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| Foto histórica: Dona Iracema Seródio Boechat com seus alunos!! |
Flâneur é uma palavra francesa que significa, literalmente, “aquele que vagueia”.
No século XIX, passou a nomear quem caminha pela cidade sem pressa, observando a vida urbana, as pessoas, as vitrines, os detalhes do cotidiano, mais como um atento contemplador do que alguém com destino definido. O poeta francês Charles Baudelaire viu nele o artista da vida moderna: aquele que transforma o simples em poesia.
Pois eu sou um flâneur de Pirapetinga de Bom Jesus.
Agrada-me passear por meu amado distrito. Caminho por sua história como quem folheia um álbum antigo. Detenho-me diante da fotografia histórica da Profª Iracema Seródio Boechat, ali com seus pequenos alunos, semeando as gerações do amanhã. Há ternura naquela imagem, é quase possível ouvir o burburinho das crianças e o chamado doce da professora.
Admiro os prédios históricos, guardiões silenciosos de nossa memória. Percorro a praça, observo as caixas de livros oferecidas ao público, como convites generosos ao saber. Sigo pelas vias tranquilas de Pirapetinga, apreciando flores, cogumelos e árvores, tendo como pano de fundo o céu azul bordado de nuvens exuberantes.
Vejo frutas em compotas reluzindo ao sol, uma taça de vinho repousando serena, um carro de boi que parece trazer ecos de outros tempos. Um violão dedilha melodias na rua; um cãozinho atravessa o mato distraído. As imagens sagradas acompanham meu percurso como bênçãos discretas.
Adentro o patrimônio histórico do Centro Espírita Novo Oriente, ligado às origens do distrito. Ali estão quadros, memórias, inclusive o nosso peixe pintado, símbolo que palpita identidade. Vejo bebezinhos bem vestidos, cuidados com esmero, pequenos sonhos embalados para construir um novo amanhã.
Então paro por um instante.
Respiro.
Reflito sobre tudo o que vi.
Meu espírito se exalta e quase sussurra ao vento:
- Ahhh… esse Pirapetinga é lindo!
Pirapetinga é um pedacinho da história de um povo que vive, ama, sofre - e ainda assim ergue os olhos aos céus e diz:
“Graças a Deus!”












































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