quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Vídeo; Paulo Cesar de Moraes: escultor de memórias nascidas da matéria esquecida

 



Em Planaltina, no bairro Arapuangas, no Distrito Federal, a manhã costuma nascer silenciosa.

Mas dentro de uma casa comum, o som é outro: metal sendo ajustado, vidro tocando vidro, ferramentas conversando com o tempo. É ali que trabalha Paulo Cesar de Moraes, um dos artesãos mais reconhecidos do Distrito Federal, embora ele próprio prefira dizer apenas que “reaproveita histórias”.

Há sete anos, começou com um gesto simples: guardar o que todos jogavam fora.

Sua primeira criação ainda mora no ateliê, um dragão feito de resíduos, soldado pacientemente, como se cada peça pedisse para voltar a existir. Ele não vende. Não trocaria.

Não é só a primeira obra. É o instante em que percebeu que matéria descartada também guarda memória.

Desde então, turistas e apreciadores de arte atravessam ruas estreitas até sua casa-ateliê. Não procuram apenas esculturas: procuram a surpresa de reconhecer beleza no improvável. Engrenagens viram asas, latas viram corpos, cabos viram movimento. O que era ruído urbano torna-se silêncio contemplativo.

Paulo Cesar não fala em sustentabilidade como discurso,  fala como prática diária.

Ao transformar resíduos em arte, reduz lixo, poupa recursos naturais e ensina, sem aula formal, que consumir também é escolher consequências. Crianças que visitam o espaço aprendem rápido: o planeta não precisa apenas de tecnologia, precisa de cuidado.

Mas há também um efeito invisível.

Esculpir acalma. Organiza pensamentos. Cada peça exige tempo, e o tempo reorganiza quem cria.

Suas obras carregam marcas culturais, lembranças de figuras populares, animais fantásticos e elementos regionais. Não saem de fábrica; nascem de observação. Por isso quem compra leva mais do que objeto: leva narrativa.

O artesanato reciclável ensina algo essencial, o valor não está no material, mas no olhar de quem transforma.

Na casa de Arapuangas, aquilo que seria fim ganha permanência.

E talvez seja essa a verdadeira escultura de Paulo Cesar de Moraes: provar que reutilizar também é uma forma de esperança.


























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