terça-feira, 22 de setembro de 2026

A glória e a desolação em um único lance de xadrez

 

A imagem eterniza o instante exato em que o enxadrista, vencido pela própria dor, permanece sentado diante de um silêncio devastador, profundamente só em meio a um salão repleto de pessoas


Na fotografia de Michal Walusza, da FIDE, o silêncio parece pesar mais do que todas as peças reunidas sobre o tabuleiro. De um lado, Nodirbek Yakubboev permanece sentado, ainda diante do campo onde travou a batalha decisiva. Do outro, Nihal Sarin inclina a cabeça e esconde o rosto entre os braços, como se procurasse abrigo contra a dor de um instante que jamais poderá ser recolhido.

O xadrez pode ser cruel justamente porque não conhece o esquecimento. Cada lance fica gravado na memória; cada oportunidade perdida retorna, insistente, perguntando o que teria acontecido se outra peça tivesse sido movida, se alguns segundos tivessem sido usados de maneira diferente, se a mão houvesse encontrado o caminho que a razão não conseguiu enxergar.

Nihal tinha vantagem na posição. Tinha também vantagem no relógio. Parecia conduzir a partida para um desfecho favorável, enquanto milhões de olhos acompanhavam o duelo decisivo entre Índia e Uzbequistão. Mas, no xadrez, nenhuma vantagem é uma promessa. Basta um lance impreciso para que o chão se abra sob as 64 casas e a vitória, até então tão próxima, se transforme em miragem.

Quando a partida terminou, não foi apenas um rei que caiu. Sobre os ombros do jovem indiano desabaram a expectativa de sua equipe, o peso de uma nação apaixonada pelo xadrez e a amarga consciência de que a história estivera por alguns instantes em suas mãos. A imagem registra esse momento exato em que o enxadrista permanece sentado diante do próprio silêncio, sozinho em meio a um salão repleto de pessoas.

Do outro lado estava Yakubboev, que soube resistir, esperar e acreditar. Sua vitória garantiu o triunfo do Uzbequistão sobre a poderosa Índia e levou a seleção da casa à liderança isolada da Olimpíada de Xadrez realizada em Samarcanda. Para o público uzbeque, foi uma explosão de alegria; para Nihal, o mundo pareceu reduzir-se à pequena escuridão formada por seus braços sobre a mesa.

A fotografia mostra as duas faces eternas do esporte: a glória e a desolação separadas por um único lance. Enquanto uma nação celebrava, um jovem enxadrista tentava compreender como a vitória lhe escapara entre os dedos.

Mas o xadrez, embora implacável, também ensina a recomeçar. Amanhã, Nihal voltará a levantar a cabeça, reorganizará as peças dentro de si e retornará ao tabuleiro. Os grandes jogadores não são apenas aqueles que vencem partidas decisivas. São também aqueles que, depois de atravessarem a noite mais silenciosa de uma derrota, encontram forças para mover novamente a primeira peça.

Uzbequistão derrota a Índia no confronto decisivo e reina absoluto na Olimpíada de Xadrez

 

O lance tático do uzbeque que decidiu a partida 

Em Samarcanda, antiga cidade atravessada por caravanas, impérios e sonhos, uma nova história foi escrita sobre as 64 casas do tabuleiro. Não houve o rumor das antigas batalhas nem o galope de cavalos pelas rotas da seda. Houve apenas o silêncio, o correr implacável dos relógios e dois jovens enxadristas diante de um destino que ainda não escolhera seu vencedor.

De um lado, Nihal Sarin, representante da poderosa Índia, trazia no tabuleiro uma posição superior e, no relógio, a tranquilidade de quem possuía quase meia hora de vantagem. Do outro, Nodirbek Yakubboev lutava contra as peças, contra o tempo e contra a sombra da derrota. Restavam-lhe poucos minutos, enquanto o adversário parecia conduzir serenamente a partida para o triunfo.

Mas o xadrez é um reino em que nenhuma vitória existe antes do último gesto.

Na pressa de transformar a vantagem em ponto, Nihal jogou 37...Cf5??. Foi um pequeno movimento, quase imperceptível para quem observa o tabuleiro como simples paisagem, mas suficiente para abrir um abismo. A dama indiana, até então senhora de seus caminhos, ficou presa à fatalidade de uma combinação inesperada.

Yakubboev enxergou, então, aquilo que somente os grandes jogadores conseguem ver quando o relógio aperta e o coração se agita. Jogou 38.Ce6!!. O cavalo saltou como se atravessasse não apenas algumas casas, mas toda a distância entre a derrota anunciada e a vitória inesquecível. Era um golpe belo, preciso e inevitável. A Índia perdia a dama; o Uzbequistão conquistava o confronto.

Nos outros três tabuleiros, as partidas haviam terminado empatadas. Toda a responsabilidade permanecia, portanto, sobre aqueles dois homens e aquele cavalo colocado em e6. Quando a vitória se confirmou, o capitão Rustam Kasimdzhanov celebrou ao lado de Yakubboev. Não era apenas a alegria por um ponto conquistado. Era a emoção de um país inteiro que, jogando diante de sua gente, assumia isoladamente a liderança da 46ª Olimpíada de Xadrez.

Após seis rodadas, o Uzbequistão alcançava 12 pontos, com aproveitamento perfeito. China e Armênia vinham logo atrás, com 11. A Alemanha, que também iniciara a rodada sem tropeços, caiu diante da China por 3 a 1. No primeiro tabuleiro, Ding Liren derrotou Vincent Keymer; no quarto, Xu Xiangyu venceu Alexander Donchenko. A competição mostrava, mais uma vez, que até os favoritos precisam caminhar com cuidado: no tabuleiro, toda certeza pode desaparecer entre dois lances.

Na disputa feminina, China e Cazaquistão permaneceram soberanos, ambos com 12 pontos. A China venceu a Polônia por expressivos 3,5 a 0,5, enquanto o Cazaquistão superou o Azerbaijão por 2,5 a 1,5. A Índia, ferida pela derrota da rodada anterior, reencontrou sua força ao derrotar os Estados Unidos por 3 a 1. Savitha Shri e Vantika Agrawal foram as estrelas de uma reação que recolocou as indianas no caminho do pódio.

Contudo, a imagem que ficará guardada na memória da sexta rodada será a de Yakubboev diante de Nihal. Um jogador quase vencido, com pouco tempo no relógio, encontrando no instante mais difícil a claridade de um lance extraordinário. Porque o xadrez também é isso: a arte de permanecer de pé quando a posição parece desabar; a coragem de procurar uma saída onde todos enxergam apenas muros.

Em Samarcanda, por alguns segundos, o mundo coube em um tabuleiro. Um cavalo saltou para e6, uma dama caiu e uma nação inteira se levantou. O Uzbequistão assumiu a liderança isolada, mas conquistou algo ainda mais duradouro: uma dessas partidas que deixam de pertencer somente ao torneio e passam a habitar, para sempre, a memória do xadrez.



Summer Seaside Sunset Café


 

Xadrez, um esporte único: 73 anos separam a jogadora mais jovem da mais idosa na Olimpíada do Uzbequistão

 

Nessa partida em Samarcanda, Jessica e Julia mostraram ao mundo que jamais será cedo demais para começar, nem tarde demais para continuar sonhando



Na Olimpíada de Xadrez de 2026, realizada em Samarcanda, no Uzbequistão, uma partida tornou-se símbolo dessa universalidade. De um lado estava Jessica Kobeissey, do Líbano, com apenas 9 anos. Do outro, a Mestra Internacional Feminina Julia Lebel-Arias, nascida na Argentina e representante de Mônaco, aos 82 anos. Entre ambas, 73 anos de diferença. Sobre o tabuleiro, contudo, havia somente duas enxadristas e o mesmo infinito de possibilidades.

Jessica chegou carregando a alvorada da vida. Talvez ainda precise ficar na ponta dos pés para alcançar alguns sonhos, mas já se senta diante do tabuleiro com a coragem de quem deseja conquistá-los. Julia trouxe consigo a serenidade do entardecer, décadas de partidas, vitórias, derrotas, viagens e ensinamentos gravados na memória.

Quando os relógios foram acionados, o tempo pareceu brincar consigo mesmo. De um lado, a menina que começa a escrever sua história; do outro, a mestra que carrega uma verdadeira biblioteca de experiências. A juventude encontrou a longevidade. A pressa dos primeiros passos dialogou com a paciência adquirida ao longo de uma vida.

Julia venceu a partida, mas o resultado foi apenas um detalhe diante da grandeza daquele encontro. Jessica recebeu uma lição que nenhum livro poderia oferecer; Julia, por sua vez, contemplou diante de si a continuidade do esporte ao qual dedicou tantos anos. Uma representava a semente; a outra, a árvore carregada de histórias. Ambas pertenciam à mesma floresta encantada do xadrez.

Talvez nenhum outro esporte pudesse produzir uma imagem tão bela: uma criança de 9 anos e uma mestra de 82 separadas por 73 anos, mas aproximadas pelas mesmas 64 casas. Ali não existiam fronteiras entre o Líbano, a Argentina e Mônaco. Havia somente o idioma silencioso das peças, compreendido por todas as idades e por todos os povos.

O xadrez é assim: um esporte em que a infância pode desafiar a experiência, e a experiência pode acolher a infância. Um reino onde o tempo não afasta as pessoas, apenas acrescenta novas histórias ao tabuleiro.

Nessa partida em Samarcanda, Jessica e Julia mostraram ao mundo que jamais será cedo demais para começar, nem tarde demais para continuar sonhando.



Três ipês para florir o futuro na Casa dos Açores


Em comemoração ao Dia da Árvore, nesta terça-feira, dia 22, às 8h, alunos da rede municipal de Apiacá visitaram a Casa dos Açores do Espírito Santo, CAES, onde plantaram três mudas de ipê-amarelo. Foi uma manhã de encontro entre a  juventude, a natureza e a memória açoriana preservada pela instituição.

Os estudantes tiveram também a oportunidade de conhecer a CAES, sua história e sua missão cultural. Assim, enquanto descobriram as raízes daqueles que atravessaram o oceano e ajudaram a formar nossa identidade, os alunos lançaram novas raízes à terra capixaba.

Cada muda guardará a lembrança das pequenas mãos que a plantaram. Com o passar dos anos, os ipês crescerão, enfrentarão ventos, chuvas e verões. E chegará o dia em que suas flores amarelas iluminarão a paisagem como pequenos sóis. Talvez aqueles alunos, já adultos, regressem ao local e possam dizer aos filhos: “Eu ajudei a plantar esta árvore”.

Três mudas serão plantadas, mas incontáveis sementes de consciência ambiental foram lançadas. Ensinar uma criança a cuidar de uma árvore é também ensiná-la a respeitar a vida, proteger a natureza e compreender que ninguém constrói o amanhã sem preservar o chão onde repousam as próprias raízes.

O encontro contou com a cobertura da TV Alcance, sob a direção de Isac Nascimento, registrando para a história o instante em que a juventude de Apiacá ajudou a escrever, com terra nas mãos e esperança no coração, mais uma página verde na trajetória da Casa dos Açores do Espírito Santo. (Fotos: Isac Nascimento).












segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Pensando grande, por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*Pensando grande.*


*A vida é uma fortaleza que vamos construindo a cada dia e nela colocamos nossos sentimentos e a nossa luta em favor de nossos sonhos!*


*"Mesmo que esteja ocupado, você deve sempre arranjar tempo para fazer alguém se sentir importante!"*


*A VIDA NÃO TEM REPLAY, ENTÃO APROVEITE CADA MOMEMTO!*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Sítio Estrelinha recebe a Arte do Agricultor com o Mestre Artesão Daniel de Lima

  


No Sítio Estrelinha, em Casimiro de Abreu, o barro voltou a despertar sob mãos que conhecem seus segredos. No ateliê de Dona Antonieta, a Arte do Agricultor retomou hoje suas atividades, conduzida pelo talento e pela generosidade do Mestre Artesão Daniel de Lima, que regressou voluntariamente para compartilhar saberes, acender o forno e manter viva uma tradição construída com terra, fogo, paciência e afeto.

Foi um dia fecundo. Houve queima de peças, aula, troca de experiências e reunião para o planejamento das próximas atividades. Cada objeto levado ao forno parecia carregar não apenas a forma que lhe deram as mãos, mas também as histórias de quem aprendeu a transformar a matéria simples da terra em beleza, identidade e permanência.

Daniel de Lima estará no ateliê duas vezes por mês. Sua presença, porém, não se limita aos dias marcados no calendário. O verdadeiro mestre permanece nos gestos daqueles que ensina. Dona Antonieta, Cris, Vera, Dona Ivanilda e Rosângela são lideranças e multiplicadoras de suas lições. Em cada uma delas, o conhecimento recebido encontra novas mãos, outras vozes e caminhos para continuar.

A iniciativa busca também promover o ateliê de Dona Antonieta, esse espaço onde a criatividade rural ganha forma e dignidade. Ali, o artesanato não é apenas produção: é encontro, aprendizado, oportunidade e resistência cultural. Cada peça nasce da terra, mas leva consigo um pedaço da alma de quem a criou.

A ação de Daniel conta ainda com o apoio de Natcha Dias, incentivadora do artesanato como instrumento de desenvolvimento. Suas palavras traduzem com precisão o sentido desse trabalho: “O artesanato carrega história, talento, identidade e muito trabalho”.

E foi exatamente isso que se viu no Sítio Estrelinha: a história aquecida pelo fogo, o talento modelado pelas mãos, a identidade preservada em cada peça e o trabalho transformado em esperança. Quando um mestre como Daniel de Lima divide aquilo que sabe, ele não ensina apenas a modelar o barro. Ensina uma comunidade a reconhecer o próprio valor e a compreender que, algumas vezes, a eternidade também pode nascer de um punhado de terra.