quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Suzany leva o nome do Padre Mello ao tabuleiro


  

Nos dias 19 e 20 de setembro, o C. E. Padre Mello viverá um dos momentos especiais em que uma escola se transforma em território de sonhos. Isso ocorrerá  por ocasião do Torneio Bom Jesus de Xadrez Clássico 2026, organizado pelo Clube de Xadrez Bom Jesus do Norte.

Entre os participantes estará a aluna Suzany Aparecida Vieira Quinto, atleta filiada à Confederação Brasileira de Xadrez, que terá a honra e a responsabilidade de representar o C. E. Padre Mello na competição.

Diante do tabuleiro, Suzany não estará sozinha. Em cada lance, levará consigo o nome de sua escola, o incentivo de seus professores e colegas e a esperança de todos aqueles que acreditam no xadrez como instrumento de educação, concentração e crescimento humano. Suas mãos moverão as peças, mas será toda a comunidade escolar que, simbolicamente, estará ao seu lado.

O torneio será também marcado por um acontecimento de profundo significado: a inauguração da Sala de Xadrez Dr. Gino Martins Borges Bastos, homenagem ao ex-professor da instituição, cuja trajetória permanece ligada à memória afetiva e educacional do colégio. A nova sala nascerá como um espaço destinado ao conhecimento, ao encontro e à formação de novas gerações de enxadristas.

Uma sala de xadrez dentro de uma escola é muito mais do que um lugar onde se movimentam torres, bispos, cavalos, reis e rainhas. É uma janela aberta para o raciocínio, uma oficina de paciência e um convite para que os jovens aprendam a pensar antes de agir, a respeitar o adversário e a compreender que cada escolha produz consequências.

A presença do Mestre FIDE Diogo Guimarães, campeão catarinense de xadrez, acrescentará brilho especial ao evento. Sua participação aproximará os jovens de um enxadrista de reconhecida trajetória e mostrará que os grandes caminhos também começam com os primeiros movimentos sobre um simples tabuleiro.

A diretora-geral do C. E. Padre Mello, Nathyara Teixeira, convida toda a comunidade para prestigiar essa celebração do esporte e da educação. No sábado e no domingo, o silêncio concentrado das partidas falará mais alto do que muitas palavras. Cada relógio acionado marcará não apenas o tempo de jogo, mas também o nascimento de uma nova etapa na história do xadrez escolar em Bom Jesus do Itabapoana.

Quando Suzany fizer seu primeiro lance, uma certeza estará presente na Sala: independentemente do resultado final, ela já será vitoriosa por representar sua escola e mostrar que a juventude, quando encontra incentivo e oportunidade, é capaz de avançar com coragem pelo imenso tabuleiro da vida.


Brasil Tropeça na Coragem de Botswana: a Zebra Africana na Olimpíada de Xadrez

 

Quando a 133ª Desafiou a 31ª



Em Samarcanda, antiga cidade atravessada pelas memórias da Rota da Seda, o xadrez voltou a ensinar uma de suas lições mais belas: diante do tabuleiro, não existem gigantes invencíveis nem pequenos condenados à derrota. Existem apenas dois exércitos, sessenta e quatro casas e a coragem de quem se dispõe a lutar.

Nesta quarta-feira, 16 de setembro, o Brasil iniciou sua caminhada na 46ª Olimpíada de Xadrez como amplo favorito diante de Botswana. A equipe brasileira ocupa a 31ª posição entre as cabeças de chave da competição; a seleção africana aparece apenas na 133ª. Entre ambas havia uma distância de mais de cem posições, um abismo nos números, mas não no espírito.

Botswana atravessou esse abismo.

Sem se intimidar com os títulos dos adversários, seus enxadristas sentaram-se diante dos brasileiros e fizeram do silêncio do salão uma declaração de independência. Cada lance parecia dizer que o xadrez não pertence somente às grandes escolas, às federações tradicionais ou aos nomes consagrados. O xadrez pertence também a quem acredita.

No primeiro tabuleiro, o mestre internacional Providence Oatlhotse derrotou o grande mestre Alexandr Fier. Não foi apenas um ponto conquistado: foi o instante em que a lógica começou a vacilar. No quarto tabuleiro, Mogotsi Arnold Mothudi, sem título internacional e com rating consideravelmente inferior, venceu o mestre internacional Roberto Molina. Foi quando a surpresa deixou de ser uma possibilidade e ganhou a forma definitiva de um resultado histórico.

Brasil 2, Botswana 2.

O placar percorreu o salão de Samarcanda como um vento vindo das planícies africanas. A 133ª equipe da classificação inicial havia contido a 31ª. Uma das maiores surpresas da rodada estava consumada.

Para o Brasil, ficou a lição severa de que nenhuma partida está vencida antes do primeiro movimento. A camisa, os títulos e o favoritismo não movem as peças. No xadrez, como na vida, cada conquista precisa ser novamente merecida.

Para Botswana, porém, o empate teve o brilho de uma vitória. Foi a recompensa dada àqueles que chegaram sem o peso das expectativas, mas carregando a liberdade dos que nada têm a perder e um mundo inteiro a conquistar.

Enquanto isso, a equipe feminina brasileira escreveu uma página perfeita, vencendo seu confronto por 4 a 0 contra a Mauritânia. As brasileiras caminharam com segurança sobre os tabuleiros e fizeram uma estreia luminosa, conquistando os dois pontos de match e todos os quatro pontos individuais.

O primeiro dia, portanto, ofereceu ao Brasil duas faces do xadrez: a alegria plena da equipe feminina e o inesperado tropeço da equipe absoluta. Ainda restam muitas rodadas, batalhas e caminhos pela frente.

Mas a primeira jornada da Olimpíada de Samarcanda já encontrou sua imagem inesquecível: Botswana, pequeno nos números e imenso diante do tabuleiro, lembrando ao mundo que, quando as peças começam a se mover, toda hierarquia pode desmoronar, e até o mais distante peão pode sonhar em se tornar rainha.

Comenda consagra a trajetória de André Luiz de Oliveira

 

André Luiz de Oliveira: uma medalha no peito, uma história no coração



No dia 20 de novembro, quando o Brasil se volta para a memória de Zumbi dos Palmares e para a resistência de tantos homens e mulheres que escreveram, com coragem e sacrifício, a história da liberdade, uma homenagem especial iluminará a Biblioteca de Valparaíso, na Serra, Espírito Santo.

A partir das 18 horas, durante o segundo dia do XXIII Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores, o acadêmico André Luiz de Oliveira receberá a Comenda do Mérito Zumbi e Dandara - Guerreiros de Palmares, concedida pela Academia de Letras e Artes.

Não será apenas uma medalha colocada sobre o peito. Será o reconhecimento de uma caminhada, a celebração de uma voz e a consagração de um compromisso com a cultura, a literatura e a dignidade humana.

Esta comenda traz consigo a força de Zumbi, a valentia de Dandara e a memória de Palmares, território de resistência, liberdade e esperança. Ao recebê-la, André Luiz de Oliveira passa a carregar simbolicamente o testemunho daqueles que jamais aceitaram que as correntes fossem mais fortes do que o sonho.

E que lugar poderia ser mais apropriado para esse momento do que uma biblioteca? No meio de livros, versos e silêncios habitados por tantas vozes, a homenagem encontrará sua verdadeira morada. Ali, cada estante parecerá testemunhar a cerimônia; cada página guardará um pouco da emoção; e cada poema lembrará que a palavra também é instrumento de resistência e libertação.

No coração de um congresso que reúne poetas e trovadores, a entrega da comenda ganhará ainda maior significado. Sào os poetas que recolhem as dores do tempo e as transformam em esperança. São os trovadores que fazem caber, em poucos versos, a imensidão dos sentimentos humanos.

Na noite de 20 de novembro, a Biblioteca de Valparaíso não será apenas um espaço de livros. Será um território de memória, reconhecimento e justiça. E, no momento em que a medalha repousar sobre o peito de André Luiz de Oliveira, nela estarão refletidos muitos rostos, muitas lutas e muitos sonhos.

Certas medalhas não pertencem somente a quem as recebe. Pertencem também à história, à cultura e à esperança de um mundo no qual todos possam caminhar com liberdade, respeito e dignidade.

O jornal O Norte Fluminense parabeniza o acadêmico André Luiz de Oliveira! Que a Comenda do Mérito Zumbi e Dandara - Guerreiros de Palmares ilumine ainda mais sua trajetória e fortaleça sua missão de semear cultura, consciência e fraternidade por meio da palavra.




terça-feira, 15 de setembro de 2026

DE SAMARCANDA A BOM JESUS: O MUNDO REUNIDO DIANTE DO TABULEIRO NA OLIMPÍADA DE XADREZ


Da Rota da Seda às margens do Itabapoana





Na antiga Samarcanda, onde durante séculos caminharam mercadores, viajantes, sábios e poetas, o mundo voltou a se encontrar. Desta vez, não para negociar sedas, especiarias ou pedras preciosas, mas para celebrar uma linguagem silenciosa e universal: o xadrez.

Na noite de 15 de setembro de 2026, a lendária cidade do Uzbequistão abriu solenemente a 46ª Olimpíada de Xadrez. Às margens do canal da Rota da Seda, o Anfiteatro Boqiy Shahar recebeu mais de duas mil pessoas para uma cerimônia que pareceu ter saído das páginas encantadas de um livro oriental.

Durante quase duas horas, o xadrez deixou de ser apenas o movimento silencioso das peças e ganhou música, luzes, cores e movimento. Mais de cem músicos e duzentos bailarinos e cantores transformaram o anfiteatro em um vasto palco de beleza. Houve ópera, danças coreografadas, unidades militares, trajes tradicionais e a delicada distribuição de doces em cestas ornamentadas, antigo gesto de hospitalidade de um povo que abriu suas portas para o mundo.

Os hinos do Uzbequistão e da Federação Internacional de Xadrez elevaram-se solenemente pela noite de Samarcanda. Em seguida, projeções tridimensionais envolveram o cenário, enquanto drones desenharam peças de xadrez no céu. Reis, damas, torres, bispos, cavalos e peões pareciam flutuar acima da cidade, como se o próprio firmamento houvesse se transformado num imenso tabuleiro.

O primeiro-ministro do Uzbequistão, Abdulla Aripov, levou aos presentes a saudação do presidente da República. Depois, Viswanathan Anand, pentacampeão mundial e presidente interino da FIDE, dirigiu palavras de acolhimento aos enxadristas. Sua presença simbolizava a grandeza de um esporte que une gerações, povos e culturas.

Coube à ex-campeã mundial Zhu Chen e ao ex-campeão mundial uzbeque Rustam Kasimdzhanov realizar o tradicional sorteio das cores para a primeira rodada. Em um gesto simples, peças brancas e pretas foram retiradas de caixas tradicionais. Assim, entre símbolos da milenar cultura oriental, começou a ser escrito o destino esportivo da competição.

Ao final, centenas de jogadores subiram ao palco. Música, dança e fogos de artifício iluminaram a noite. Por alguns instantes, adversários deixaram de existir. Ali estavam apenas mulheres e homens vindos dos mais diferentes países, unidos pela mesma paixão e pelo mesmo sonho.

Michael Rahal, jornalista da FIDE que presenciou até mesmo as cerimônias dos Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992, afirmou que nenhuma delas se aproximou do que viu em Samarcanda. Talvez porque aquela noite não tenha sido apenas uma solenidade de abertura. Foi um encontro entre o passado e o futuro, entre a tradição e a juventude, entre a memória da Rota da Seda e os caminhos que o xadrez ainda abrirá.

A Olimpíada nasce histórica, reunindo o recorde de 400 equipes, 208 na categoria Aberta e 192 na Feminina. Cada tabuleiro será uma pequena representação do mundo. Cada partida contará uma história de coragem, cálculo, sacrifício e esperança. E, a milhares de quilômetros de Samarcanda, Bom Jesus do Itabapoana também estará diante desse grande tabuleiro.

Por meio do jornal O Norte Fluminense, nossa terra acompanhará os lances, as vitórias, as surpresas e as emoções da maior celebração mundial do xadrez. Das margens do lendário canal da Rota da Seda às margens do rio Itabapoana, haverá uma ponte invisível construída por torres, cavalos e peões.

Quando a primeira peça for movimentada, na quarta-feira, 16 de setembro, Samarcanda será a capital mundial do xadrez. E Bom Jesus, com os olhos voltados para o Uzbequistão, também fará parte dessa história.

O xadrez não conhece distâncias. Sempre  haverá um tabuleiro e alguém sonhando com o próximo lance.    Sempre haverá uma nova estrada unindo povos, cidades e corações.















 

José Antônio: uma vida feita de raízes, caminhos e canções

 


José Antônio Borges Alvarenga é uma das pessoas raras que enquanto caminham, plantam árvores, constroem pontes, reúnem pessoas e deixam melodias pairando no ar. 

A imagem que o retrata não é apenas uma composição de fotografias e palavras. É uma espécie de mapa afetivo, no qual cada detalhe revela um território de sua existência. No centro está José Antônio, de microfone nas mãos e sorriso aberto, como se estivesse prestes a apresentar uma canção. Ao seu redor estão as verdadeiras coordenadas de sua caminhada: a família, a natureza, a música, os projetos, os amigos e os lugares onde deixou um pouco de si.

Elizete surge como companheira de vida, aquela presença que divide os dias, os sonhos, as decisões e os silêncios. Luísa e Leonardo representam a continuidade do caminho; Habib e Kath ampliam os laços familiares; e Athena, com sua serena majestade felina, recorda que uma casa também se torna lar por meio dos pequenos afetos cotidianos. A família, como anuncia a própria imagem, é a base para tudo.

Mas o coração de José Antônio não permanece fechado dentro das fronteiras domésticas. Ele se expande pelas montanhas de Santa Maria de Jetibá, encontra abrigo na Ecovila Bom Destino e se compromete com a preservação da RPPN Macaco Barbado. Planejamento, estatutos, planos de manejo e gestão associativa podem parecer palavras técnicas; em suas mãos, contudo, transformam-se em instrumentos de cuidado. Afinal, preservar a natureza é escrever uma carta de amor às gerações que ainda não nasceram.

A Casa dos Açores do Espírito Santo também ocupa lugar especial nesse itinerário. Em Apiacá, no meio de bandeiras, história e identidade, José Antônio encontra mais uma morada para a memória. Ali, a cultura açoriana deixa de ser apenas herança do passado para se tornar convivência, integração e compromisso com o futuro. Uma tradição somente permanece viva quando encontra pessoas dispostas a carregá-la não como peso, mas como chama.

E há a música, essa linguagem que dispensa passaporte e faz de cada palco um porto de encontro. Santa Teresa, Bom Jesus do Norte, Bom Jesus do Itabapoana, Apiacá e tantos outros lugares formam as escalas de uma viagem musical que não se mede apenas em quilômetros. Cada apresentação aproxima pessoas, desperta lembranças e transforma por alguns instantes uma praça, um salão ou uma rua no centro do mundo.

Sobre a mesa aparecem mapas, livros, câmera, bússola, cadernos e canetas. São objetos de quem não deseja apenas passar pelos lugares, mas conhecê-los, registrá-los e compreendê-los. Os livros parecem sustentar os muitos pilares de sua vida: família, saúde, direito, natureza, música, Casa dos Açores, amizades e um futuro sustentável. A bússola, por sua vez, aponta para um norte que não é somente geográfico. Seu verdadeiro norte está expresso em palavras simples e essenciais: disciplina, equilíbrio, saúde e gratidão.

No computador, uma síntese de sua filosofia: planejar, construir, preservar, unir pessoas, fazer música e deixar um legado positivo. Talvez seja exatamente isso o que José Antônio vem realizando. Sua obra não se encontra em um único projeto, palco ou endereço. Está espalhada nas pessoas que reuniu, nas paisagens que ajudou a proteger, nas instituições que fortaleceu e nas músicas que entregou ao vento.

A imagem, portanto, é mais do que um retrato. É a cartografia de uma existência fecunda. Nela, os caminhos da natureza se encontram com as estradas da cultura; a história dos Açores dialoga com a vida capixaba; e a música oferece ritmo à permanente aventura de construir um mundo melhor.

José Antônio sabe que viver verdadeiramente é isso: conhecer, aprender, respeitar, compartilhar e agradecer. E que, ao final de cada viagem, o patrimônio mais precioso não será aquilo que acumulamos, mas as pessoas, os lugares e as histórias que fizeram a vida valer a pena.


Café in Porto


 

Uma carta sobre algumas amizades, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*Uma carta sobre algumas amizades*


Tem gente que fez parte de uma fase bonita da nossa vida.


Depois, os caminhos mudaram. As conversas diminuíram. A rotina ficou diferente.


E tudo bem.


Nem toda amizade precisa permanecer perto para continuar sendo verdadeira.


Algumas pessoas simplesmente mudam de lugar na nossa história.


E ainda assim, continuam sendo queridas.


*Tem pessoas que não passam pela nossa vida por acaso, elas chegam, tocam a nossa alma, deixam amor em cada lembrança e se tornam aquele sentimento bonito que o coração guarda para sempre.*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*