evento.

Ao deixar a Nova Bom Jesus, o jornal levou consigo mais do que o registro de um bingo, de uma fila de algodão-doce ou de uma programação festiva. Levou a imagem de crianças que antes corriam descalças e que agora calçam tênis, sobem aos pódios e aprendem que também podem ser campeãs.

O melhor de uma festa comunitária não está apenas no palco. Está na praça, nos encontros, na solidariedade e no brilho dos olhos. Está em cada criança que descobre, entre uma corrida e outra, que o futuro pode começar com um simples passo, e que, quando uma comunidade corre unida, ninguém precisa ficar para trás.























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