domingo, 13 de setembro de 2026

Ademir de Souza: do berço bonjesuense aos palcos de Niterói


O menino de Bom Jardim e o compositor de tantos sonhos


A trajetória de Ademir Francisco de Souza é assim: começa em um lugar pequeno mas carrega a vocação de alcançar horizontes imensos.  Bonjesuense nascido em Bom Jardim, distrito de Bom Jesus do Itabapoana, transformou as lembranças de sua origem, as experiências da vida e os sentimentos guardados no coração em matéria-prima para suas canções.

O cartaz do espetáculo “Falas Faladas / Músicas Cantadas” parece abrir as cortinas não apenas para uma apresentação artística, mas também para a celebração de uma caminhada. No centro dessa realização está Ademir de Souza, compositor que deseja revelar ao público os caminhos secretos da criação musical: a maneira como um olhar, uma palavra, uma saudade ou um acontecimento aparentemente simples podem converter-se em verso, melodia e emoção.

Inspirado em fragmentos de seu livro Explicando as Canções, o espetáculo mostra que uma música não nasce somente das notas. Antes de ser cantada, ela é vivida. Nasce das pessoas que encontramos, das histórias que escutamos, dos amores que permanecem, das perdas que nos ensinam e dos sonhos que se recusam a desaparecer. Como bem anuncia o cartaz, “a música une pessoas, histórias e sonhos”.

No dia 26 de setembro de 2026, em Niterói, Ademir reunirá artistas independentes em duas sessões dedicadas à cultura, à música e à arte. Cada participante levará ao palco sua voz, seu talento e sua própria história. Contudo, entre as luzes, os acordes e os aplausos, haverá também uma presença invisível e profundamente afetiva: Bom Jardim.

A terra natal acompanha aqueles que dela partem. Pode esconder-se numa lembrança da infância, no jeito de falar, na sensibilidade diante da vida ou na saudade que, de repente, se transforma em canção. Ademir deixou Bom Jardim ainda muito pequeno, seguindo para São Gonçalo, mas Bom Jardim nunca o deixou. Permaneceu como raiz silenciosa, sustentando a árvore de sua existência e florescendo, muitos anos depois, em sua produção artística.

Quando Ademir de Souza subir ao palco, não estará sozinho. Com ele subirá também a memória de seu distrito natal, com seus caminhos, seus horizontes e sua gente. E Bom Jesus do Itabapoana poderá reconhecer, naquele compositor, um de seus filhos levando para outros lugares a força criadora da terra bonjesuense.

Existem pessoas que fazem da arte uma ponte. Ademir é uma delas. De um lado está o menino nascido em Bom Jardim; do outro, o compositor, escritor e produtor cultural que reúne artistas e transforma histórias em música. Entre ambos corre a mesma sensibilidade, como um rio que atravessa o tempo sem perder a nascente.

O espetáculo será realizado em Niterói, mas sua primeira nota terá o perfume da terra onde Ademir nasceu. Porque, por mais distante que esteja o palco, toda verdadeira canção sabe regressar às suas origens.

E, nessa tarde de setembro, quando as falas forem faladas e as músicas, cantadas, Bom Jardim também estará presente, não apenas como um ponto no mapa, mas como a primeira página da história de um bonjesuense que fez da vida uma canção e da arte um caminho de encontro, fraternidade e esperança.




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