quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Morre o bonjesuense José Luiz Padilha Martins; comunidade lamenta perda e presta homenagens

 Com informação de Raul Travassos 


A cidade amanheceu em silêncio.

Não o silêncio comum das manhãs de interior, quebrado pelo canto dos galos ou pelo ranger dos portões antigos, mas um silêncio mais fundo,  desses que parecem nascer dentro do peito da gente. Faleceu o bonjesuense José Luiz Padilha Martins, e com ele parte um pedaço da história afetiva de nossa terra.

Há pessoas que não ocupam apenas um endereço; ocupam um tempo. José Luiz era dessas presenças que atravessavam gerações como quem atravessa a praça principal em fim de tarde,  cumprimentando um, aconselhando outro, sorrindo para todos. Seu nome não era apenas registro em cartório, era memória viva nas esquinas, nas conversas demoradas, nas lembranças que agora se tornam relíquias.

Em cada cidade pequena existem aqueles que, sem alarde, sustentam o espírito do lugar. São guardiões invisíveis das tradições, das histórias repetidas à sombra das árvores antigas, dos valores que não se ensinam em livros. José Luiz era um desses expoentes bonjesuenses,  referência, presença, raiz.

Ao saber da notícia, ecoaram as palavras de Raul Travassos:

“Mais um expoente bonjesuense que nos deixa... A cada dia ficamos mais pobres.”

E é verdade. Não se trata da pobreza das moedas, mas da ausência dos que carregavam consigo a riqueza da experiência, da convivência, da memória. Cada partida é como uma página arrancada do livro coletivo da cidade. Permanecem as histórias, mas já não temos a voz que as contava.

Contudo, há uma forma serena de permanência. Ela mora nas lembranças compartilhadas, nas atitudes que inspiraram outros, nos valores que continuam a ser vividos por filhos, amigos, conterrâneos. José Luiz não se despede por inteiro; ele se espalha. Fica na praça, no banco da igreja, na calçada onde conversava, no coração de quem o conheceu.

Bonjesuense não é apenas quem nasce aqui, é quem constrói pertencimento. E José Luiz construiu.

Hoje, a cidade chora. Amanhã, lembrará. E enquanto houver memória, haverá presença.

Que descanse em paz.

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