sábado, 21 de fevereiro de 2026

Esquerda e direita: espelhos que só refletem ódio


Esquerda e direita, o retrocesso civilizacional



Há dois exércitos acampados na mesma praça.

Bebem da mesma água, respiram o mesmo ar, mas erguem muros de palavras como se fossem continentes distintos.

À esquerda, punhos cerrados feitos de certezas.

À direita, dedos em riste talhados de convicções.

Ambos falam de povo, e esquecem das pessoas.

Não escutam: aguardam apenas a vez de responder.

Não perguntam: apenas catalogam inimigos.

Transformaram o diálogo num tribunal e a dúvida numa heresia.

Cada frase já nasce espada.

Cada argumento já sai ferido.

E no campo de batalha das redes, vence quem desumaniza primeiro.

Chamam isso de consciência, de coragem, de resistência.

Mas há algo de profundamente antigo nisso, tribos pintadas para guerra ao redor da fogueira, celebrando a vitória de ninguém.

O adversário deixou de ser alguém a convencer para se tornar alguém a eliminar, não do mundo físico, mas do mundo moral, que às vezes é ainda mais cruel.

Assim, a civilização anda para trás sem perceber: a tecnologia avança, a linguagem empobrece, a informação explode, a compreensão encolhe.

Talvez o futuro comece no dia em que alguém disser:

“posso estar errado” - e sobreviva.

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