Boa noite a todos os quantos se dignaram a prestigiar esse evento das comemorações do dia do imigrante municipal; imigrante açoriano e comemorar também os 36 anos de canto e encanto do Grupo Musical Amantes da Arte.
Tenho por mui alta e honrosa oportunidade, fazer um agradecimento pelo convite e por poder estar aqui hoje, com todos vós, neste dia 23 de junho de 2026, nesta Casa dos Açores do Estado do Espírito Santo, em Apiacá.
Fico pensando nos nossos ancestrais que há anos, muitos anos, faziam à luz de vela ou de candeeiro, as suas folgas ou folias nos serões onde, em convívio, ao som de uma viola da terra "puxavam" uma dança, tocavam e cantavam e até "criavam" as modas ou músicas tradicionais, como por exemplo a Chamarrita; a Saudade; O Pezinho; O Baile da Povoação, O São Macaio; A Charamba; O Baile Furado; Os Olhos Pretos; Os Bravos; A Bela Aurora; A Lira; O Manjericão; A Tirana; A Sapateira; etc; etc. Muitas músicas, modas ou canções, acima referidas vieram com os imigrantes e ainda estão hoje sendo perseveradas pelos poucos imigrantes natos, mas por muitos açordescendentes, nesta terra maravilhosa do Brasil.
Neste dia do imigrante, que se faça um bom exame de consciência para que possamos valorizar todos quantos, que longe dos Açores, sentem o existir da açorianidade, amparando ou mantendo uma diáspora guerreira que lutou e luta por seus ideais que consistem em aprimorar e resgatar as raízes açorianas trazidas para esta região do Vale do Itabapoana, há mais ou menos dois séculos.
Aqui nestes pedaços de chão brasileiro, chegaram famílias de varias Ilhas do Arquipélago dos Açores, plantando usos e costumes que persistem até aos dias de hoje, graças aos seus descendentes. Há anos que esse povo se mostra dotado para a labuta, mostrando firmeza e perseverança para enfim vencer na vida e no desenvolvimento da região, sendo com trabalho dedicação e honradez.
Há anos que esse povo, descendente de açorianos, vem hasteando as Bandeiras Açoriana e Portuguesa, mesmo sem respaldo ou conhecimento das "metrópoles" de Portugal e Açores. Contudo não desistiram e hoje podemos usufruir de uma comunidade que se chama Casa dos Açores do Espírito Santo em Apiacá, onde tem sido notável o esforço feito pelo seu presidente Dr. Nino Moreira Seródio, assim como os seus companheiros diretores, os quais fazem por manter as tradições que vieram das ilhas açorianas, como por exemplo a festa de devoção ao Divino Espírito Santo, ao Pão do Padre feito de acordo com a tradicional massa sovada e ainda se poder apreciar crianças cantando a moda do pézinho.
Gostaria mesmo é que todos os açorianos que estão lá nas ilhas distantes pudessem vir ver e observar a luta, a conduta e a persistência dos referidos descendentes de açorianos que aqui fazem por valorizar toda e qualquer relação ao arquipélago, fonte de suas genealogias.
Portanto deixo aqui, com profunda emoção, um especial bem haja a todo esse pessoal maravilhoso.
Com consideração e estima...
Francisco Amaro Borba Gonçalves

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