sábado, 27 de junho de 2026

O Discurso Histórico de Francisco Amaro no Dia do Imigrante Açoriano, na CAES, em Apiacá


Boa noite a todos os quantos se dignaram a prestigiar esse evento das comemorações do dia do imigrante municipal; imigrante açoriano e comemorar também os 36 anos de canto e encanto do Grupo Musical Amantes da Arte.

​Tenho por mui alta e honrosa oportunidade, fazer um agradecimento pelo convite e por poder estar aqui hoje, com todos vós, neste dia 23 de junho de 2026, nesta Casa dos Açores do Estado do Espírito Santo, em Apiacá.

​Fico pensando nos nossos ancestrais que há anos, muitos anos, faziam à luz de vela ou de candeeiro, as suas folgas ou folias nos serões onde, em convívio, ao som de uma viola da terra "puxavam" uma dança, tocavam e cantavam e até "criavam" as modas ou músicas tradicionais, como por exemplo a Chamarrita; a Saudade; O Pezinho; O Baile da Povoação, O São Macaio; A Charamba; O Baile Furado; Os Olhos Pretos; Os Bravos; A Bela Aurora; A Lira; O Manjericão; A Tirana; A Sapateira; etc; etc. Muitas músicas, modas ou canções, acima referidas vieram com os imigrantes e ainda estão hoje sendo perseveradas pelos poucos imigrantes natos, mas por muitos açordescendentes, nesta terra maravilhosa do Brasil.

​Neste dia do imigrante, que se faça um bom exame de consciência para que possamos valorizar todos quantos, que longe dos Açores, sentem o existir da açorianidade, amparando ou mantendo uma diáspora guerreira que lutou e luta por seus ideais que consistem em aprimorar e resgatar as raízes açorianas trazidas para esta região do Vale do Itabapoana, há mais ou menos dois séculos.

​Aqui nestes pedaços de chão brasileiro, chegaram famílias de varias Ilhas do Arquipélago dos Açores, plantando usos e costumes que persistem até aos dias de hoje, graças aos seus descendentes. Há anos que esse povo se mostra dotado para a labuta, mostrando firmeza e perseverança para enfim vencer na vida e no desenvolvimento da região, sendo com trabalho dedicação e honradez. 

Há anos que esse povo, descendente de açorianos, vem hasteando as Bandeiras Açoriana e Portuguesa, mesmo sem respaldo ou conhecimento das "metrópoles" de Portugal e Açores. Contudo não desistiram e hoje podemos usufruir de uma comunidade que se chama Casa dos Açores do Espírito Santo em Apiacá, onde tem sido notável o esforço feito pelo seu presidente Dr. Nino Moreira Seródio, assim como os seus companheiros diretores, os quais fazem por manter as tradições que vieram das ilhas açorianas, como por exemplo a festa de devoção ao Divino Espírito Santo, ao Pão do Padre feito de acordo com a tradicional massa sovada e ainda se poder apreciar crianças cantando a moda do pézinho.

Gostaria mesmo é que todos os açorianos que estão lá nas ilhas distantes pudessem vir ver e observar a luta, a conduta e a persistência dos referidos descendentes de açorianos que aqui fazem por valorizar toda e qualquer relação ao arquipélago, fonte de suas genealogias.

​Portanto deixo aqui, com profunda emoção, um especial bem haja a todo esse pessoal maravilhoso.

​Com consideração e estima...

​Francisco Amaro Borba Gonçalves


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