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| Dra Nísia Campos |
O jornal A Voz do Povo pertence à linhagem das públicações que atravessam o tempo, recolhem a alma de uma comunidade e se tornam parte inseparável de sua história.
Fundado por Osório Carneiro em 6 de setembro de 1930, o periódico nasceu em um momento decisivo da vida nacional e bonjesuense. Seu fundador, natural de Laje do Muriaé, era uma das figuras mais expressivas da sociedade local. Pouco depois, em 16 de outubro daquele mesmo ano, seria nomeado “autoridade de fato” pelas forças revolucionárias de 1930, recebendo amplos poderes e o apoio material dos revoltosos.
Após uma primeira fase de curta duração, Osório Carneiro fez o jornal renascer em 5 de agosto de 1933. Desde então, A Voz do Povo jamais deixou de circular. As décadas passaram, as gerações se sucederam e o mundo se transformou, mas a velha voz permaneceu firme, como um sino que continua a anunciar as alegrias, as lutas, as dores e as esperanças de Bom Jesus do Itabapoana.
Suas páginas participaram ativamente da campanha pela segunda emancipação político-administrativa do município, concretizada em 1º de janeiro de 1939. Não foram, portanto, páginas silenciosas. Foram trincheiras de ideias, espaços de resistência e instrumentos de construção da consciência bonjesuense.
Nelas escreveram nomes como Padre Mello, Octacílio de Aquino, Romeu Couto, Élcio Xavier e Athos Fernandes, verdadeiros “monstros sagrados” de nossa literatura, autores que elevaram o pensamento e a cultura de Bom Jesus a alturas comparáveis às dos grandes escritores do país.
Mas um jornal não atravessa quase um século apenas pela força de seu passado. Para permanecer vivo, precisa encontrar, em cada geração, mãos dispostas a protegê-lo, corações capazes de amá-lo e espíritos corajosos que compreendam a grandeza de sua missão.
É nesse ponto que se destaca a atuação luminosa da Dra. Nísia Campos.
Incansável idealista, intelectual sensível e visionária, Nísia não apenas redige um jornal: ela ajuda a sustentar uma herança. Em suas mãos, as páginas de A Voz do Povo continuam sendo território de memória, cultura e esperança. Cada edição que chega aos leitores representa uma vitória contra o esquecimento, uma afirmação da identidade bonjesuense e um gesto de fidelidade àqueles que, desde Osório Carneiro, acreditaram no poder transformador da palavra.
Manter um jornal tradicional em circulação, em tempos de tantas mudanças e dificuldades para a imprensa escrita, é um ato de coragem. É quase um sacerdócio. Exige dedicação, sacrifício, perseverança e, sobretudo, amor. E é esse amor por Bom Jesus que se percebe na caminhada da Dra. Nísia Campos.
Ao lado da dedicada secretária Regina Lúcia e do diretor Michel Saad, ela persevera com o mesmo vigor dos fundadores, defendendo o ideal de uma Bom Jesus do Itabapoana próspera, consciente de sua história e culturalmente desenvolvida.
Se Osório Carneiro deu voz ao povo, Nísia Campos impede que essa voz se cale.
Ela mantém acesa uma chama que já iluminou a emancipação do município, acolheu os grandes nomes de nossa literatura e registrou a marcha de sucessivas gerações. Enquanto houver alguém disposto a abrir essas páginas, Bom Jesus poderá ouvir nelas o rumor de seu passado, a inquietação de seu presente e a esperança de seu futuro.
O Norte Fluminense, fundado por Ésio Bastos em 25 de dezembro de 1946, saúda fraternalmente A Voz do Povo por sua trajetória histórica. E saúda, de maneira especial, a Dra. Nísia Campos, guardiã de uma das mais preciosas tradições da imprensa bonjesuense.
Preservar um jornal é preservar a memória de um povo.
E enquanto Nísia Campos continuar empunhando sua pena, A Voz do Povo continuará fazendo justiça ao próprio nome: será a voz que resiste, a voz que recorda, a voz que acredita, a voz que o tempo jamais conseguiu silenciar.
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| No dia 6 de setembro, o icônico jornal A Voz do Povo, fundado por Osório Carneiro em 1930, completou 96 anos de existência. |



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