Uma escola é sempre uma casa de esperança
"O xadrez tornou-se um verdadeiro dever moral" (Leontxo García)
Uma escola é sempre uma casa de esperança.
É o lugar onde a sociedade deposita, nas mãos das novas gerações, aquilo que possui de mais precioso: o conhecimento, a memória, os valores e a possibilidade de construir um futuro melhor.
Na manhã deste 19 de setembro, às 9 horas, o Colégio Estadual Padre Mello abriu mais uma janela para esse futuro ao inaugurar sua Sala de Xadrez. Ali, entre tabuleiros, relógios e peças cuidadosamente dispostas, não nasceu apenas um novo espaço pedagógico. Nasceu uma promessa.
São somente 64 casas. Mas, dentro delas, cabe um universo inteiro.
A iniciativa revela a visão e a sensibilidade da diretora Nathyara Teixeira dos Santos, do Dr. Marcos Cândido Mendonça, coordenador pedagógico da instituição, e do professor de xadrez Fábio Sousa Vargas.
Eles compreendem que educar não significa apenas transmitir conteúdos, mas também despertar consciências, formar personalidades e ensinar os jovens a fazer escolhas.
O Colégio Estadual Padre Mello está com os olhos voltados para o amanhã e demonstra a coragem de quem sabe que toda grande transformação começa, quase sempre, com um gesto aparentemente simples.
Ao fazer uso da palavra durante a cerimônia, a diretora não falou somente sobre a inauguração de uma sala. Falou sobre portas que se abrem, sonhos que encontram morada e estudantes que passam a receber uma nova oportunidade de crescimento humano e intelectual.
Também merece especial reconhecimento o Dr. Marcos Cândido Mendonça, coordenador pedagógico da instituição. Homem de Guaçuí que oferece seu inestimável trabalho a Bom Jesus do Itabapoana, ele representa, nessa história, uma bonita ponte entre duas cidades.
Há, no encontro entre Dr Gino e Dr Marcos, uma curiosa e comovente reciprocidade. Marcos nasceu em Guaçuí e oferece seu trabalho a Bom Jesus. Gino nasceu em Bom Jesus e dedica sua missão profissional a Guaçuí.
São caminhos que se cruzam como diagonais de um tabuleiro, unindo duas cidades e duas histórias.
“Bom Jesus é o lugar onde comecei. Guaçuí é o lugar de minha missão”, afirmou Gino.
Bom Jesus do Itabapoana vive nele como raiz, memória e saudade. Guaçuí vive como missão, compromisso e gratidão. Bom Jesus lhe deu o berço; Guaçuí lhe confiou uma missão. Uma é seu amor de nascimento; a outra, seu amor de caminhada.
O verdadeiro amor não se reparte. Multiplica-se.
E foi justamente em Bom Jesus, na escola que leva o nome do inesquecível Padre Antônio Francisco de Mello, que essa geografia afetiva encontrou mais uma de suas expressões: um homem de Guaçuí servindo à educação bonjesuense e um bonjesuense reconhecendo publicamente o amor que recebeu do povo guaçuiense.
A Sala de Xadrez também traz a marca do trabalho perseverante do professor Fábio Sousa Vargas. Presidente e instrutor do Clube de Xadrez Bom Jesus do Norte, Fábio não ensina apenas o movimento das peças. Ele mostra aos jovens que nenhuma partida é construída sem paciência, disciplina, estudo e respeito.
Em suas mãos, o tabuleiro deixa de ser um objeto silencioso e passa a falar. Cada peão anuncia uma possibilidade; cada cavalo inaugura um caminho inesperado; cada torre recorda a importância da firmeza; cada bispo ensina a enxergar à distância; e a dama e o rei revelam que até as peças mais poderosas dependem da harmonia do conjunto.
O trabalho do professor Fábio constitui uma semeadura. Talvez nem todos os estudantes se tornem campeões de xadrez, mas todos poderão levar consigo alguma lição aprendida diante do tabuleiro: pensar antes de agir, assumir as consequências de uma escolha, respeitar o adversário e recomeçar depois de uma derrota.
Também integram essa construção os professores Roberto Cremonez Vogas, Rondinelli Pacheco Kort Kamp, Úrsula Cilene da Silva de Oliveira e José Renato Paveis Coelho. São educadores que compreenderam que ensinar xadrez a uma criança ou a um jovem é também ensiná-los a pensar.
Durante a solenidade, fez uso da palavra a Dra. Nísia Campos, que narrou parte da trajetória de Gino desde a época em que foram vizinhos. Ela recordou que Gino costumava ir à sua casa para jogar xadrez com seu pai, o inesquecível Hildebrando.
Também se pronunciaram o professor Fábio Vargas, o Dr. Marcos Cândido Mendonça e o Dr. Gino Bastos. Cada pronunciamento acrescentou uma peça a esse momento histórico, compondo uma partida cujo verdadeiro objetivo não era derrotar alguém, mas fazer vencer a educação.
O antigo Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro adotava um lema simples, mas profundamente inspirador:
“Leva o xadrez, traz o amigo.”
Talvez poucas frases traduzam tão bem o espírito da sala agora inaugurada. O estudante chegará atraído pelo jogo e poderá sair levando uma amizade. Sentará diante de um adversário e descobrirá alguém que também pensa, sonha, teme, erra e recomeça. Aprenderá que competir não significa destruir o outro, mas crescer com ele.
Para o jornalista espanhol Leontxo García, promover o xadrez tornou-se quase uma obrigação, um verdadeiro dever moral, diante de uma sociedade marcada pelo uso excessivo das redes sociais, pela reprodução automática de informações e pelo enfraquecimento do pensamento crítico.
No tabuleiro, não existe a facilidade do “copiar, colar e enviar”. Cada jogador precisa pensar por si mesmo, analisar possibilidades, prever consequências, adaptar seus planos e assumir a responsabilidade por suas decisões.
O xadrez é, assim, uma escola de valores.
Ensina a vencer com respeito e a perder com dignidade. Ensina a reconhecer o próprio erro sem procurar culpados. Ensina a compreender o pensamento do adversário, exercitando a empatia, a autocrítica e a inteligência emocional. Mostra que, algumas vezes, é preciso recuar hoje para avançar amanhã.
É também uma poderosa ginástica para a mente. Estimula a memória, a concentração e o raciocínio; favorece a formação dos jovens e contribui para um envelhecimento mental mais saudável. Em um mundo que se transforma rapidamente, ensina flexibilidade, serenidade e capacidade de reconstruir estratégias diante do inesperado.
Por isso, promover o xadrez significa oferecer às pessoas de todas as idades um instrumento de desenvolvimento intelectual, equilíbrio emocional, convivência respeitosa e proteção da saúde mental.
Mas a maior beleza da Sala de Xadrez do Colégio Estadual Padre Mello ainda não estava inteiramente presente na cerimônia de inauguração. Ela aparecerá pouco a pouco, nos próximos dias, quando os estudantes ocuparem suas mesas.
A sala pertence ao aluno que hoje talvez ainda não saiba movimentar uma peça, mas amanhã descobrirá a beleza de uma combinação. Pertence à menina e ao menino que encontrarão ali novos amigos. Pertence ao jovem que aprenderá, diante de uma derrota, que perder uma partida não significa perder a caminhada.
Ela não pertence a um nome gravado em uma placa. Pertence aos estudantes. Pertence ao futuro. Pertence à educação pública de Bom Jesus do Itabapoana.
Após a solenidade, teve início o Torneio Bom Jesus de Xadrez Clássico, abrilhantado pela presença do Mestre FIDE Diogo Duarte Guimarães, campeão de Santa Catarina. Era como se a nova sala, mal tendo aberto suas portas, já começasse a cumprir sua missão, reunindo gerações, experiências e sonhos em torno do tabuleiro.
A TV Alcance, por meio de Isac Nascimento, também esteve presente, registrando para a memória coletiva um acontecimento que merece ultrapassar os muros da escola.
Nesta manhã, o Colégio Estadual Padre Mello realizou muito mais do que uma inauguração. A diretora Nathyara Teixeira, o Dr. Marcos Mendonça, o professor Fábio Vargas e todos os educadores envolvidos fizeram uma declaração pública de confiança na juventude.
Disseram, por meio de seus atos, que vale a pena ensinar a pensar. Que vale a pena oferecer aos jovens um espaço de concentração em meio ao ruído do mundo. Que vale a pena acreditar na escola pública como território de inteligência, sensibilidade e transformação.
O xadrez nos oferece uma das mais belas lições da existência: enquanto houver uma posição diante de nós, haverá algo a pensar, algo a tentar e algo a construir.
Agora, no coração do Colégio Estadual Padre Mello, existem 64 casas abertas à esperança.
E nelas começa uma partida cujo prêmio maior não será um troféu, uma medalha ou um título.
Será a formação de seres humanos mais conscientes, serenos, responsáveis e preparados para fazer seus próprios lances diante da vida.
O xadrez é muito mais do que um jogo.
É uma escola dentro da escola.





































Gostei muito de ler tudo que foi informado sobre o jogo de xadrez.
ResponderExcluirParabéns aos estudantes e a todos os professores instrutores. ONRIGADO DE VERDADE.
Ao mestre Dr. Gino, um abraço forte e a minha sempre admiração.
ResponderExcluirO Xadrez amplia a capacidade intelectual de quem prática.
ResponderExcluir