O Riso e o Verso: As Guardiãs da Silveirada
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| Dinah Silveira |
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| Maria da Penha Silveira |
Esta crônica celebra o olhar da memorialista da família Silveira, Ana Maria Silveira, que, ao resgatar a história de suas tias, permite que o Memorial do Sítio Rio Preto palpite com a vida daquelas que foram o alicerce afetivo da "Silveirada".
No Sítio Rio Preto, onde o vento ainda sopra histórias entre os cafezais de Calheiros, a memória não é feita apenas de decretos e palanques. Graças ao fio condutor de Ana Maria Silveira, a história da família ganha contornos de seda e vozes femininas. Se os homens Silveira ocuparam o mapa político do Brasil, foram as mulheres, como Dinah e Maria da Penha, que desenharam o mapa do coração dessa estirpe.
Dinah: A Poesia em Movimento
Nascida sob o olhar de Boanerges e da amada Biluca, Dinah carregava o Sítio Rio Preto na alma, mesmo quando a vida a levou para os balcões dos Correios em Niterói ou para o rigor da vida ao lado de um General. Mas em Dinah, o uniforme cedia lugar ao verso.
Ela era a mestre de cerimônias da alma. Quando a família se reunia, aquele coletivo barulhento e vibrante que ela batizou de "Silveirada", Dinah subia ao palco do afeto. Declamava a vida como quem reza, sabendo que a política passa, mas a rima permanece. Era dela a sentença que virou hino:
"Quando junta a Silveirada, há política e gargalhada."
Maria da Penha: O Mensageiro da Estrela
Também vinda do solo sagrado de Bom Jesus do Itabapoana, Maria da Penha trilhou caminhos semelhantes. Do colégio de freiras em Campos à labuta nos Correios, sua vida foi uma entrega ao outro. Casada com Geraldo Medina Rangel, ela multiplicou o sobrenome Silveira em novos ramos, Altamiro, Antônio e Geraldo Jr., garantindo que a árvore continuasse a dar frutos e netos.
Maria da Penha era a antítese do conflito. Se os irmãos debatiam o destino do Rio de Janeiro ou do Paraná, ela geria o destino da harmonia. Era a portadora das boas novas, a ponte que ligava os parentes distantes, o abraço que esperava na porta. Uma presença agregadora que lembrava a todos que, no fim do dia, o que sustenta um sobrenome é a doçura com que ele é pronunciado.
O Altar de Rio Preto
No próximo dia 7 de agosto, quando o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira completar dez anos, as paredes daquela casa não falarão apenas de grandes homens. Elas ecoarão o riso de Dinah e a suavidade de Maria da Penha.
Pelas mãos de Ana Maria, a memorialista que se recusa a deixar o tempo apagar o brilho dos olhos de suas antepassadas, Dinah e Maria da Penha voltam para casa. Elas retornam ao Sítio Rio Preto para lembrar que a "Silveirada" é, antes de tudo, uma celebração da vida, onde a política e a gargalhada caminham, finalmente, de mãos dadas.
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| Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, Sítio Rio Preto, Calheiros, Bom Jesus do Itabapoana |




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