domingo, 22 de fevereiro de 2026

Mestre Daniel de Lima, Patrícia Vianna de Mello Vianna e Monique Pinheiro Santos - Filhos do Barro: Uma Experiência de Criação, Presença e Ancestralidade

 


Há um silêncio antigo que habita o barro.

Um silêncio úmido, morno, que respira sob as mãos e espera o toque certo para se tornar forma.

No workshop Filhos do Barro, esse silêncio é convite, não para moldar apenas a argila, mas para ser moldado por ela.

O barro encontra o corpo.

O corpo encontra a terra.

E, nesse encontro, os quatro elementos despertam.

A água amolece as durezas invisíveis.

A terra sustenta o gesto que nasce do centro.

O ar atravessa o peito e sopra intenção às mãos.
O fogo, ainda latente, anuncia a transformação que virá.

Ali, a criação não é pressa: é presença.

Os pés reconhecem o chão, as mãos reconhecem a memória.

O barro carrega histórias ancestrais e, ao tocá-lo, tocamos algo de nós que sempre soube.

Sob a condução de Daniel de Lima, mestre artesão nascido em Tracunhaém, terra onde o barro é tradição e destino, a argila deixa de ser matéria e torna-se ensinamento. Há mais de três décadas dedicando-se à cerâmica e fundador do Ateliê Filhos do Barro no Rio de Janeiro, Daniel transmite o saber como quem oferece água fresca: com generosidade e respeito às raízes. Em suas mãos, a técnica é ancestralidade viva.

Ao lado dele, Patrícia Vianna de Mello tece palavras, músicas e histórias como quem costura mundos. Arte-educadora e pesquisadora da biogenia, ela integra alimento vivo, literatura e cuidado em experiências que nutrem por dentro e por fora. Seu gesto lembra que criar também é alimentar, o corpo, a imaginação e o espírito.

E quando o corpo pede movimento, Monique Pinheiro Santos abre o espaço da dança sensível. Facilitadora formada pela International Biocentric Foundation, instrutora de Yoga e terapeuta corporal, conduz vivências onde o ritmo desperta a escuta e o toque devolve pertencimento. Cada passo é reconexão. Cada gesto, reencontro.

No Filhos do Barro, não se aprende apenas a moldar,  aprende-se a enraizar.

A escutar o que palpita sob a pele.

A reconhecer no alimento vivo o ciclo da terra.

A permitir que o fogo da transformação atravesse medos antigos.

O barro suja as mãos, mas limpa os excessos.

A dança move o que estava rígido.

A palavra semeia sentido.

O alimento regenera.

E, ao final, o que se leva não é apenas uma peça de cerâmica,  é a lembrança de que somos também argila viva, filhos da terra, capazes de criar, cuidar e renascer.

Um convite ao enraizamento.

À criatividade que brota do simples.

Ao cuidado integral que nasce quando corpo e natureza voltam a conversar.



















 



2 comentários:

  1. Grande Mestre Daniel. Parabéns por vencer Barreiras e Mostrar o teu Trabalho.

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  2. Daniel, você é um verdadeiro guardião da tradição e da ancestralidade do barro. Seu trabalho no Filhos do Barro é um presente para todos que buscam se reconectar com as raízes da terra. Parabéns pelo seu dom de compartilhar esse saber com generosidade .

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