Há um silêncio antigo que habita o barro.
Um silêncio úmido, morno, que respira sob as mãos e espera o toque certo para se tornar forma.
No workshop Filhos do Barro, esse silêncio é convite, não para moldar apenas a argila, mas para ser moldado por ela.
O barro encontra o corpo.
O corpo encontra a terra.
E, nesse encontro, os quatro elementos despertam.
A água amolece as durezas invisíveis.
A terra sustenta o gesto que nasce do centro.
O ar atravessa o peito e sopra intenção às mãos.
O fogo, ainda latente, anuncia a transformação que virá.
Ali, a criação não é pressa: é presença.
Os pés reconhecem o chão, as mãos reconhecem a memória.
O barro carrega histórias ancestrais e, ao tocá-lo, tocamos algo de nós que sempre soube.
Sob a condução de Daniel de Lima, mestre artesão nascido em Tracunhaém, terra onde o barro é tradição e destino, a argila deixa de ser matéria e torna-se ensinamento. Há mais de três décadas dedicando-se à cerâmica e fundador do Ateliê Filhos do Barro no Rio de Janeiro, Daniel transmite o saber como quem oferece água fresca: com generosidade e respeito às raízes. Em suas mãos, a técnica é ancestralidade viva.
Ao lado dele, Patrícia Vianna de Mello tece palavras, músicas e histórias como quem costura mundos. Arte-educadora e pesquisadora da biogenia, ela integra alimento vivo, literatura e cuidado em experiências que nutrem por dentro e por fora. Seu gesto lembra que criar também é alimentar, o corpo, a imaginação e o espírito.
E quando o corpo pede movimento, Monique Pinheiro Santos abre o espaço da dança sensível. Facilitadora formada pela International Biocentric Foundation, instrutora de Yoga e terapeuta corporal, conduz vivências onde o ritmo desperta a escuta e o toque devolve pertencimento. Cada passo é reconexão. Cada gesto, reencontro.
No Filhos do Barro, não se aprende apenas a moldar, aprende-se a enraizar.
A escutar o que palpita sob a pele.
A reconhecer no alimento vivo o ciclo da terra.
A permitir que o fogo da transformação atravesse medos antigos.
O barro suja as mãos, mas limpa os excessos.
A dança move o que estava rígido.
A palavra semeia sentido.
O alimento regenera.
E, ao final, o que se leva não é apenas uma peça de cerâmica, é a lembrança de que somos também argila viva, filhos da terra, capazes de criar, cuidar e renascer.
Um convite ao enraizamento.
À criatividade que brota do simples.
Ao cuidado integral que nasce quando corpo e natureza voltam a conversar.
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Grande Mestre Daniel. Parabéns por vencer Barreiras e Mostrar o teu Trabalho.
ResponderExcluirDaniel, você é um verdadeiro guardião da tradição e da ancestralidade do barro. Seu trabalho no Filhos do Barro é um presente para todos que buscam se reconectar com as raízes da terra. Parabéns pelo seu dom de compartilhar esse saber com generosidade .
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