domingo, 16 de setembro de 2012
















CIRCUITO CULTURAL ARTE ENTRE POVOS EMPOLGA 13 MUNICÍPIOS
 "A América Latina Somos Todos Nós", no ECLB, deu início ao grandioso evento



O Circuito Cultural Arte Entre Povos, em sua 3a. edição, percorreu 13 municípios de três estados: RJ, MG e ES, alcançando enorme sucesso por onde passou. "A América Latina Somos Todos Nós", no ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos), abriu o Circuito em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), no dia 12 de agosto,  que teve o patrocínio da Secretaria Estadual de Cultura.

Mesas-redondas, exposição sobre o poeta chileno Pablo Neruda e shows ocorreram pela manhã e à tarde.

À noite, o Circuito teve prosseguimento com atividades na Tendas Cultural, localizada no Parque de Exposições da Cooperativa Agrária do Vale do Itabaopana (CAVIL), onde ocorreram os festejos do município, e que teve a organização dla Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

A Tenda Cultural, que foi palco da 7a. Exposição Internacional e da 3a. Feira de Livros, contou também com a apresentação de shows, teatro e balé. Entre os expositores constaram Adela Hilda Figueroa e Francisco Rivero, de Cuba, Neumar Monteiro (neumarmonteiro.blogspot.com), Giulian, Roulien Boechat, Gerson Carlota de Oliveira, Marília Maiolino, Paulo de Souza Dias, Mateus de O. Martins, Everaldo Provalero, Gilma Pascoal, Verônica Zanardi, Renan Machado Tiradentes, Jamile Tannus, Mary Kay,  Renan Machado Tiradentes e Roçarte Cerâmica, entre outros.


Na Feira de Livros marcaram presença a Academia Bonjesuense de Letras, com stand organizado pela acadêmica Vera Viana, a Editora Inverta, do Rio de Janeiro, o professor e livreiro Bolívar Almeida, do Rio Grande do Sul, além de livros da Livraria do Péricles, de Bom Jesus do Itabapoana, e de Cuba.


Do estado do Rio de Janeiro participaram do Circuito Cultural os municípios de Bom Jesus do Itabapoana, Itaperuna, Porciúncula, Varre-Sai e Laje do Muriaé. De Minas Gerais,marcaram presença os municípios de Itambacuri, Conceição de Ipanema e Manhuaçu. Do estado do Espírito Santo, participaram os municípios de Guaçuí, Vargem Alta, São José do Calçado, Marataízes e Cachoeiro de Itapemirim.


Integraram a comitiva do Circuito Cultural Arte Entre Povos os trovadores argentinos Gabo Sequeira e Pablo Fernandez, o trovador chileno Felipe Aranda, a cantora cubana Ilén de la Cruz, os artistas plásticos cubanos Adela Hilda Figueroa Gutiérrez e Francisco Rivero, o professor gaúcho Bolívar Almeida, a Editora Inverta, a Cia de Teatro América Latina e o fotógrafo Cimar Pinheiro. Todos se integraram com artistas e pensadores dos municípios por onde passavem.

Exposições de obras de artes, feiras de livros, palestras sobre a América Latina e a arte de ler, oficinas de artes plásticas, de dança, de iniciação à língua espanhola, de fotografia e de violão, realização de murais, mesas-redondas e espetáculos empolgaram os municípios integrantes do Circuito, constituindo uma prova inequívoca de que o povo brasileiro anseia por uma autêntica cultura que valoriza o ser humano, e que dá provas de ser portador de uma fé em sua capacidade de construir um mundo diferente.

Mais notícias sobre o "A América Latina Somos Todos Nós" e o Circuito Cultural podem ser encontradas no blog www.espacoculturallucianobastos.blogspot.com, https://docs.google.com/file/d/0B_w52doRYj6PYlNuNWNRbDZTaTg/edit?pli=1 e http://www.manhuacu.com/artigo/ler/ee_de_sao_sebastiao_do_sacramento_recebe_artistas_latino-americanos.

As TVs GAZETA (ES) e INTERTV (RJ) fizeram reportagens, que podem ser vistas em  http://in360.globo.com/rj/noticias.php?id=27841
e http://g1.globo.com/videos/espirito-santo/estv-2edicao/t/sul-do-espirito-santo/v/estudantes-de-marataizes-es-participam-de-projeto-que-estreita-lacos-de-povos-da-america/2136436/


BOM JESUS DO ITABAPOANA (RJ)


A AMÉRICA LATINA SOMOS TODOS NÓS, no ECLB
                                                                      
                                        


Mesa-Redonda: "Eu vejo o outro em mim". Da esquerda para a direita: Bolívar Almeida, professor de História do Rio Grande do Sul,  Francisco Rivero, artista plástico cubano, Gustavo Lopes, professor de História do IFF, Carlos Pronzato, cineasta argentino, e Pablo Fernandez, trovador argentino



Mesa-Redonda: "A língua de Camões e Cervantes também nos une". Da esquerda para a direita: Adela Figueroa, artesã e poetisa cubana, Felipe Aranda, trovador chileno, Maria Célia, professora de espanhol do IFF Campus Itaperuna, Gabo Sequeira, trovador argentino e  Ilén de la Cruz, cantora cubana

O poeta campista Artur Gomes emocionou o público e produziu um vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=sKV8bSqJ0d8&list=UU3d8xoVqrdTDFZ2dKIfRanQ&index=1&feature=plcp

Paula Aparecida Martins Borges Bastos, do ECLB, e Lucienne Figueiredo, Assessora-Chefe da Superintendência de Museus da Secretaria Estadual de Cultura

Público no auditório do ECLB
Pedro Salim, um dos organizadores do evento 

Obras de Francisco Rivero

A arte de Adela Figueroa

Exposição sobre Pablo Neruda na Biblioteca. Ao fundo, obra de Helga Berlt
                                         
Alunos marcaram presença na Sala de Exposições do ECLB


Bolívar Almeida recebeu certificado de participação por parte de João Pedro, 7 anos, a quem iniciou no gosto pelos livros, há três anos atrás

                               

7a. Exposição Internacional e 3a. Feira do Livro, na TENDA CULTURAL, instalada na  CAVIL (Cooperativa Agropecuária Vale do Itabapoana)



Entrada da Tenda Cultural

                                             
Giulian

Obras de Everaldo Provalero

Artista cubana Adela e dirigentes da Associação Cultural José Martí de Aré (RJ)
                                                Obras do cubano Francisco Rivero


                           Óleo sobre tela e riscos e rabiscos, de Neumar Monteiro


Gerson Carlota

Mateus de O. Martins
Roulien Boechat



Marília Maiolino
Gilma Pascoal
Artesanato de Paulo de Souza Dias

Mary Kay

Jamile Tannus

Roçarte Cerâmica

Artesanato de Renan Machado Tiradentes

Público na área da Exposição de Artes e da Feira de Livros
3a. Feira de Livros

Stand da Academia Bonjesuense de Letras (ABDL), organizado pela acadêmica Vera Viana, foi concorrido
Órgão Informativo da ABDL, organizado por Vera Viana, e patrocinado pela Editora O Norte Fluminense, foi lançado durante a Feira de Livros




 Editora Inverta, do Rio de Janeiro
   




 Bolívar Almeida



Cia de Teatro América Latina, de Guaçuí (ES)



Cantora cubana Ilén de la Cruz
                                               Trovador chileno Felipe Aranda


Trovador argentino Pablo Fernandez

                                                 Trovador argentino Gabo Sequeira



Público na Tenda Cultural



  ITAPERUNA (RJ), no IFF (Instituto Federal Fluminense)








PORCIÚNCULA (RJ)


VARRE-SAI (RJ)





GUAÇUÍ (ES)



VARGEM ALTA (ES)




CONCEIÇÃO DE IPANEMA (MG)




ITAMBACURI (MG)


 LAJE DO MURIAÉ (RJ)






MANHUAÇU (MG), Distrito de Sacramento



 
 


domingo, 2 de setembro de 2012

Os proprietários nômades

Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense

                                                        Nilo e Alcebíades
                                      

Alcebíades Soares de Souza e seu irmão Nilo Soares de Souza nasceram em Carabuçu nos dias 18/03/1914 e 17/05/1917, respectivamente.

Filhos de João Soares de Souza e da portuguesa Ana Querubina de Assunção, sempre se dedicaram a suas propriedades rurais.

Alcebíades trabalhou com seu pai até os 18 anos, quando passou a trabalhar por conta própria, passando a comprar e vender animais. Foi criador de cavalos, especialmente da raça mangalarga marchador. Nilo, por sua vez, dedicou-se à criação de gado leiteiro.

Ambos podem ser considerados uma espécie de proprietários nômades, devido às inúmeras residências em que viveram. Alcebíades explica  que "gostava de comprar uma propriedade, melhorá-la e vendê-la, em seguida". Ele enumera as propriedades em que viveu: "Em Carabuçu comprei uma propriedade na Ponte Caída. Daí fui para a Serra do Tardin. Depois, mudei-me para São Pedro do Itabapoana (ES) e, em seguida, para a Fazenda da Barra, em Mimoso do Sul (ES). Depois, fui para as seguintes localidades de Mimoso do Sul (ES): Rochedo,  Fazenda do Caju e Fazenda das Perobas. Posteriormente, mudei-me para a Fazenda São Miguel em Bom Jesus do Norte (ES). Fui então para a Barra do Pirapetinga, em Bom Jesus do Itabapoana, retornei à Fazenda São Manuel e, finalmente, comprei uma fazenda em Águas Claras, que pertence a Itaperuna (RJ). Esta fazenda está arrendada a meus filhos".

Rômulo (neto de Nilo), Rosemberg (filho de Nilo), Nilo, Alcebíades, Maria José (secretária de Alcebíades) e Ercília (filha de Nilo)


Casado com Albanice Gomes de Souza, teve 5 filhos: Maria Ilka, Sebastiana, Edson, José Carlos e João Batista, com inúmeros netos e bisnetos. É viúvo há cerca de 7 anos.

Seus filhos estudaram no Grupo Escola Marcílio Dias e, quando foram morar em Bom Jesus do Itabapoana, estudaram no Colégio Rio Branco, com exceção de Sebastiana, que foi estudar em São José do Calçado (ES).

Alcebíades foi subdelegado de Carabuçu por 8 anos e se recorda da Fazenda do Jacó e do "malungo Lourinho. A fazenda possuía gado e plantava milho e arroz. Já a fazenda dos turcos, localizada mais para cima, era café puro. Os turcos Quirino e Jorge, inicialmente, vendiam roupas. Ganharam dinheiro com esta atividade e depois compraram esta fazenda. Meu sogro foi trabalhar lá", assinala.

Alcebíades se recorda do Padre Mello, personagem histórico, que chegou em Bom Jesus em 1899: "Era um padre extraordinário. Era brincalhão e costumava caçoar a gente. Gostava de fazer amigos e conversava com todos, mas era sério quando se fazia  necessário. Era também muito culto. Lembro-me que, certa vez, ele me mostrou um revólver bonito que ele guardava em sua casa". Alcebíades também se recorda de dona Carmita: "Foi a mulher mais direita e com consciência que já conheci".

Nilo Soares de Souza, por sua vez, foi casado com Kilda Dias de Souza, com quem teve 6 filhos: Ercília, Robério, Enilda, Rômulo, Rosemberg e Sebastião. Possui 9 netos, 2 bisnetos e 1 tataraneto. É viúvo há 15 anos.

Nilo já passou por 8 propriedades e atualmente fixou residência na Fazenda da Providência em Bom Jesus do Norte (ES).

Nilo conta que o Pau Ferro, árvore símbolo da principal praça da cidade, a Governador Portela, "foi plantada por Padre Mello, segundo o comentário geral". Todos os seus filhos estudaram no Grupo Escolar Marcílio Dias. "Em Bom Jesus do Itabapoana, foram estudar no Colégio Agrícola e no Zélia Gisner", salienta.

Como mensagem para as novas gerações, Alcebíades aconselha: "estudem e sejam corretos". Já Nilo recomenda: "sejam direitos e cumpram com os seus deveres".
Cercados pelo carinho dos familiares, Alcebíades e Nilo se encontraram na casa do primeiro e relembraram os tempos de antanho, onde o carinho dos familiares também sempre acompanharam suas vidas.
Alcebíades e o malungo João Albino, em foto tirada em Carabuçu em 1935

AMILCAR ABREU, O MAGO DAS CORDAS




Amilcar Abreu Gonçalves nasceu em São José do Calçado (ES) no dia 17/09/1924. Filho de Adauto Pereira Gonçalves e Lélia Teixeira de Abreu Gonçalves, seu pai nasceu em Carangola (MG) e era motorista de caminhão, fazendo intermediação de negócios com fé. Sua mãe, calçadense, era "do lar".

Com 4 anos de idade mudou-se para Bom Jesus do Norte (ES), fixando-se na conhecida Rua do Calçado, hoje Rua Carlos Firmo, passando a ser vizinho de Olívio Bastos, pai de Luciano e Ésio Bastos. O motivo da mudança deveu-se a que "seu" Adauto fora trabalhar no Serviço de Água e Esgoto da cidade capixaba. 

Estudou no Colégio Rio Branco "até completar o 5o. e último ano". Foi escolhido, ao final, como "orador da turma, por meu estilo brincalhão".









Amilcar teve iniciação na música aos 9 anos de idade, quando passou a estudar com dona Mariquita, mãe de Gizete Barroso, sua professora no ensino regular. Dona Mariquita, violonista e pianista, encantou-se com as qualidades artísticas de Amilcar e resolveu dar aulas de violão para ele gratuitamente.

Mais adiante, quando morava na rua Ataulpho Lobo, seu desejo de tocar violão fortaleceu-se e tornou-se "autodidata, vendo os outros tocarem". Amílcar trabalhou com seu pai na empresa de Serviço de Água e Esgoto dos 12 aos 16 anos de idade.


CARLOS BRAMBILA


Amilcar recorda-se de uma passagem envolvendo o então diretor do Colégio Rio Branco, Carlos Brambila."Na época, havia o Internato no educandário e, aos sábados, os internados eram liberados para visitarem seus pais. Numa 6a feira, durante o intervalo, resolvi dar um murro em minha carteira, na sala de aula. Logo em seguida, Carlos Brambila adentrou na sala e, indignado, perguntou a todos: ' Quem é que bateu na carteira?'. Um silêncio total seguiu-se à pergunta. Por este motivo, o diretor esbravejou: ' Enquanto não aparecer o responsável pelo murro, ninguém sairá do Colégio, nem mesmo os internados serão liberados amanhã'. O meu amigo dr. Edu, que estava com muita saudade da família, não resisitiu e me denunciou: ' Foi o Amílcar!'. Recordo-me até hoje de Carlos Brambila avançando em minha direção com o dedo em riste próximo ao meu rosto, enquanto eu procurava recuar: 'O senhor devia ter confessado que foi o autor do murro logo depois da minha pergunta!'. O fato é que fiquei de castigo no Colégio até próximo ao anoitecer".


DONA CARMITA


Amílcar recorda-se ainda da diretora Dona Carmita, do Colégio Rio Branco: " Era muito rigorosa, mas administrava muito bem o Colégio". Conta ele que "certa vez, os Irmãos Tropicais, que faziam sucesso na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foram se apresentar no Colégio Rio Branco. O presidente da mesa da apresentação, o professor Dr. Deusdeth Tinoco de Rezende, anunciou então o grupo musical. Ocorre que eu, que iria acompanhar o conjunto, não subi ao palco. Dona Carmita imediatamente dirigiu-se a mim e perguntou: 'Amílcar, por que não vai para o palco?'. Eu respondi: ' Apenas o grupo Irmãos Tropicais foi chamado ao palco, eu não'. Em seguida, Dr. Deusdeth fez o reparo: ' Cometi um lapso. O grupo vai ser acompanhado por nosso aluno Amílcar", ocasião em que Amílcar subiu ao palco acompanhado por fortes aplausos.


PADRE MELLO


Em relação ao Padre Mello, Amilcar se recorda de duas passagens.  "Em um determinado evento, ocorrido no Grupo Escolar Pereira Passos, que funcionava onde está localizado atualmente o Big Hotel, eu fiz o acompanhamento da cantora lírica clássica  Aurélia Ferola, irmã da Dilah Ferola. Ela fez uma interpretação maravilhosa da música Estrellita. Ao final, foi aplaudida intensamente. Em seguida, Padre Mello levantou-se e disse: 'agora peço uma salva de palmas para o rapaz que fez o acompanhamento'. Ao que seguiu-se uma ovação".

O segundo caso ocorreu por ocasião de sua primeira comunhão. "Lembro-me que passei mal e fiquei tonto. O Padre Mello pegou, então, um vinho medicinal da Igreja e me deu. Em seguida, o sacerdote me perguntou: 'Melhorou?',  ao que respondi: ' Sim, melhorou. Mas não dava pra trazer mais um pouquinho pra mim, não?'. E Padre Mello, entendendo onde eu queria chegar, respondeu: "Meu filho, aquilo já foi o bastante".




EMANCIPAÇÃO


Quando completou 17 anos, Amilcar recebeu a Carta de Emancipação para que fosse trabalhar na empresa Armazéns Gerais do Vale do Itabapoana, sociedade constituída por Ésio Bastos, Melhin Nascif e Clínio Marcelino de Freitas, cujo objeto era a armazenagem de café. Amílcar  "fazia de tudo, inclusive preparava documentos para serem assinados por Clínio, o  diretor da firma".

Por indicação de Olívio Bastos ao gerente Renato Vanderlei, passou posteriormente a trabalhar no Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo. "Atuei também no serviço de alto-falante que havia na Praça Governador Portela, juntamente com Zuelzer Poubel. Na época, eu usava um pseudônimo: 'Raclima Abreu', sendo que Raclima é o nome Amílcar escrito ao contrário.

A edição de O Norte Fluminense de 1948 já se referia a Amílcar como o MAGO DAS CORDAS. Depois, passou a ser conhecido também como o "MÃO DE OURO".


AIMORÉS (MG)

 

Amilcar mudou-se para Aimorés (MG) em 1949, quando tinha 27 anos de idade, passando a trabalhar no comércio por 15 anos:  "Fui trabalhar na firma Cia.  Industrial Empresa de Bebidas Aimorés Ltda. Em seguida, tornei-me comerciante no setor de secos e molhados. Posteriormente, passei a vender presentes. Fui o último da família a ir para lá. Meu tio Valdemar Pereira Gonçalves foi morar em Aimorés e, como a situação econômica não estava boa por aqui, toda a família resolveu mudar-se para a cidade mineira, onde morei por 33 anos".

Casou-se em Aimorés, em 1960, com Terezinha de Jesus Lima Gonçalves, nascida na localidade de Tebas de Leopoldina (MG), que conheceu quando tinha 14 anos  de idade.  Amílcar se recorda com humor do discurso do "amigo Luciano Bastos" quando do lançamento de seu cd "Pingos de Saudade": "Amílcar teve 19 anos de namoro antes de se casar, um verdadeiro recorde". 

Na cidade mineira, trabalhou na Rádio local por cerca de 10 anos e também foi "consignatário" das mercadorias que chegavam à cidade pela estrada de ferrro da Cia Vale do Rio Doce. "Eu recebia as mercadorias que eram depositadas em um armazém e, depois, as entregava ao destinatário", explica Amílcar.

Em 1965, fez parte da Seleção de Futebol de Aimorés. 



CONSAGRAÇÃO: acompanhando ORLANDO SILVA, GILBERTO ALVES e ALTEMAR DUTRA



Amilcar acompanhou ao violão alguns dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos.Foi assim como Orlando Silva, quando este se apresentou em Aimorés.

Gilberto Alves foi outro que preferiu ter Amílcar como seu acompanhante ao invés de uma orquestra, já que os membros da mesma não possuíam as partituras das músicas.

Além disso, ensinou ao famoso cantor Altemar Dutra os primeiros acordes de violão. "Altemar Dutra nascera em Aimorés e fora morar em Colatina (ES). A mãe dele possuía uma pensão na cidade capixaba. Eu saía de Aimorés para acompanhá-lo e também para tocar violão elétrico na Orquestra de Colatina. Cheguei a tocar com o maior pistonista do Espírito Santo, conhecido como Mundico, diretor da Orquestra. Altemar Dutra chegou a  levar duas músicas feitas por mim e por meu amigo Espíndola, para gravar nos Estados Unidos. Infelizmente, ele acabou falecendo por lá, antes de fazer as gravações".


RETORNO A BOM JESUS



A respeito do retorno a Bom Jesus,  Amílcar diz que  "depois que me aposentei, resolvi retornar e morar aqui em Bom Jesus do Itabapoana (RJ), onde estou há 29 anos".

Seu temperamento dócil e cativante permitiu que fosse "católico e maçom ao mesmo tempo, sendo respeitado por esta opção".

Foi campeão do Campeonato de Sinuca em Bom Jesus do Itabapoana no ano de 1994. Participou do Primeiro Encontro de Violonista de Bom Jesus do Itabapoana, em 1992, organizado pela APAE, e integrou várias Serenatas ocorridas nas ruas da famosa cidade de Conservatória (RJ).

Aperfeiçoou seu dom de pintura com aulas de Gaída em sua "escola de pintura" e o resultado foi a produção de obras que adornam a sala de estar de sua residência.

Como compositor, foi autor de inúmeras músicas, algumas das quais integraram o consagrado cd "Pingos de Saudade". Na ocasião do lançamento deste, a poetisa Vera Viana dedicou-lhe uma homenagem: " Há tempo para nascer, crescer, viver...Hoje é tempo de agradecer. Se a semeadura é boa certamente a colheita será de sazonados frutos. Momento especial em que o vitorioso e notável instrumentista recebe o laurel pelo desempenho no caminho percorrido quer ao compor as doces e encantáveis melodias ou pelas magnânimas apresentações nos eventos culturais do Vale do Itabapoana e muitas outras plagas. Parabéns, Amílcar, você é merecedor desta conquista".


ENTIDADES


Amílcar Ingressou no ILA ( Instituto de Letras e Artes dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo) no ano de 2004 e integra o grupo AMANTES DA ARTE, "fundado por Ana Maria Teixeira, desde sua criação. Sou o violonista do grupo, enquanto o Cristóvão é o percucionista".

Foi um dos fundadores do grupo musical "Chorões do Vale", capitaneado por Jaime Figueiral e composto "pelo Maestro Moraes, por Geraldinho  e por Toninho do Tupy". Participou ainda das famosas Noites de Cultura e Arte, organizadas em Bom Jesus do Itabapoana pela Diretora de Cultura Maria José Martins e atualmente integra o Coral Santa Rita de Cássia da Igreja Matriz, sendo bastante requisitado para fazer apresentações e acompanhamentos em diversos eventos e solenidades.



HOMENAGENS



Amilcar tem sido intensamente homenageado ao longo dos anos por diversas entidades, entre as quais a Loja Maçônica, o Lions e o Rotary, por sua dedicação à causa da cultura, merecendo destaque a homenagem da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por ocasião do seu ingresso no ILA, em 25/05/1994.

Foi homenageado com a composição de uma música: "Grande Amílcar", um choro de autoria do Maestro Samuel Xavier. Além disso, um soneto de Edson Chaves foi dedicados a ele, como reconhecimento ao seu valor humano e artístico.

Ao final da reportagem, Amílcar quis expressar "a honra de estar sendo entrevistado. Trata-se de uma surpresa das mais significativas. Julgo-me pequeno para merecer tal entrevista. Mas gostaria de ressaltar que fui e voltei para Bom Jesus e continuarei participando dos eventos culturais sempre que eu for convidado".

Do som de um murro na carteira, quando criança, ao som de um violão que acompanhou Orlando Silva, Gilberto Alves e Altemar Dutra, o Mão de Ouro continua a encantar as gerações, levando alegria e encantamento aos corações e fortalecendo os sonhos num mundo melhor. Trata-se, portanto, de um Mago das Cordas do violão e da vida.



UM FINO INSTRUMENTISTA

 Edson Chaves


Pessoa de alma nobre e educada
cujas mãos dão de grande habilidade
merce ter bastante realçada
a sua forte dose de humildade.

Na sinuca é brilhante na tacada
onde fez nome desde a mocidade
mas sua vocação é decantada
na música que ele ama de verdade

É o Amílcar, um fino instrumentista
que veio a se tornar especialista
no teclado e também no violão

Eu me orgulho de ser um seu confrade
e espero conservar sua amizade
enquanto resistir o coração.


Amilcar Abreu no lançamento do CD "Bom Jesus de Corpo e Alma", do Grupo Musical Amantes da Arte, no dia 6 de agosto de 2015, no Auditório Dona Carmita,  ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos)


A EMBAIXATRIZ DA CULTURA DE BOM JESUS



                                                   Dra Nísia Campos

Dra. Nísia Campos nasceu no dia 21 de agosto de 1952 em Varre-Sai, então distrito de Itaperuna (RJ). Seu pai, Hildebrando José Teixeira, nasceu em Bom Jesus do Itabapoana, na Rua dos Mineiros, enquanto sua mãe, Romilda Campos Teixeira, nasceu na localidade de Tapera, em Tombos (MG). Manoel Campos da Silva e Laudelina Vieira Campos, agricultores,  foram seus avós maternos, que residiam em Arataca, zona rural de Varre-Sai.

"Seu" Hildebrando, militar do Exército, se encontrava na Ilha de Fernando de Noronha, preparando-se para ir lutar na 2a. Guerra Mundial, quando a mesma findou, fazendo com que ele retornasse ao rincão natal. 

Dra. Nísia possui quatro irmãos: Neuza, Newton, Nilma e Zanoni. Quando contava com seis meses de idade, seu pai mudou-se com toda a família para o distrito de Rosal, onde foi chefiar o destacamento do Tiro de Guerra. Todos os seus quatro irmãos nasceram nesse distrito. Com cinco anos e meio, dra Nísia já sabia ler, sendo alfabetizada pela professora Idê Brasil, diretora do Grupo Escolar Luiz Tito de Almeida, que "observou meu vívido interesse pelas letras".

Considerando que, em seguida, seu pai fora para a reserva do Exército, e levando-se em conta a necessidade de dra. Nísia "fazer o Admissão no Colégio Rio Branco", "seu" Hildebrando resolveu mudar-se com a família para Bom Jesus do Itabapoana.

Recorda-se que seu pai fazia questão de que os filhos morassem em casa própria, principalmente após a experiência de viver boa parte de sua vida em residências de outras famílias. Em Bom Jesus, estabeleceu-se na rua Benedita Taroquela, sendo vizinho do casal Luciano e Leny Bastos, o que ensejou uma amizade permanente entre as famílias. 

Quando ingressou no Colégio Rio Branco, dra. Nísia teve de conseguir três uniformes: o de gala, de cor branca, o de educação física e o de estudo regular, este com cor verde caqui e letras CRB. Foi seu tio quem lhe presenteou o uniforme de gala. Posteriormente, dr. Luciano Bastos ofereceu a seu pai a possibilidade de lecionar Educação Física, o que acabou colaborando para melhorar as condições de vida da família, "inclusive a alimentação".

Em 1967, dra. Nísia concluiu o Ginásio. Em 1968, estudou no Curso Normal, pela manhã, e no Curso de Técnico em Contabilidade, à noite. Com o conhecimento de música obtido através das aulas de Marisa Pacheco e do Maestro "Bastião", a mesma fora convidada a lecionar música no Colégio Rio Branco.

Posteriormente, cursou 5 (cinco) Faculdades: Pedagogia e Letras em Itaperuna (RJ), Psicologia em Niterói (RJ), Direito em Cachoeiro de Itapemirim (ES) e Comunicação em Campos dos Goytacazes (RJ). Concluiu, ainda, os  cursos de pós-graduação em Orientação Educacional, Administração Escolar, Supervisão Escolar e Inspeção Escolar.

Pontuou dra. Nísia que "nunca imaginei que os cursos de pós-graduação em Inspeção e Supervisão Escolar fossem ser tão importantes em minha vida. Graças a eles pude atuar em vários postos do Município e do Estado".

DONA ROMILDA

A lembrança de Dona Romilda, sua mãe, a emociona permanentemente:

"Tudo o que eu tenho agradeço à minha mãe, Romilda", diz dra. Nísia, com lágrimas nos olhos. "Minha mãe só tinha o primário, mas era profundamente sensível e habilidosa. Pintava e bordava com rara sensibilidade. Não pintou mais porque não possuía recursos para comprar material. De um pano no chão era capaz de fazer uma obra de arte. Ela ficava deslumbrada, embevecida com a cultura. Ninguém ensinou a ela. Interessante isso, porque minha avó não possuía habilidade para a cultura, embora conhecesse das coisas da roça. Minha mãe, ao contrário, admirava música clássica. Foi o professor 'Bastião' quem ensinou minha irmã Neusa a tocar acordeon. Eu, contudo, fui aconselhada a tocar violão, uma vez que o acordeon poderia trazer problemas à minha coluna. Foi o vovô quem comprou o violão para mim". 

Dra. Nísia relata sobre a doença de sua mãe: "Certa vez, o médico dr. Abelha descobriu que minha mãe, então com 34 anos de idade, possuía câncer. Ela levou oito anos lutando contra a doença e sua morte nos marcou a todos para sempre", voltando a emocionar-se. 

O irmão de dra. Nísia, Newton, quando do falecimento de Leny Borges Bastos, esposa de Luciano Bastos, encaminhou aos familiares deste um texto emoldurado em um quadro, intitulado "GRATIDÃO", com uma foto de dona Leny e a referência a dona Romilda, duas mães que deram suas vidas pelos filhos e pela família. 


A VOZ DO POVO

Em 1980, dra. Nísia ingressou no jornal A VOZ DO POVO, "a convite do dr. Salim Tanus e dona Amália". Atuava como "redatora na retaguarda". Recorda-se de Salim Tanus como pessoa "mansa e tranquila, como meu avõ". No ano de 1988, dona Amélia comunicara à dra. Nísia que esta deveria apor seu nome no jornal como "Redatora". O registro pela Associação Brasileira de Imprensa ocorreu "logo em seguida. Além disso, senti-me confortável com a situação, uma vez que eu estudava o Curso de Comunicação".

Salienta dra. Nisia que "Ésio Bastos foi meu mestre no jornalismo. Diziam que o 'seu' Ésio era uma pessoa intransigente, mas na verdade ele era uma pessoa verdadeira. Ele sempre procurou ajudar as pessoas que estavam começando e que tinham vontade de crescer na vida. Quando, por exemplo, saía alguma matéria 'truncada' em A VOZ DO POVO, ele saía da Gráfica Gutenberg e ia orientar-meAprendi, com meus tempos de pobreza que, de um jornal se pode fazer uma flor", exclama dra. Nísia, para complementar: "Não é na gastança que se mostra a força de um jornal, mas na criatividade que se revela, mesmo havendo poucos recursos".


                         Ésio Bastos, o mestre de jornalismo de dra Nísia Campos


RECONHECIMENTO 

Em Campos dos Goytacazes, dra. Nísia publicou artigos no jornal "Monitor Campista" e no "Jornal Literário", órgão oficial do Instituto Campista de Literatura. Passou a integrar as fileiras da Academia Pedralva (fundada em 20 de fevereiro de 1947, cujo nome é formado pelas iniciais de Pedro Batista Manhães, Almir Soares e Walter Siqueira). O reconhecimento dos seus méritos literários, portanto, ocorreu inicialmente na cidade campista.

O reconhecimento definitivo das suas qualidades literárias, ocorreu, segundo dra. Nísia, com sua poesia "CAJUEIRO AMIGO", estampada no livro "CASTELO DE SONHOS", editado em 1996. Tal poema valeu-lhe uma referência especial do poeta Antonio Miguel e do presidente da ABDL, dr. Ayrghon Borges Seródio (conferir textos, in fine). 



ILA

O Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, o ILA, é uma das grandes paixões de dra. Nísia, que sugeriu o nome "ao dr. Ayrthon, à Maria Ângela e ao dr. Paulo Figueiredo, e que foi acolhido imediatamente". Segundo dra. Nísia, "dr. José Ronaldo merecia a homenagem, porque era exímio sonetista, inclusive de versos alexandrinos, com estilo que lembrava o de Machado de Assis, além de conceituado professor de português".

Para a criação do ILA, ela inspirou-se  na Pedralva. Embora integrasse a Academia Bonjesuense de Letras (ABDL), dra. Nísia diz que "tinha a visão de aglutinar em uma entidade, diversas atividades artísticas". Recorda-se que "convidei o dr. Ayrton Seródio para funda o ILA , que disse: 'A ideia é muito interessante.Vamos trabalhar nisso'. Dr. Ayrton era membro da Pedralva, como sócio-correspondente".

Dra. Nísia  recorda-se, ainda, que "seu Ésio (Ésio Bastos) não entendeu no início a ideia de criação do ILA e chegou a indagar: ' mas se já tem a Academia, para que outra?'. Contudo, após saber que o objetivo era integrar numa entidade diversas manifestações culturais além das Letras, ele passou a dar o seu apoio. O dr. Francisco Amim e o dr. Luciano Bastos também apoiaram a ideia".

Dra. Nísia recorda-se de outros apoiadores como "Ana Maria Batista, Maria da Conceição Fragoso, Vilma Portugal, Edson Chaves, o poeta Onofre, dra. Helena Pimentel, dr. José Cabral de Melo, Heliton Dias Pimentel e Maria José Martins. A professora Maria Ângela Borges Guedes foi outra pessoa importantíssima no contexto. Com a sua habilidade, confeccionou as opas acadêmicas além de ter contribuído com inúmeras ideias para o nascimento da instituição".

Foi assim que na data de 11 de agosto de 1995 ocorreu a fundação do ILA, no auditório do então Colégio Técnico Agrícola, hoje Instituto Federal Fluminense (IFF). "O dr. Paulo Faria de Figueiredo foi o primeiro presidente, e eu a vice-presidenteA criação do ILA teve apoio da administração de Álvaro Moreira que destinou recurso da cultura para a confecção das opas acadêmicas, aquisição de livros, envelopes impressos, entre outros". Recorda-se que "seis ônibus vieram de outros municípios. O Acadêmico Alaor Eduardo esteve presente representando Niterói (RJ). Além disso, vários ônibus de Campos trouxeram intelectuais e apoiadores para o evento".

As reuniões iniciais ocorreram no Anfiteatro Iracema Seródio Boechat, localizado na Prefeitura Municipal. Posteriormente, passaram a ocorrer nas dependências do Colégio Rio Branco e, atualmente, sucedem no salão da Câmara Municipal. Dra. Nísia  descobriu sua capacidade de liderança durante o período em que estudou no Colégio Rio Branco. Diz ela que " o colégio era efervescente. Tudo era motivo para comemorar, e eu gostava de declamar. A direção da escola me confiava o comando das solenidades e nunca dizia: 'quero ver antes a programação' . Ao final, as pessoas sempre a cumprimentavam pela organização dessa solenidades, o que servia de estímulo para mimO fato é que o ILA tem, ao longo de seus anos de existência, contribuído para o desenvolvimento da cultura bonjesuense, promovendo o lançamento de livros, realizando concursos literários e, através das solenidades, reverenciado a memória do município e dos antepassados ilustres", sintetiza dra. Nísia.

LIVROS


Dra Nísia salienta o papel importante do Dr. Ayrton Seródio à frente do Conselho Municipal de Cultura de Bom Jesus. "Dr. Ayrton lutava para que os  escritores bonjesuenses tivessem seus livros publicados, mas seus próprios livros eram custeados por ele mesmo. Dr. Ayrton costumava dizer: ' Eu não tenho rabo preso com político algum'. Foi através dele que diversas obras foram publicadas pelo Conselho Municipal de Cultura, como as obra do dr. Paulo Figueiredo, de Edson Chaves, do poeta Onofre e a minha própria".

Dra. Nísia assinala que "fui a primeira a escrever um livro sobre Pe. Mello". Ressalta ainda que há a possibilidade de tal obra ser relançada neste ano. No livro, a autora procurou registrar depoimentos de pessoas que conviveram com Pe. Mello, o que faz da obra um importante trabalho "histórico". Além disso, está concluindo dois outros livros. Ao final da entrevista, dra. Nísia quis registrar o seguinte: "Agradeço a você, dr. Gino, pela oportunidade. Estou muito emocionada com esta entrevista. Nunca imaginei que nós, que fomos criados juntos e fomos vizinhos, fôssemos um dia estar juntos com você me entrevistando para um jornal que é tão querido, como O Norte Fluminense".

Seguem manifestações de Antonio Miguel, do dr. Ayrthon Borges Seródio, que cognominou dra. Nísia como a Embaixatriz da Cultura de Bom Jesus e de Edson LoboTeixeira, presidente da Academia Calçadense de Letras, no jornal A Ordem.

                                                                   "SURSUM CORDA"

                       (Homenagem de A VOZ DO POVO a Nísia Campos)

                                                                            ANTONIO MIGUEL


             "Nísia, nossa companheira de "preclaros remígios", no dizer do mestre Octacílio de Aquino, tem algo muito bonito que de certo modo continua escondido no cofre dos seus sonhos: a sua poesia; essa que é singela como a sua alma e agradável como a sua voz, quando murmura frases poéticas que evidenciam a sua qualidade de "deuses".

              Nísia-poetisa, quase não deu a Bom Jesus mostras do seu "dossiê" poético. E se o fez, fê-lo pouco. Mas, ela tem coisas bonitas, singelas agradáveis:


                                    CAJUEIRO AMIGO
                                            Nísia Campos


                     Meu velho e querido cajueiro,
                     amigo, companheiro e conselheiro!
                     Há muito tempo não nos víamos!
                     Você era rapaz,
                     eu era menina,
                     quando saí pela vida...
                     Tudo aconteceu,
                     menos a felicidade!

                                      Nas horas mortas,
                                      em que a ventania gemia
                                      pelos corredores de minha vida,
                                      pensava em você,
                                      meu velho amigo!

                     Castelos coloridos
                     construí, na utopia
                     de meus sonhos.
                     Mas, bem cedo,
                     as lágrimas
                     os fizeram sombrios.

                                      Tudo foi ilusão,
                                       hoje escondida
                                       nas páginas do tempo.
                                       Você, porém, ficou
                                       desfrutando a embriaguez do vento
                                       e o perfume das flores.

                      Hoje retornei,
                      meu velho e querido cajueiro,
                      para desfrutar, na sua sombra acolhedora,
                      os instantes finais
                      da verdadeira e imorredoura paz!




      Vejam vocês, queridos bonjesuenses, como as jóias delicadas andam escondidas neste solo fecundo.

      Nísia é poetisa de recursos, dentro da sua temática. Seus versos são compreendidos ao primeiro lance; e não deixam dúvidas quanto à simplicidade de que se revestem. É a poesia-moça, do bimbalhar dos sinos, anunciando o marulhar das ondas, a carícia das folhas sussurrando amor, embaladas pelo vento. É a vida jovem, pulsando na expressão e fecundação de um ser-poeta.
"



Por outro lado, o dr.  Ayrthon Borges Seródio, presidente da Academia Bonjesuense de Letras e do Conselho Municipal de Cultura de Bom Jesus do Itabapoana, escreveu no dia 15 de abril de 1996, na apresentação do livro CASTELO DE SONHOS, o seguinte:

"A autora é advogada, professora, orientadora educacional, orientadora pedagógica, supervisora educacional, jornalista, cronista, poetisa e declamadora. Ocupa atualmente a presidência da Câmara de Letras e Artes do Conselho Municipal de Cultura, onde desenvolve um trabalho fecundo e bastante relevante, na promoção e divulgação das letras e artes nos vales do Itabapoana e do Muriaé, e com o qual granjeou o epíteto de Embaixatriz da Cultura de Bom Jesus.

A poetisa, com seu estro fluente e descompromissado, nos brinda com poemas cheios de lirismo e de ternura, que se enquadram perfeitamente na corrente  neomodernista e são jóias de rara beleza, pela linguagem simples e espontânea.


Entre os poemas, eu ratifico as palavras do poeta Antonio Miguel e destaco "Cajueiro Amigo", sem dúvida seu melhor trabalho, digno de figurar nas melhores Antologias da Poesia Neomodernista, um cromo da sua meninice nas serras altaneiras de Varre-Sai, onde, suponho, tudo era sonho, festa e fantasia. Destaco, ainda, "Entardecer", um belíssimo poema, reminiscência também de sua infância irrequieta e cheia de alacridade. E por último não poderia deixar de citar "Lembranças", um poema dedicado à sua inolvidável mãe, onde, com um ponto de nostalgia, se vislumbra o amor filial cristalizado no coração da poetisa, em correspondência ao amor de mãe, que deveria ser mais duradouro, o amor sublime nos versos de Coelho Neto..."



Por fim, o jornal "A Ordem", de São José do Calçado (ES), publicou em outubro de 2011 a seguinte matéria: " NASCIMENTO DA ACADEMIA CALÇADENSE DE LETRAS".

"Em 28 de outubro de 1991, às19 h 30 min, na casa do professor aposentado Epaminondas Gomes Moreira, aconteceu a primeira reunião que teve como escopo criar, em São José do Calçado-ES a Academia Calçadense de Letras.

A referida reunião que se deu na residência do citado professor contou com a presença de Nísia Campos Teixeira, Alcemilson P. Gomes, professores Nadia Teixeira de Rezende (falecida), e Edson Lobo Teixeira.

Ressalta-se que o sonho de criar uma Academia Literária em São José do Calçado já existia desde a década de 80,em1986, quando os bardos Nadia Teixeira de Rezende, Joana D'Agustini, Florisbela Poubel e Edson Lobo Teixeira lançaram o livro de poesia "Nós Quatro" e, desde então, se reuniam os quatro durante anos, em encontros literários, continuamente nutrindo o sonho de aglutinar os escritores os escritores calçadenses numa confraria.

É certo e verdade que, a ideia de criar-se a Academia de Letras, em São José do Calçado, foi decorrente de uma conversa informal entre os professores Nísia Campos e Edson Lobo Teixeira, no Colégio Estadual Padre Mello, em Bom Jesus do Itabapoana-RJ.

Alguns meses depois, na noite de Autógrafos da professora Mercês Garcia Vieira, a professora Nísia Campos sentiu entusiasmada com os valores da terra calçadense e se empenhou em ajudar a alcançar aquele sonho considerado, no início, como "longínquo":  Criação de uma Academia de Letras.

Assim sendo, a escritora Nísia Campos participou com os literatos locais de outras reuniões, o que iria posteriormente, culminar na fundação da Academia Calçadense de Letras, em reconhecimento aos valores do município. Em vista disso, foi feita uma esmiuçadora análise dos cidadãos que se destacaram no panorama da vida calçadense.

Em um outro dia, no inspirador recinto bucólico entre flores e colibris do casal Ivonildes e Epaminondas, foi servido pelos anfitriões um coquetel de confraternização. No encerramento deste encontro, os presentes sugeriram um outro encontro para a quarta-feira seguinte, dia 06 de novembro de1991.

Com isso, sucessivamente aconteceram várias reuniões em seguida. Após a escolha dos 40 membros efetivos e dos 40 membros correspondentes, então finalmente, no dia 19 de dezembro de 1991, foi fundada a Academia Calçadense de Letras, no Salão Nobre da Câmara Municipal, a Academia Calçadense de Letras".





sábado, 1 de setembro de 2012

O amansador de burros

        Georgina e Nelson, em sua residência


Amansador de burro, tirador de leite e carreiro. Essas foram as profissões de Nelson Eusébio de Oliveira, bonjesuense nascido no dia 1º/05/1923 em Valão do Laje.

Filho de Manoel Eusébio de Oliveira, vindo de Santa Rita da Glória, em Minas Gerais, e de Maria Jorge Martins, portuguesa de Trás-os-Montes, Nelson Eusébio recebeu a reportagem de O Norte Fluminense nos dias 18 e 19 de junho de 2011 em sua residência, na rua José Carlos Campos, no. 77, próximo ao Espaço Cultural Luciano Bastos.

Segundo Nelson, ele amansava burro a cem mil reis cada um. Acredita que tenha amansado cerca de 300 (trezentos) burros e cavalos desde os 13 anos, quando aprendeu a domá-los, até alcançar a idade de 60 (sessenta) anos de idade. Embora não conseguisse ganhar muito dinheiro, "dava pra manter a família", garante ele.

Casado com Jorgina Fernandes de Oliveira, possui três filhos: Célia Maria, Paulo Afonso e Selma Maria.

Havia, segundo Nelson, outros amansadores de burro na região, mas considera que ele e Tóti Baiano eram os que realmente sabiam amansar os burros, que "eram trazidos de Minas Gerais, de cidades como Araxá, pelo sr. Lauzinho Borges, comerciante de burros". 

Para amansar o animal, ensina ele, era necessário "orelhar o burro", e para tanto, costumava ter a ajuda de sua esposa. Segundo Nelson, quando o burro tinha as orelhas torcidas, "ele não mais mexia". Cavalos e burros eram os meios mais frequentes de locomoção, na época, razão pela qual a profissão de amansador de burro era valorizada, explica Nelson.

Além de domesticar animais, Nelson tirava leite, carreava bois ("levava 5 juntas de boi") e também carregava lenha para a construção de casas na cidade.


Recorda-se do tempo em que morava na Fazenda Bela Vista, onde hoje está situado o Sítio Bela Vista, que é propriedade dos herdeiros de Luciano Bastos. Casou-se com 31 anos de idade e mudou-se para Bom Jesus do Norte (ES), para uma propriedade onde havia plantação de café. Como o Governo na época estava "dando dinheiro para acabar com a lavoura de café", vendeu os grãos existentes na propriedade e resolveu comprar uma outra em Limoeiro. Em 1972, comprou a casa onde mora atualmente.

Recorda-se, ainda, que Carlos José Brambila, diretor do Colégio Rio Branco, era integralista. "Houve uma época em que os integralistas foram perseguidos e Carlos José Brambila teve que ficar escondido na fazenda de meu pai por cerca de um mês. Depois, passado o perigo, José Brambila retornou à direção do Colégio", salienta.

O Alto da Santa Rita, segundo ele, se tornou um lugar "carrapichado, lugar largado, onde os circos costumavam se estabelecer".

Nelson lembra da época em que a estação de trem em Bom Jesus do Norte possuía linha direta com Santo Eduardo (RJ), que, por sua vez, ia até Barão do Mauá (RJ), sem passar por Bom Jesus do Itabapoana.

Ismênia Campos, que era a diretora do Grupo Escolar Pereira Passos localizado onde hoje funciona o Big Hotel, era "rigorosa", acentua Nelson. Segundo ele, o educandáriao "era de propriedade de Sinhozinho Teixeira. Certa vez, quando eu cursava a 4a. série, fui levado para o gabinete do educandário, mas como eu temia que usassem a palmatória em mim, eu passei por entre as pernas da diretora e fugi da escola". 

Rebenta Rabicho, estrada hoje asfaltada: quando criança, Nelson andava cerca de 4 km para  estudar na cidade


Nelson se lembra, ainda, que, para estudar, tinha de transitar pela região chamada "Rebenta Rabicho" ("Rabicho é a peça de arreio do cavalo ou burro", explica) a pé, andando cerca de 4 km, desde o Sítio Bela Vista.

A respeito de seu pai, Nelson diz que  ele "possuía muita gente para trabalhar para ele. Possuía dois carreiros (carros-de-boi) e vendia linha a 15 mil réis o carro de boi".  

Mesmo com problemas de saúde, Nelson se diz "realizado, à disposição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo o que Deus fez por mim está bem feito. Quando Ele quiser me levar, estou à disposição dele", finalizou.