Neste 21 de setembro, enquanto o sol descia sobre as cúpulas azuis de Samarcanda, o Brasil voltou a mover suas peças na 46ª Olimpíada de Xadrez. No coração do Uzbequistão, onde antigas caravanas atravessavam a Rota da Seda, nossos enxadristas percorrem agora outros caminhos: os silenciosos e imprevisíveis caminhos das 64 casas do tabuleiro.
Na competição absoluta, o Brasil enfrentou a Bélgica em um duelo marcado pelo equilíbrio. Luís Paulo Supi abriu uma clareira de esperança ao derrotar Sim Maerevoet, demonstrando precisão e firmeza. Alexandr Fier, contudo, foi superado por Elias Ruzhansky, e os empates de Diego Di Berardino e Roberto Molina completaram o placar de 2 a 2.
Após seis rodadas, a equipe brasileira soma 8 pontos de match, resultado de três vitórias, dois empates e uma derrota, ocupando a 54ª colocação. A campanha tem sido feita de avanços, tropeços e reconstruções, como ocorre em toda grande partida, na qual nenhuma posição é definitiva enquanto ainda houver coragem para procurar o melhor lance.
Mas foi a equipe feminina que iluminou de verde e amarelo a jornada desta segunda-feira. Diante do Paraguai, as brasileiras conquistaram uma vitória perfeita por 4 a 0. Clara Dias, Juliana Terao, Julia Alboredo e Kathie Librelato venceram suas partidas e fizeram das quatro mesas um só território brasileiro.
Não houve brecha, hesitação ou ponto perdido. Em cada tabuleiro, uma vitória; em cada vitória, a afirmação da força e do talento das enxadristas brasileiras. Foi uma apresentação coletiva que uniu concentração, técnica e espírito de equipe.
Com o triunfo, a seleção feminina também chegou aos 8 pontos de match. São quatro vitórias e duas derrotas, campanha que coloca o Brasil na 33ª posição. Embora as duas equipes tenham a mesma pontuação, cada uma escreve sua história com movimentos próprios, enfrentando adversários e desafios diferentes.
A Olimpíada ainda guarda muitas partidas. Na 7ª rodada, após o dia de descanso, a equipe absoluta enfrentará o Tajiquistão, enquanto as brasileiras terão pela frente o forte time do Vietnã. Serão novos tabuleiros, novas estratégias e outras páginas dessa longa jornada oriental.
Em Samarcanda, cidade que durante séculos reuniu povos, culturas e sonhos, o xadrez volta a demonstrar sua linguagem universal. E o Brasil continua ali, no meio de torres e cavalos, vitórias e resistências, levando em cada lance não apenas as cores de sua bandeira, mas também a esperança de quem sabe que, no xadrez e na vida, sempre existe um novo caminho a ser encontrado.

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